O influenciador Thiago Schutz, mais conhecido como o “Calvo do Campari”, foi preso em flagrante na última sexta (28), em Salto, no interior de São Paulo, por violência doméstica e lesão corporal contra a namorada, Lais Angeli Gamarra, de 30 anos. O homem ficou popularmente conhecido nas redes sociais após viralizar em vídeos com falas misóginas adeptas do movimento “Red pill”.
Antes de ser conhecido como o “Calvo do Campari”, Thiago participou do reality show da Netflix “O Crush Perfeito” em 2020. No programa, ele se apaixonou por Joelma Handziuk, uma mulher feminista, com mais de 50 anos e mãe de dois filhos adultos. E mesmo dizendo achar que mulheres acima dos 30 anos não têm mais valor algum na sociedade, o influenciador disputou com mais quatro homens o amor de Joelma, que não o escolheu.
Após o reality, o influenciador, que se apresenta também como “coach de masculinidade”, começou a viralizar nas redes sociais com discursos misóginos e objetificando mulheres, sempre no mesmo cenário: com fone de ouvido e microfone, olhando para um apresentador, com postura de intelectual.
No podcast “Pela fechadura”, Thiago chegou a afirmar que “não se atrai por mulheres de peles escuras e que não era menos homem por isso”.
Em um outro vídeo, o influenciador aparece falando que muitas leis deixam as mulheres “folgadas'”. “Quando você tem um monte de lei que beneficia a mulher, você cria um monte de mulher mimada e folgada que acha que pode fazer o que quiser com outra mulher ou com homem”, disse.
O apelido, pelo qual é mais conhecido, acabou surgindo porque num dos episódios de um podcast, ele narra uma história de uma mulher que supostamente ofereceu uma “breja” (cerveja) a ele, que bebe Campari.
“Ah, mas se eu pegar uma breja você não toma comigo? Eu não tomo, entendeu? A mulher tem muito isso de querer mudar o cara, tentar colocar o cara debaixo dela, mas não é maldade, é um teste realmente”, contou no podcast.
Os comentários de Thiago direcionados a figuras femininas fazem parte do movimento masculino chamado “Red pill”. O termo vem do inglês e significa “pílulas vermelhas”. A expressão, ressignificado por apoiadores da direita e da extrema-direita, foi retirada da triologia Matrix (1999).
No filme, o protagonista Neo (vivido por Keanu Reeves) ganha duas pílulas, no qual tem de escolher qual tomar: a azul, que lhe permite seguir vivendo em um mundo de ilusões; ou a vermelha, para adquirir consciência sobre a realidade que o cerca.
No vocabulário masculinista, os “red pills” seriam homens que se opõem ao “sistema que favorece as mulheres”, por acharem que elas não são fiéis e nem possuem bom caráter para com os homens. Na concepção do grupo, pessoas do sexo masculino não devem se casar ou namorar, mas, apenas fazerem sexo, para não permitir que as mulheres sejam “aproveitadoras”.
Os red pills se opõem aos “blue pills”, que são homens que preferem namorar e casar e, por isso, são considerados ingênuos. Entre os principais pilares do “pensamento” estão: o realismo social, onde os homens devem “enxergar o mundo como realmente é”; o masculinismo, que é a valorização de traços considerados tradicionalmente masculinos; as dinâmicas de poder nas relações afetivas, onde os homens precisam adotar comportamentos mais “duros” nas relações para serem respeitados e a crítica ao movimento feminista.
Na última sexta-feira (28), Lais Angeli Gamarra relatou ter sido agredida com chutes e tapas pelo influenciador. Segundo o boletim de ocorrência, a mulher ligou para a polícia e conseguiu fugir de Schutz. Ela foi encontrada pela PM na rua, com marcas de agressões. Minutos depois, o homem foi detido
Em laudo pericial, o Instituto Médico-Legal, que avaliou a vítima depois da agressão, diz que Lais sofreu, pelo menos, onze lesões corporais que violaram sua integridade física, na face e nos membros superiores e inferiores.
O “Calvo do Campari”, passou por audiência de custódia e foi solto. No entanto, ele está proibido de se aproximar da vítima e de entrar em contato com ela, mesmo que por redes sociais. Além disso, Thiago também não pode, a partir de agora, frequentar bares e casas noturnas, sob risco de ser detido novamente.
A advogada de Lais, Nayara Thibes, afirmou que pediu novamente a prisão do influenciador. De acordo com ela, a vítima está abalada e sem conseguir dormir desde ontem.
— Eles eram namorados há três meses. Tudo começou porque ele pediu para fazer sexo oral nela, e ela se negou. Ela foi enforcada, fugiu para a rua e conseguiu pedir socorro para uma viatura da PM — disse a advogada.
O GLOBO não conseguiu contato com a defesa de Schoba. O espaço permanece aberto para manifestação.
Thiago já havia sido acusado de ameaçar outras mulheres em 2023. Ele teria enviado uma mensagem para a atriz Livia La Gatto e para a intérprete de samba Bruna Volpi exigindo que ambas tirassem os vídeos em que falavam dele nas redes sociais. Caso contrário, segundo ele, seria “processo ou bala”
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Thiago virou réu e respondeu, em liberdade, pelos crimes de ameaça e violência psicológica contra mulher, após episódios envolvendo ambas. Em seguida, por meio de vídeo nas redes sociais, disse que falava muito palavrão e que sua mensagem foi mal interpretada. Que “bala” não foi usada no sentido literal, e sim, no sentido de resolver a questão.
Em novembro de 2023, a Justiça de São Paulo suspendeu o processo contra o influenciador. O Ministério Público reconheceu que a atriz foi ameaçada, mas sugeriu a suspensão do julgamento realizado.
Também em 2023, Thiago foi acusado de aplicar o golpe em uma jovem de 15 anos. Conforme divulgado pelo EXTRA, antes do programa “O Crush Perfeito” estrear, uma conta no Twitter cujo nome era Maysa, acusou o empresário de “roubar” um livro escrito pela jovem.
“Quando eu tinha 15 anos fui roubada por esse cara, que é dono dessa editora (Nova Editorial). Ele publicou meu livro, e além de não me mandar o lucro, não enviou a obra para as pessoas que compraram. Agora, ele tá em uma série”, dizia o post.
Maysa ainda acusava a editora de Thiago, Nova Editorial, de não existir e apontava que o homem usava a empresa para lesar escritores e ficar com o dinheiro de suas publicações. Os advogados de do influenciador diziam que iriam processar a jovem.
Thiago escreveu livros, publicados por sua própria editora, criou o chamado “Manual Red Pill”, e oferece “mentoria” onde promete a outros homens avanços na busca por “autoconhecimento, propósito, dinheiro e mulheres”.
Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão

