Enquanto todos os olhares se voltavam ao Pacífico, para onde se dirigiram um grupo de bombardeiros furtivos americanos B-2 Spirit, na madrugada de sábado, a preparação para o verdadeiro ataque às instalações nucleares do Irã aconteciam no sentido oposto, pelo Atlântico. Batizada de “Martelo da Meia-Noite”, a operação liderada pelo Comando Central foi mantida em sigilo até o último minuto e teve como um de seus pilares o uso de técnicas de desorientação para despistar o inimigo — e também os radares e a Inteligência de países sobrevoados durante a missão.
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De acordo com o general da Força Aérea Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, dois grupos de bombardeiros B-2 decolaram da Base Aérea de Whiteman, no Missouri, por volta da meia noite de sábado (horário local). Enquanto um grupo de seis aeronaves seguiu para Oeste, em direção à estratégica Base Naval de Guam, e teve sua trajetória amplamente captada e divulgada por plataformas de rastreamento de voo, o principal grupo de ataque, composto por sete caças desse modelo, com dois tripulantes cada, voou 18 horas do território continental dos EUA para Leste até o Irã.
A manobra em direção ao Pacífico foi vista por analistas e autoridades como um presságio de um ataque iminente, uma vez que a proximidade da base com o Oriente Médio e seu papel como centro logístico regional a tornam um ponto de partida estratégico para operações na região. Mas ela serviu apenas de isca para manter a surpresa tática do plano.
— Foi uma missão altamente secreta, com pouquíssimas pessoas em Washington sabendo sobre o momento ou a natureza do plano — comentou Caine em uma entrevista coletiva na manhã deste domingo, na primeira declaração pública do Pentágono sobre a operação.
Ainda segundo Caine, foram necessários diversos reabastecimentos em voo durante a viagem de 18h do território continental dos EUA até os alvos no Irã. E, uma vez sobre terra, os B-2 juntaram-se às aeronaves de escolta e apoio em uma manobra “complexa e rigorosamente cronometrada, exigindo sincronização exata entre várias plataformas em um estreito espaço aéreo”, explicou. Para isso, foi preciso agir de maneira silenciosa, com comunicação mínima, disse.
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Pouco antes do grupo de ataque entrar na zona iraniana, por volta da 0h30 deste domingo (horário local), um submarino da Marinha dos EUA estacionado no Golfo Pérsico lançou mais de duas dúzias de mísseis de cruzeiro Tomahawk contra alvos estratégicos de infraestrutura nuclear em Isfahã, na região central do Irã.
— À medida que o grupo de ataque da Operação Midnight Hammer entrava no espaço aéreo iraniano, os EUA empregaram várias táticas de distração, incluindo iscas, enquanto aeronaves de quarta e quinta geração avançavam à frente do grupo de ataque em alta altitude e alta velocidade, neutralizando ameaças de caças inimigos e mísseis terra-ar — acrescentou o chefe do Estado-Maior Conjunto.
O grupo de ataque recebeu apoio de diversos comandos dos EUA, incluindo o Comando Estratégico, o Comando de Transporte, o Comando Cibernético, o Comando Espacial e o Comando Europeu, além da Força Espacial americana. Segundo Caine, ao se aproximar das instalações de Natanz e de Fordow, as aeronaves de proteção utilizaram “armas de supressão de alta velocidade para garantir a passagem segura do grupo de ataque, com caças empregando fogo preventivo contra quaisquer potenciais ameaças iranianas terra-ar”.
O principal desafio era a fortaleza subterrânea de Fordow. Uma instalação de enriquecimento de urânio considerada o “coração” do programa nuclear iraniano, ela foi construída numa montanha perto da cidade de Qom, também na região central do país, a cerca de 90 metros abaixo do nível do solo, e projetada para resistir a ataques aéreos, o que a torna extremamente difícil de ser neutralizada.
Os ataques a Fordow começaram por volta das 2h10 (horário local), com o lançamento de duas bombas fura-bunker de 14 toneladas sobre o primeiro dos vários pontos de mira no local. Ao todo, foram disparadas 14 munições desse tipo contra duas áreas nucleares, segundo o Pentágono.
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Os bombardeiros B-2 são as únicas aeronaves capazes de transportar esse tipo de armamento que, por sua vez, seriam os únicos capazes de penetrar na fortaleza nuclear iraniano, segundo estimativas de Israel.
— Todos os três alvos da infraestrutura nuclear iraniana foram atingidos entre as 18h40 e as 19h05 (horário padrão do leste dos EUA), aproximadamente às 2h10 da manhã no horário local iraniano, com os mísseis Tomahawk sendo os últimos a atingir Esfahan, garantindo a manutenção do elemento surpresa durante toda a operação — informou Caine. — Após o lançamento das armas, o grupo Midnight Hammer saiu do espaço aéreo iraniano e iniciou o retorno [para os EUA].
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Não houve registros de disparos contra o grupo na entrada nem na saíde. Os caças do Irã não decolaram e, aparentemente, os sistemas iranianos de mísseis terra-ar não detectaram a presença americana.
Ao todo, as forças dos EUA empregaram aproximadamente 75 armas guiadas com precisão, incluindo as 14 bombas fura-bunker, e 125 aeronaves, entre elas os sete bombardeiros B-2, múltiplas esquadrilhas de caças de quarta e quinta geração, dezenas de aviões-tanque para reabastecimento aéreo, um submarino lançador de mísseis guiados e uma completa gama de aeronaves de inteligência, vigilância e reconhecimento, além de centenas de profissionais de manutenção e operações.
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Os voos para atingir os alvos foram os segundos mais longos da história operacional do B-2. O mais longo foi uma viagem de ida e volta de 40 horas em outubro de 2001, na fase inicial da guerra do Afeganistão, imediatamente após os atentados terroristas de 11 de setembro.
A extensão dos danos resultantes dos ataques ainda não é conhecida e, segundo Caine, “levará algum tempo”, mas “todos os três locais sofreram danos e destruição extremamente graves”, afirma.