A explosão de um cilindro de GNV de um veículo, no último sábado, deixou o proprietário do carro e um frentista mortos na Lapa, no Centro do Rio. Paulo dos Santos, frentista de 61 anos, estava em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar desde a madrugada do último sábado, dia do acidente. O motorista do veículo, Guaraci Ferreira Costa, de 64 anos, também ficou gravemente ferido, foi socorrido para o Hospital Souza Aguiar, mas morreu ainda no sábado.
Em 2022, Mário Magalhães da Penha, de 67 anos, estava perto do veículo enquanto enchia o tanque com gás num posto da Rua Vinte e Quatro de Maio, em São Francisco Xavier, Zona Norte do Rio, e foi lançado a dois metros de onde estava pela força da explosão do cilindro. Na ocasião, ele passou por uma cirurgia, mas não resistiu.
Na ocasião, ao GLOBO, Claudio Torelli, diretor de comunicação da Associação Nacional dos Organismos de Inspeção (Angis), com 30 anos de experiência na área de inspeção, clandestinidade e a desinformação são dois vilões que colocam em risco a vida dos motoristas. Ele fez parte da equipe que investigou o primeiro acidente com GNV no Brasil, em 1994, e alerta para a necessidade de seguir os parâmetros dos órgãos de fiscalização, nesse caso, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
— O deslocamento de ar em uma explosão como essa é absurdamente alto, mas sendo aplicado corretamente, o GNV é altamente seguro. Todo o sistema é muito controlado — afirmou Torelli na ocasião.
Veja momento da explosão em posto de gasolina no Centro do Rio
Claudio Torelli chamou atenção para o perigo de buscar soluções mais baratas na hora de instalar o kit gás:
— O acidente acontece geralmente quando a pessoa faz instalações ou alterações fora das normas de segurança e com pessoas não credenciadas para isso — afirma.
Na hora da escolha do local de instalação, o preço mais em conta não é o melhor parâmetro.
— Eu posso afirmar que 100% dos acidentes com GNV foram provocados por manipulações não habilitadas e usando produtos condenados. Uma oficina que é registrada pelo Inmetro segue regras muito rígidas para instalação. Quando você vai para a clandestinidade em busca de economia, ela não é mais barata, é matadora — afirmou Claudio. — Um carro novo com um litro de gasolina faz em média 8 quilômetros. Com gás, ele faz 12 quilômetros por metro cúbico, isso dá em média 40 centavos por quilômetro. Por que fazer uma gambiarra? O prejuízo pode ser muito grande e até fatal.
Desde setembro de 2021, uma lei municipal no Rio proíbe que os postos abasteçam com GNV os carros que não apresentem o selo do Inmetro. Segundo a Associação dos Organismos de Inspeção Veicular do Rio de Janeiro (Assinsp), cerca de 60% dos veículos com GNV no Rio estão irregulares. De acordo com a entidade, consulta a um aplicativo durante o abastecimento revela que apenas cerca de 40% dos veículos estão com o documento em dia; outros 40% estão com a vistoria vencida, e 20% nem sequer levaram ao Inmetro para a inspeção inicial.
Claudio Torelli sugere duas iniciativas de órgãos responsáveis que reduziriam os riscos: retirada de circulação de veículos com kit gás irregular em blitzes e ordem da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para exigir o selo do Inmetro nos postos:
— A gente quer que os postos só abasteçam com o selo. Esse seria o início de uma solução para o problema. Forçaria o mercado a se adequar.
- Escolher uma oficina que esteja registrada no Inmetro. No site da instituição é possível verificar por estado e município as oficinas autorizadas e seguras. Não tente fazer a instalação de forma amadora ou em locais não credenciados. Todos os acidentes aconteceram em veículos que sofreram alterações por pessoas não habilitadas para o serviço.
- Fazer avaliação no carro. Antes de tudo o condutor precisa saber se o carro está em condições de receber o kit gás. Essa avaliação pode ser feita em uma oficina registrada no Inmetro. As taxas de compressão do motor devem estar de acordo com o estabelecido pelo fabricante, atendendo bons índices de eficiência.
- Tecnologia compatível. Motor passou no teste, o próximo passo é atentar se o kit gás escolhido é compatível com a tecnologia disponível no veículo.
- Economia vem depois. O preço não é coisa mais importante a se considerar na hora de comprar um kit gás, mas sim a boa qualidade e garantia de segurança na instalação. Buscar o preço mais baixo na hora de compra do GNV nem sempre é sinônimo de vantagem, pode ter dor de cabeça depois.
- Manter selo do GNV em dia. Todo ano o condutor precisa fazer as inspeções de segurança veicular e do sistema GNV. Essa inspeção é exigida, inclusive, para licenciamento do carro. Importante: com cinco anos de uso, o cilindro de gás precisa ser submetido a um ensaio para verificar a capacidade de continuar sendo abastecido.
- Manter manutenção do carro em dia. É importante atentar para as manutenções descritas no manual do veículo. Se o carro passa pelas inspeções periódicas, se está com a manutenção em dia e cumprindo as regras, não vai ter problema. O carro está seguro.
Dicas de segurança durante o abastecimento:
- Tirar todas as pessoas do carro e se afastar (evitar se posicionar na parte traseira do veículo).
- Desligar o motor, luzes e som.
- Abrir o porta-malas (onde está o cilindro) e a tampa do motor antes do abastecimento.
- Evitar usar o celular.
- Não fumar ou usar quaisquer objetos que soltem alguma faísca ou que contenham fogo e brasa.
