Samba é raiz e ancestralidade, como comprovam dois eventos neste domingo (27), em Niterói. A partir das 15h, no Teatro Popular Oscar Niemeyer, no Caminho Niemeyer, o Samba das Yabás festeja três anos do encontro, com entrada franca. Às 16h30, o sambista Mingo Silva começa a roda do Engenho do Samba (com ingressos a partir de R$ 10), no Espaço Oásis, na Engenhoca, na Zona Norte, onde teve os primeiros contatos com a música, bem antes de fazer sucesso em palcos como o do Samba do Trabalhador, no Rio.
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Na festa desta tarde, o cantor e compositor Marquinho Sathan e a cantora Marina Iris são os convidados especiais do percussionista Mingo.
— Minha vida na música é toda no Rio, e comecei a trazer essa galera do samba para Niterói. Já levei o pessoal daqui para mostrar que nossos músicos mandam bem também. A minha intenção é dar continuidade a esse projeto com o samba que já fiz na cidade. Hoje, moro em Itaipuaçu, mas estou sempre na Engenhoca. É um bairro enorme, cercado por favelas. Cresci soltando cafifa nas comunidades e aprendi a tocar ali. Minha família, por parte de pai e de mãe, era da Corações Unidos, a escola de samba do bairro, onde cresci tocando — conta Mingo.
Jovem, acabou conhecendo o rap e se interessou pelas rimas, ganhando festivais de música nos anos 2000. Agora, depois de apoiar artistas locais como a turma do Samba da Amendoeira, Mingo quer ajudar a garotada da Engenhoca:
— Tenho um sonho, que é montar uma escola de música nesse espaço, que é de um amigo, para dar oportunidade a crianças e adolescentes que têm talento para música. Sem oportunidade, o tráfico vai e abraça.
Também de olho nas origens e na Zona Norte, o projeto do Samba das Yabás começou pelo Caramujo e foi alcançando outros bairros, como conta a produtora Manu Brasil. Hoje, ele tem duas versões: show e evento.
— Usamos a palavra samba no título, mas ele não é a única manifestação de cultura que trazemos. Ao longo desses três anos, tivemos maracatu, capoeira, afoxé, olodum e diversas manifestações, sempre com um olhar mais aproximado da importância feminina. O objetivo é valorizar o sagrado feminino presente na cultura preta no Brasil, que tem a mulher como base e raiz. O Samba das Yabás tem como principais homenageadas as nossas mães e rainhas, que são as senhoras das religiões de matrizes africanas — diz Manu.
As baianas das escolas Cubango e Viradouro são as homenageadas no aniversário do Samba das Yabás, ao lado de jovens talentos musicais, destacando também a importância sociocultural dos terreiros na preservação das tradições afro-brasileiras. Linda Baobá, Dani Ti, Tracy Rangel, Collins, Bloco Olodumaré, Companhia de Dança Nzinga, DJ Bieta e a bailarina Erika Souza, da Mangueira, estarão no palco do Teatro Popular, além de uma roda de samba só de mulheres e de ogãs de 78 terreiros parceiros do projeto.
As yabás serão representadas também através de uma feira de empreendedorismo afro com artesanato, trancistas e pintura corporal. Apoiado pela Secretaria municipal das Culturas, o evento terá ainda uma área grátis para as crianças brincarem e se divertirem.
— É uma festa preta, que acolhe e valoriza o povo e a diversidade, com acessibilidade. Imaginamos que vamos superar todos os outros públicos anteriores. Recebemos diversas mensagens de pessoas emocionadas e ansiosas por essa comemoração. Estamos preparando tudo como festa de aniversário mesmo, porque sabemos o quanto o público se sente pertencente dessa história — diz Manu.