Um mês. Foi o tempo que esperei para conhecer o Balcão 201, o bistrô-bar que o chef João Paulo Frankenfeld — do premiado Casa 201 — abriu no Leblon. Nada que chegue perto da demora no dinamarquês Noma, em que aguardei um ano cravado por uma mesa. E ela me esperava. O chef é sensação, é fato, mas o “perrengue” para conseguir uma mesa, que seja um banquinho no balcão, vai para a conta do tamanho da casa: enxutos 40 m², com calçada. Mas de dia tem jogo, é mais fácil conseguir. Almoçamos numa tarde chuvosa, fria e calminha.
Lembro dos tempos do Venga!, que funcionou no mesmo espaço, e da habilidade do arquiteto Chicô Gouvea ao transformar um pé-sujo em um bar descolado. Isso é que é perrengue. A Cris Julião, sócia e responsável pelo décor do Balcão, restou uma boa maquiagem para dar ares parisienses ao salão (salinha). Conseguiu, com gravuras, luminárias e outros detalhes que estão por todos os lados (até nas louças). O Balcão ficou uma graça, simpático e gostoso de estar. Pode ser esse o ponto: ninguém tem pressa de liberar a mesa.
Frankenfeld faz praticamente tudo que o serve, da manteiga e dos pães ao vermute e à cerveja, passando por charcutaria, conservas e molhos, coisas como o ketchup de cogumelos (usem e abusem). Faz no “laboratório” no segundo andar da Casa 201, seu restaurante uma estrela Michelin no Jardim Botânico.
É cardápio para compartilhar, as próprias mesas pequenas sugerem a prática. Pratos ao centro e cestinha de pães, fórmula que se adéqua a qualquer momento do dia. Musse de fígado com gelatina de vermute (R$ 63), língua maturada com molho de parmesão, aliche e alcaparras, servida fatiada (R$ 53), e pastrami defumado, também fatiado, com potinho de mostarda (R$ 64) — ótima largada ou chegada, dá para ficar só nesses.
A costeleta suína (R$ 68) comemos com a salada de batata (R$ 48), sempre para três, servida com o tal ketchup de cogumelos. Toda a linha de charcutaria — e as peças ficam expostas na vitrine em vidro no balcão — vira sanduíche (a partir de R$ 78). Sugiro no pão schiacciata, meio foccacia, com massa leve e fina. Provamos o filé au poivre com fritas (R$ 98) e terminamos com o crepe suzette de laranja, Cointreau e muito chantilly (R$ 42), que perfumou o salão.
Friozinho e climão bleu blanc rouge do começo ao fim. Incluindo as cifras, bien sûr…
Rua Dias Ferreira 113, Leblon (99716-8959). Ter a sáb, das 12h à meia-noite. Dom, das 12h às 18h.