O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, defendeu nesta segunda-feira que atletas de Israel sejam banidos de todas as competições esportivas internacionais em represália pela guerra na Faixa de Gaza, assim como foi feito com a Rússia pela invasão da Ucrânia. A declaração do premier ocorre um dia após a última etapa da Volta da Espanha — principal competição de ciclismo do país — ser interrompida por protestos pró-Palestina em Madri, em um incidente que motivou disputas políticas no país.
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Manifestantes espanhóis protestaram ao longo das últimas semanas contra a participação da equipe Israel-Premier Tech na competição, em função dos desdobramentos da operação militar israelense na Faixa de Gaza. No domingo, um ato convocado em Madri, onde a última etapa da prova deveria ser concluída, forçou os organizadores a encerrarem a disputa a 56 km da linha de chegada, e concluir o evento sem a cerimônia de premiação.
O protesto foi duramente criticado pela organização da Volta da Espanha, que culpou os “lamentáveis incidentes” em Madri, pelo final antecipado da prova. Políticos de oposição também foram rápidos em criticar os atos, culpando o governo de Sánchez pelo incidente.
“O governo permitiu e induziu a não finalização da Volta, e desta forma, um constrangimento internacional televisionado em todo o mundo”, escreveu o líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, em uma publicação na rede social X no domingo.
Sánchez, que se tornou uma das vozes mais críticas à ampliação da operação militar de Israel contra Gaza, tendo anunciado na semana passada um pacote de nove medidas para pressionar o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a encerrar o conflito, saudou os manifestantes e demonstrou apoio à causa defendida por eles.
— O debate que se abriu por conta do que aconteceu em Madri, na Espanha, deveria se expandir e alcançar todos os cantos do mundo. Isso já está acontecendo: vimos como governos europeus estão dizendo que, enquanto durar a barbárie, Israel não pode utilizar qualquer plataforma internacional para melhorar sua imagem — disse Sánchez em uma reunião no Congresso com deputados, senadores e eurodeputados do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). — As organizações esportivas devem se perguntar se é ético que Israel continue participando de competições internacionais. Por que a Rússia foi expulsa após a invasão da Ucrânia e Israel não é expulso após a invasão de Gaza?
O líder socialista condenou cenas de violência que ocorreram durante os protestos — estima-se que 100 mil pessoas tenham participado do protesto em Madri, com a polícia disparando bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-las. Ele condenou os atos de violência, mas parabenizou os manifestantes que saíram as ruas para protestar sem violência.
— Sentimos um imenso respeito e uma profunda admiração por uma sociedade civil espanhola que se mobiliza contra a injustiça e defende sua ideia de forma pacífica — completou.
O diretor da Volta a Espanha, Javier Guillén, classificou nesta segunda-feira a manifestação como “absolutamente inaceitável”, e argumentou que protestos contra a presença da equipe israelense deveriam ter ocorrido sem interromper a prova.
— Somos uma corrida de ciclismo e é isso que queremos exigir. Achamos ótimo que a plataforma da Volta esteja sendo usada para fazer uma declaração. Mas, por isso, também exigimos respeito pela corrida — afirmou, acrescentando que a inclusão ou exclusão de equipes segue os critérios da União Ciclista Internacional (UCI).
O primeiro-ministro ainda criticou a liderança do PP, a quem acusou de “copiar o estilo” da extrema direita. Com pesquisas apontando o encolhimento da direita tradicional, em face do crescimento do partido radical Vox, Sánchez afirmou que há um “colapso ideológico” no campo conservador, marcado por “falta de propostas” e “insultos constantes”.
Representantes do Vox usaram a política de pressão de Sánchez contra Israel para atacá-lo no cenário interno. Na semana passada, quando o premier anunciou as medidas adicionais contra Israel, o líder da sigla extremista, Santiago Abascal, disse que Sánchez se comportava como um “porta-voz do Hamas”. A declaração repercutiu entre políticos israelenses, uma vez que ocorreu no mesmo dia que um cidadão espanhol foi confirmado entre os mortos de um atentado terrorista em Jerusalém. (Com AFP)