Depois de o chamado “DNA de salmão” ganhar espaço em produtos e procedimentos de beleza, a sardinha começa a aparecer como a mais nova aposta do skincare nas redes sociais. A tendência, batizada de “sardine skincare”, acompanha o movimento de valorização de ativos de origem marinha e chama atenção pela promessa de incorporar à rotina de cuidados substâncias associadas a benefícios para a pele.
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Mais do que a origem do componente, a popularização do peixe expõe um comportamento que se tornou recorrente no universo da beleza: a ascensão de um novo ativo capaz de despertar curiosidade e alimentar a busca por resultados como firmeza, luminosidade e aparência mais jovem. A velocidade com que essas tendências se espalham, no entanto, nem sempre acompanha o tempo necessário para que seus efeitos sejam avaliados cientificamente.
Para o cirurgião plástico facial Yuri Moresco, a popularidade de fórmulas com propostas inusitadas reflete uma transformação no consumo de cosméticos, mas também exige atenção aos critérios usados para avaliar sua eficácia.
“Existe uma fascinação natural pelo que é novo e diferente, principalmente quando o ingrediente vem acompanhado de uma narrativa de inovação. Mas, na dermatologia e na cirurgia plástica, não podemos avaliar um tratamento apenas pelo ingrediente que está na embalagem. É preciso entender sua concentração, formulação, mecanismo de ação, segurança e, principalmente, quais evidências existem sobre aquele produto ou procedimento”, explica.
O que está por trás do apelo marinho
Substâncias provenientes de organismos marinhos já fazem parte da indústria cosmética e podem ser encontradas em formulações voltadas para hidratação, proteção e aparência da pele. A presença desses componentes, portanto, não é uma novidade por si só.
A questão está em separar o potencial de uma substância de um resultado comprovado no uso cosmético. Um ativo pode apresentar características interessantes em determinadas condições sem que isso signifique que qualquer produto que o contenha terá efeito antienvelhecimento.
“Um ingrediente pode ser interessante do ponto de vista biológico e ainda assim não significar que qualquer produto que o contenha terá efeito antienvelhecimento. A formulação completa, a forma de aplicação e a capacidade daquele ativo de chegar ao local onde deve atuar fazem toda a diferença”, afirma Yuri.
O mesmo cuidado vale para procedimentos estéticos. Técnicas voltadas ao estímulo de colágeno, à melhora da textura ou à recuperação de volume podem ganhar visibilidade rapidamente, mas a popularização de uma proposta não substitui a avaliação sobre segurança e eficácia.
Sardinha na pele? O que está por trás da nova tendência de skincare
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A busca pelo próximo ativo viral
A ascensão da sardinha acompanha uma mudança no comportamento de quem consome produtos de beleza. Além dos cuidados básicos, parte do público passou a buscar fórmulas com componentes específicos e histórias capazes de diferenciá-las em um mercado cada vez mais disputado.
Nesse cenário, o ingrediente se transforma também em ferramenta de comunicação. Quanto mais incomum a proposta, maior pode ser a curiosidade despertada nas redes, especialmente quando o conteúdo vem acompanhado de promessas relacionadas à aparência da pele.
Para Moresco, uma rotina eficiente não depende necessariamente de fórmulas incomuns ou de uma longa lista de produtos.
“Uma rotina de cuidados não precisa ser exótica para ser eficiente. Fotoproteção, hidratação adequada e ativos com evidência científica continuam sendo pilares importantes. Quando existe uma queixa específica, o ideal é buscar avaliação profissional para entender o que realmente precisa ser tratado”, destaca.

