Dá para tomar um vinho paulista premiado internacionalmente a menos de 100 km da capital? Dá sim. E não é um, são mais de 80 vinícolas abertas para visitação no estado.
O enoturismo em São Paulo cresce ano a ano, com um aumento de 27% no número de visitantes. E o projeto Rotas do Vinho de São Paulo mapeou cinco roteiros diferentes, cada um com seu clima, sua paisagem e seus rótulos que já ganharam competições como o Decanter World Wine Awards e o Concurso Mundial de Bruxelas.
A produção de vinho paulista vive seu melhor momento. Longe do trânsito e do concreto, tem parreiras, tem serra, tem almoço demorado com queijo artesanal e tem, principalmente, uma produção de vinho que cresceu muito nas últimas duas décadas.
O site rotasdovinho.sp.gov.br reúne todas as informações: horários, experiências oferecidas e um mapa interativo para montar o seu roteiro.
A primeira vinha do Brasil foi plantada em São Paulo, em 1532, por Brás Cubas. Quase 500 anos depois, o estado voltou a chamar atenção, mas desta vez, com vinhos de verdade. A imigração italiana, especialmente em Jundiaí e São Roque, trouxe famílias que começaram a produzir vinho de mesa, aquele da garrafa sem rótulo que aparecia nos almoços de domingo.
O salto de qualidade veio nas últimas duas décadas. Produtores investiram em tecnologia, pesquisa e, principalmente, em entender e mapear o clima das diferentes regiões do estado. Porque produzir vinho fino em região tropical não é tarefa das mais simples: tem chuva demais no verão, tem calor demais o ano todo. Foi aí que entrou uma solução bem brasileira para o problema.
O truque da dupla poda que mudou tudo
O segredo dos vinhos paulistas tem um nome técnico: dupla poda. Parece coisa de agrônomo, mas é simples de entender e é o que faz a diferença na taça.
Normalmente, a videira brota na primavera e as uvas são colhidas no verão. Aqui, inverteram o ciclo. A primeira poda acontece no verão, a segunda no inverno. Com isso, as uvas amadurecem justamente nos meses secos e frios do ano, entre junho e agosto quando as noites são mais frias, os dias são de sol e há pouca chance de chuvas. É nesse período que a uva ganha cor, concentra sabor e mantém a acidez (aquele frescor que faz diferença quando você vai tomar o vinho).
Foi por isso que os rótulos paulistas começaram a ganhar medalhas lá fora. Os “vinhos de inverno”, como são reconhecidos, têm uma qualidade que chamou atenção de sommeliers e críticos internacionais.
Cinco rotas, cada uma com sua cara
O projeto Rotas do Vinho organizou tudo em cinco roteiros: Circuito das Frutas, Bandeirantes, Alto Mogiana, Alto da Mantiqueira e Serra dos Encontros. Cada um tem sua personalidade.
Circuito das Frutas e Rota Bandeirantes
São as mais próximas da capital, perfeitas para um fim de semana sem complicação. Jundiaí, Itatiba e São Roque são lugares que dá para ir e voltar no mesmo dia, se quiser. Aqui você encontra desde vinícolas grandes, com estrutura completa para receber grupos, até adegas pequenas de família, onde o dono ainda mostra a produção e conta a história dos avós italianos.
O ambiente é mais colonial, mais rural. Tem propriedade que produz fruta, hortaliça e vinho no mesmo terreno. É comum sair da degustação e comprar geleia, mel e outros quitutes que estiverem na época.
Conheça o Circuito das Frutas
Conheça a Rota Bandeirantes
Alto da Mantiqueira e Serra dos Encontros
A altitude muda tudo. Nessas rotas de serra, o ar é mais fresco, a paisagem mais dramática: tem vale, tem vista, tem aquela sensação de estar longe de tudo. O terroir de montanha deixa os vinhos mais elegantes e com acidez mais presente.
É para quem quer combinar a degustação com o visual. Tem vinícola com vista para a Mantiqueira que vale o passeio só pela paisagem.
Conheça a rota do Alto da Mantiqueira
Conheça rota da Serra dos Encontros
A região do Alto Mogiana é a aposta para o futuro. Produtores mais novos, testando o que funciona em cada pedaço do interior, adaptando a dupla poda aos microclimas locais. Quem gosta de descobrir vinícolas antes de todo mundo ir, esse é o lugar.
Vinho, queijo, almoço e hospitalidade
O enoturismo paulista não se resume em provar o vinho e ir embora. As vinícolas oferecem experiências completas: visita ao vinhedo na época da colheita, tour pela produção, workshop de harmonização e até almoço na propriedade.
E tem uma coisa que faz diferença: a integração com outros produtores regionais. As Rotas do Vinho estão ligadas a projetos como o Sabor de SP e as Rotas do Queijo. Na prática, isso significa que você pode harmonizar um vinho paulista com um queijo artesanal feito ali mesmo, com charcutaria de produtores da região, com o que for plantado e colhido naquela fazenda. É uma cadeia inteira funcionando.
Tem vinícola que serve almoço “da fazenda para a mesa” (conceito que ficou muito badalado no exterior como “farm to table”). A salada é da horta, o queijo é do vizinho, o vinho é dali mesmo.
O tom é acolhedor. Tem opção para casais que querem um fim de semana romântico, para grupos de amigos que buscam celebrar ao memorável, para famílias que querem um passeio diferente. São espaços onde todo mundo se sente bem-vindo, conhecendo muito ou pouco sobre a bebida.
Cada vinícola tem seus horários e suas opções de visita diferentes. Tem lugar que oferece só degustação simples, tem lugar que proporciona um jantar harmonizado, tem lugar que dá aula. O mapa interativo está no site rotasdovinho.sp.gov.br: o que cada propriedade oferece, como agendar, o que mais é possível conhecer na região.
Dá para montar um roteiro de um dia ou esticar o fim de semana ou um feriado prolongado, dependendo da rota. O Circuito das Frutas e a Rota Bandeirantes são os mais práticos para bate e volta. As rotas de serra pedem mais tempo, até porque a estrada já faz parte do passeio.
O importante é ir sem pressa. Porque a graça está justamente em desacelerar, provar com calma, conhecer quem produz, entender a história daquele lugar. São Paulo tem essa surpresa guardada: vinícolas premiadas, paisagens bonitas e uma hospitalidade que faz você querer voltar.
Saiba mais sobre as Rotas do Vinho de São Paulo, acesse visitesaopaulo.com.

