O grupo de 60 cardeais que se reuniu nesta nesta terça-feira do Vaticano para decidir os próximos passos após a morte do Papa Francisco decidiu nomear três auxiliares para ajudar o Camerlengo, Kevin Joseph Farrell, enquanto o Trono de São Pedro está vazio. Cardeais devem se revezar nesta função auxiliar até que seja realizado o conclave, que ainda não tem data definida. Além de anunciarem o cronograma detalhado com os próximos passos do funeral papal, os religiosos também estabeleceram que todos os processos de beatificação foram suspensos até a escolha do próximo Bispo de Roma.
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Após a morte de um Papa, tem início um período conhecido como Sé Vacante, que termina quando um novo Pontífice é eleito pelo Colégio de Cardeais, o conclave. Essa é uma das hipóteses em que o Camerlengo — que significa “funcionário da câmara do soberano” (em tradução livre) — assume a administração dos assuntos correntes do Vaticano (também o faz quando o Pontífice está internado ou em viagem).
Os cardeais determinaram que o secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin; o cardeal polonês Stanisław Ryłko, arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, onde Francisco será sepultado; e o cardeal Fabbio Baggio, alto funcionário do escritório de desenvolvimento e migração do Vaticano, ficarão responsáveis por auxiliar Farrell em sua missão. Eles também determinaram um sistema de rodízio, em que os auxiliares serão substituídos de três em três dias.
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Enquanto o camerlengo fica responsável por questões administrativas, os cardeais se envolvem nas questões políticas ligadas à sucessão do Pontífice e aos próximos passos da Igreja Católica. Os cardeais são convocados para as reuniões pré-conclave, como a desta terça-feira, que definem as datas e todos os detalhes do processo.
O conclave deve acontecer entre 15 e 20 dias após a morte do Papa, mas os cardeais ainda não estabeleceram a data de início, que não deve ser antes de 5 de maio.
A decisão de adiar beatificações afeta imediatamente a canonização previamente planejada do primeiro santo milennial, Carlo Acutis, que aconteceria no domingo.
Acutis, que morreu em 2006 aps 15 anos, vítima de leucemia, usava a internet como ferramenta de evangelização, criando uma exposição digital sobre os milagres eucarísticos. Esse trabalho lhe rendeu apelidos como “ciberapóstolo” e “Geek de Deus”. Em 2020, foi beatificado após o reconhecimento do primeiro milagre: a cura de um menino brasileiro com uma malformação rara no pâncreas, atribuída à intercessão do jovem.
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O segundo milagre, condição necessária para a canonização, foi a cura de uma estudante costa-riquenha que sofreu um grave acidente. Com a confirmação do milagre pelo Papa, Carlo tornou-se apto a ser oficialmente declarado santo.
Seu corpo, exposto desde 2022 no Santuário da Despojamento, em Assis, atrai milhares de peregrinos comovidos, que se surpreendem com o estado de conservação, resultado de técnicas de embalsamamento.
