O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta sexta-feira que a ordem do presidente americano, Donald Trump, para iniciar testes de armas nucleares foi uma medida “responsável”. A diretiva surpresa do republicano, anunciada na quinta-feira, provocou críticas globais e pedidos de contenção, e elevou as tensões entre as potências mundiais.
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— Precisamos de uma dissuasão nuclear credível. Essa é a base da nossa dissuasão — disse Hegseth, em viagem a Kuala Lumpur. — Ter conhecimento e retomar os testes é uma forma bastante responsável, muito responsável, de alcançar esse objetivo.
Trump anunciou a retomada de testes nucleares pouco antes de um encontro na Coreia do Sul com o líder chinês, Xi Jinping, na quinta-feira. A medida foi anunciada após o líder russo, Vladimir Putin, revelar que Moscou testou com sucesso um drone submarino de propulsão e com capacidade nuclear e um míssil com alcance “ilimitado”. O republicano afirmou que a retomada dos testes — que, se confirmados, seriam os primeiros desde 1992 — eram uma resposta a medidas de outros países.
“Por causa dos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a iniciar os testes de nossas armas nucleares em igualdade de condições”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
A declaração de Hegseth nesta sexta-feira veio após uma reunião com o ministro da Defesa da China, Dong Jun. Pequim afirmou que a autoridade transmitiu ao americano uma mensagem sobre a necessidade dos dois países construírem “confiança” e eliminarem “incertezas”. Também pediu que “os dois Exércitos explorem a maneira correta de se relacionar”. O Ministério das Relações Exteriores chinês já havia pedido respeito ao Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares na quinta-feira.
Estatísticas do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri) apontam que a Rússia possui o maior arsenal nuclear do mundo, com 4.309 ogivas implantadas ou armazenadas. O mesmo instituo aponta que os EUA possuem 3.700 ogivas, e a China, 600. Em sua mensagem na quinta, Trump disse que Washington teria o maior arsenal, com Moscou em segundo.
Ainda na quinta-feira, Moscou reagiu às declarações de Trump, afirmando que “agirá de acordo”, caso os EUA violem os acordos de não teste e proliferação nuclear.
O Irã criticou nesta sexta-feira o anúncio de Trump, classificando-o como uma medida “irresponsável” e “uma ameaça à paz e à segurança internacionais”. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, referiu-se a Trump como “um bandido armado com armas nucleares” que “demonizou o programa nuclear pacífico do Irã”.
Um grupo de sobreviventes japoneses da bomba atômica, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, criticou duramente Trump por ordenar a retomada dos testes de armas nucleares, que considerou “totalmente inaceitável”. Mais de 200 mil pessoas morreram quando os EUA lançaram duas bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki — a única vez em que tais armas foram usadas em um conflito.
O grupo japonês Nihon Hidankyo, formado pelos sobreviventes, enfrentam há décadas traumas físicos e psicológicos, enviou uma carta de protesto à embaixada dos EUA em Tóquio, depois que Trump ordenou, na quinta-feira, a retomada dos testes.
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“[A diretriz de Trump] contradiz diretamente os esforços de nações em todo o mundo que buscam um mundo pacífico sem armas nucleares, e é totalmente inaceitável”, afirmou o grupo de sobreviventes na carta.
O prefeito de Nagasaki, Shiro Suzuki, também condenou a ordem de Trump, que, em sua opinião, “pisoteia os esforços de pessoas em todo o mundo que suaram sangue e derramaram lágrimas para alcançar um mundo sem armas nucleares”.
A Hidankyo, um movimento de hibakusha, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2024 e, ao aceitar o prêmio, apelou a todos os países para que eliminem seus arsenais nucleares. (Com AFP)
