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outubro 28, 2026
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Saída de Flávio do país abre disputa por protagonismo na oposição a Lula

Por · outubro 28, 2026
Saída de Flávio do país abre disputa por protagonismo na oposição a Lula


A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, dois dias depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, embaralhou os planos do partido para a reorganização da oposição e abriu espaço para uma disputa por protagonismo entre lideranças da direita. A viagem aos Estados Unidos, relatada por aliados, surpreendeu integrantes da campanha e colocou em dúvida a estratégia de transformar os quase 60 milhões de votos recebidos pelo senador em força política para enfrentar o quarto mandato do petista.
Até esta terça-feira, a cúpula do PL trabalhava com a perspectiva de que Flávio assumiria a articulação da oposição, sobretudo no Congresso, onde a legenda elegeu as maiores bancadas da Câmara e do Senado. O próprio senador havia anunciado, na segunda-feira, que reuniria os parlamentares eleitos para organizar a atuação contra o governo.
— Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil. Eu vou reunir os deputados e senadores eleitos para organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza — declarou, em vídeo.
A saída do país menos de 24 horas depois provocou indignação entre integrantes da campanha, que afirmam não ter sido informados previamente da decisão. Auxiliares criticam a falta de comunicação e consideram que o senador deixou aliados responsáveis por administrar as consequências políticas de sua ausência justamente no momento de reorganização do grupo.
No Congresso, a ausência de Flávio também pode afetar os planos de Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou politicamente a campanha presidencial e pretende disputar a presidência do Senado em 2027. Na avaliação de aliados do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a saída do senador enfraquece a capacidade de articulação do PL e pode dificultar a construção de apoios para a candidatura de Marinho.
Esses interlocutores consideram que o episódio tende a ampliar o isolamento do PL nas negociações com outras legendas, especialmente partidos do Centrão que serão decisivos na escolha do próximo presidente do Senado. A avaliação é que a ausência de Flávio retira da legenda uma liderança com projeção nacional que poderia ajudar a reunir apoios em torno de Marinho.
Em meio à indefinição, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou um vídeo nesta terça-feira em que defendeu a reorganização da direita após a derrota presidencial. Sem mencionar a saída de Flávio do país, agradeceu ao senador pela campanha, afirmou que a eleição havia terminado e pediu união das forças de oposição ao governo Lula.
Tarcísio também defendeu uma atuação voltada à fiscalização do Executivo e à responsabilidade fiscal. Embora tenha reconhecido o resultado das urnas, afirmou que isso não significa deixar de questionar o que considera excessos no processo eleitoral. Na segunda-feira, o governador havia participado de conversas com integrantes do entorno de Flávio e, segundo relatos publicados pelo Metrópoles, defendido que o PL não insistisse no pedido de anulação da eleição.
Outra liderança que passa a ter espaço na reorganização da oposição é Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal. A ex-primeira-dama, que já exerce influência na estrutura partidária, terá mandato no Congresso a partir de fevereiro de 2027 e poderá participar diretamente das negociações sobre a atuação da bancada.
A indefinição ocorre em meio às investigações envolvendo Flávio. Na segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e o proibiu de deixar o Brasil. Os documentos não foram apresentados dentro do prazo estabelecido.

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