A seleção de futebol do Irã embarcou neste sábado da Turquia rumo ao México para disputar a Copa do Mundo de 2026, em meio a uma disputa pública provocada pela negativa dos Estados Unidos em conceder vistos a vários integrantes de sua delegação.
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O avião que leva o Team Melli saiu de Antalya e tem chegada prevista ao México na madrugada de domingo. A seleção ficará baseada em Tijuana, cidade mexicana na fronteira com os Estados Unidos, depois de transferir seu campo-base inicialmente planejado para Tucson, no Arizona.
No contexto da guerra no Oriente Médio, a participação iraniana no Mundial chegou a ser colocada em dúvida nos últimos meses. A tramitação dos vistos também se arrastou, até que o embaixador dos Estados Unidos na Turquia, Tom Barrack, anunciou na sexta-feira que os documentos haviam sido concedidos aos jogadores e “ao pessoal de apoio necessário” para que pudessem entrar em território americano.
O Irã fará seus três jogos da fase de grupos nos Estados Unidos, em Los Angeles e Seattle. Mas, segundo o embaixador iraniano no México, Abolfazl Pasandideh, a equipe terá de entrar e sair dos EUA no mesmo dia das partidas.
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— Podem entrar pela manhã e no mesmo dia têm que sair — afirmou Pasandideh em entrevista coletiva em Tijuana, segundo a tradução oficial do farsi para o espanhol.
O diplomata disse ainda que 15 integrantes da delegação não receberam visto. Segundo ele, a maioria é formada por dirigentes e membros da comissão técnica, o que representará um “desafio” para a seleção.
A embaixada do Irã na Turquia já havia criticado a situação em publicação na rede social X.
— Por que não dizem que os vistos foram negados a uma grande parte do pessoal diretivo e executivo, aos assessores técnicos e a outras pessoas que fazem parte integral de qualquer seleção nacional de futebol? — questionou a missão diplomática.
Na mesma mensagem, a embaixada afirmou que o “tratamento discriminatório” contra a equipe iraniana havia sido levado “ao seu nível mais alto”.
Segundo veículos iranianos, entre eles o site esportivo Varzesh3, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, não obteve visto.
Um funcionário do governo americano confirmou neste sábado que foram concedidos “os vistos necessários para a participação do Irã na Copa do Mundo, incluindo os atletas e o pessoal técnico indispensável”.
— Não deixaremos que a equipe iraniana abuse deste sistema para fazer terroristas entrarem clandestinamente nos Estados Unidos, sob falsos pretextos — acrescentou o funcionário, sem dar mais detalhes.
O Irã foi uma das primeiras seleções classificadas para a Copa de 2026, mas sua presença no torneio esteve sob incerteza desde o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o país, em 28 de fevereiro.
A estreia iraniana está marcada para 15 de junho, em Los Angeles. A cidade também receberá o duelo contra a Bélgica, seis dias depois, em 21 de junho. O encerramento da fase de grupos será em 26 de junho, contra o Egito, em Seattle.
Pasandideh afirmou que os deslocamentos da delegação entre Tijuana e os Estados Unidos poderão ser feitos em avião privado ou por terra, a depender das orientações da Fifa.
Durante a preparação na Turquia, o Irã disputou dois amistosos e venceu ambos: primeiro, bateu Gâmbia por 3 a 1, em 29 de maio; depois, derrotou Mali por 2 a 0, na quinta-feira, 4 de junho.
Horas após confirmar que permitiria a entrada dos jogadores iranianos, os Estados Unidos anunciaram novos ataques contra o país, apesar do cessar-fogo teoricamente em vigor desde 8 de abril.
