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setembro 30, 2026
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Saúde mental ganha ênfase nas escolas; conheça iniciativas

Por · setembro 30, 2026
Saúde mental ganha ênfase nas escolas; conheça iniciativas


Em meio às cobranças acadêmicas e às mudanças próprias da adolescência, cuidar da saúde emocional também passou a fazer parte da rotina escolar. Durante o Setembro Amarelo, mês de prevenção do suicídio, escolas criaram ações para fomentar esta discussão junto a crianças e adolescentes. Mas o cuidado está presente o ano todo.
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Na Start Anglo Bilingual School, no Recreio, a estratégia passa por livros, atividades de convivência e formas de acompanhar como os alunos estão se sentindo. O tema é inserido em atividades que fazem parte da rotina escolar. Os alunos frequentam a biblioteca diariamente e, durante este mês, analisam livros que abordam sentimentos e relações.
Em uma turma do 2º ano do ensino fundamental, por exemplo, a leitura de um livro sobre abraços inspirou uma campanha de “abraços grátis”, com os estudantes oferecendo o gesto de afeto a pessoas da comunidade escolar. No dia a dia, a Start também procura reforçar palavras de incentivo diante de pequenas conquistas, como forma de estimular a autoestima.
Professores, inspetores e demais funcionários são orientados a perceber mudanças no comportamento dos alunos, como isolamento e alterações nas relações ou no desempenho. A escola usa um sistema de identificação emocional para os estudantes sinalizem como se sentem.
— É uma espécie de semáforo em que a própria criança ou adolescente sinaliza como está se sentindo naquele dia. É algo muito pessoal e discreto; ela se sinaliza ali e apenas o adulto da sala consegue ver como está emocionalmente naquele momento. A partir dessas informações, a escola vai acompanhando e gerando dados sobre o estado emocional dos alunos — explica Kassula Correa, diretora da Start Anglo.
Abraços grátis: alunos do 8º ano da Start Anglo participam de ação
Divulgação/Thais Soares
Sentir-se triste, frustrado, deprimido ou desmotivado é normal. Quando estas emoções persistem ou se instalam repentinamente, porém, a situação exige atenção. Não por acaso, Cristiane Cristo, psicopedagoga e diretora pedagógica da Start, afirma que esse monitoramento é fundamental.
— As crianças e os adolescentes nem sempre conseguem dizer que estão sobrecarregados. Muitas vezes, mostram isso pelo comportamento. Por isso, pais e escola precisam observar mudanças, padrões que fogem ao daquele aluno — explica.
Na Rio International School (RIS), os estudantes protagonizam dinâmicas que refletem amizade, escuta e cuidado. As ações do Setembro Amarelo foram construídas com participação direta dos alunos. A iniciativa partiu do Conselho de Liderança Estudantil, que passou a discutir formas de envolver os estudantes nas atividades de conscientização.
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Giovanna Tocci, aluna do 3º ano do ensino médio e líder do conselho, ajudou a organizar uma série de dinâmicas. Entre elas estava uma atividade de abraços, em que os participantes sorteavam papéis com sugestões como “abrace alguém com quem você nunca conversou” ou “abrace alguém que você admira”, e o “Kindness wall”, um mural de post-its com mensagens positivas e de incentivo.
A escolha de atividades mais simples foi proposital, já que, para Giovanna, falar diretamente sobre temas delicados pode ser difícil, especialmente entre os adolescentes. Gestos cotidianos podem ser uma primeira aproximação para quem passa por um momento difícil, diz.
— Tenho ansiedade, então entendo mais ou menos como é a sensação de não saber falar o que se está sentindo e, às vezes, só precisar de um abraço ou de uma palavra. Aí pensei: “Por que não levar isso para os alunos?”. Então, a gente desenvolveu dinâmicas. Não precisamos esperar alguém pedir ajuda para darmos cuidado — afirma.
A estudante acredita que colegas podem funcionar como uma ponte para a ajuda desde que saibam reconhecer seus próprios limites. Na prática, isso pode significar ouvir um amigo, perguntar como ele está e, se necessário, procurar um adulto de confiança.
— Às vezes, o que a pessoa mais precisa não é nem da sua opinião, só de alguém para ouvi-la.
Respiração e conselhos
No Colégio Estadual Carlos Lacerda, na Taquara, as ações de saúde emocional são desenvolvidas ao longo de todo o ano, dentro do projeto “Todos somos iguais com as nossas diferenças”. Entre as iniciativas está uma dinâmica com as turmas de 1º ano, em que os alunos compartilham anonimamente algum problema que enfrentam e aconselham uns aos outros sobre os problemas sorteados. O objetivo da dinâmica é colocar para fora o que estão sentindo e se sentirem acolhidos dentro do espaço escolar.
A escola também conta com uma psicóloga voluntária, que atende os alunos quando necessário. Em situações de ansiedade, a diretora Cristiane Dias também realiza exercícios de respiração com as turmas.
— Eu gosto que eles me chamem de tia Cris porque eles se sentem mais próximos de mim. Eu separo um tempo para sentar com aquele aluno, conversar, e eles me pedem conselhos. Nisso, eu vou anotando e observando — diz Cristiane.
Por que prevenir
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o suicídio é a terceira principal causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos nas Américas, e a taxa aumentou 38% na região entre 2000 e 2021. Por muito tempo, o tema foi tabu. A psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa explica, diz, porém, que é preciso afastar dois equívocos recorrentes: de que falar sobre suicídio pode levar à prática e o de que uma pessoa em sofrimento sempre dará sinais explícitos. Uma abordagem correta do assunto, afirma, pode salvar vidas.
— Falar sobre prevenção de forma responsável não incentiva o suicídio, ao contrário, pode abrir uma porta para a escuta e para o cuidado— afirma. — E não existe um sinal isolado capaz de prever uma crise. O que exige atenção é a combinação de mudanças persistentes, sofrimento intenso, isolamento, desesperança e perda de funcionamento na vida cotidiana.
Ela lembra também que é importante divulgar o trabalho do Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e 24 horas pelo telefone 188, além de atender também por chat e e-mail.
*Esta matéria foi publicada no Especial Educação do GLOBO-Barra em 27/09
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