Quase 183 mil tartarugas-gigantes vivem livremente no atol de Aldabra, nas Seychelles, no Oceano Índico, segundo um levantamento conduzido pela Seychelles Islands Foundation (SIF) em parceria com a Universidade de Exeter, no Reino Unido. A estimativa, considerada a maior já registrada para a espécie, supera a população humana do país, de cerca de 135 mil habitantes, e representa um marco para a conservação desses répteis.
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Publicado em setembro na revista científica Ecology and Evolution, o estudo analisou cinco anos de dados de monitoramento, coletados entre 2018 e 2022. Os pesquisadores estimaram uma população de aproximadamente 180 mil indivíduos, com uma estimativa mais precisa de 182.424 animais, principalmente adultos e subadultos. Os números indicam que a população permaneceu relativamente estável durante o período analisado.
O levantamento também representa a primeira estimativa abrangente de toda a população de tartarugas do atol com métodos estatísticos capazes de considerar os animais que não foram avistados durante as contagens. A referência anterior, amplamente citada pelos pesquisadores, era de cerca de 100 mil indivíduos, com base em levantamentos realizados no fim da década de 1990.
De menos de mil animais à recuperação
A população de tartarugas-gigantes-de-Aldabra (Aldabrachelys gigantea) sofreu uma redução drástica no século XIX, quando a exploração humana deixou menos de mil indivíduos na região. A espécie foi intensamente capturada ao longo dos séculos, principalmente para servir de alimento a marinheiros.
A recuperação foi favorecida por medidas de proteção ambiental. O atol de Aldabra tornou-se uma reserva natural de proteção rigorosa em 1981 e foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1982.
O resultado do novo levantamento é considerado um exemplo importante de recuperação da fauna por meio de esforços de conservação de longo prazo. Aldabra abriga a maior população de tartarugas-gigantes em vida livre do mundo. A outra população remanescente desse grupo vive nas ilhas Galápagos, no Equador.
Mudanças climáticas ameaçam a espécie
Apesar do resultado positivo, os pesquisadores alertam que a população continua sujeita a ameaças. O aumento da duração e da frequência das secas pode reduzir a disponibilidade de alimento e de áreas sombreadas, essenciais para os animais. A elevação do nível do mar também representa um risco para as partes mais baixas do atol.
Outro problema é a presença de mamíferos invasores, como gatos ferais e ratos-pretos, que podem atacar ovos e filhotes de tartaruga. Segundo os autores do estudo, a eliminação desses animais pode favorecer o crescimento da população e aumentar sua capacidade de resistir às pressões ambientais.
Para os pesquisadores, a nova estimativa estabelece uma referência mais confiável para acompanhar a evolução da espécie nas próximas décadas. O monitoramento contínuo será fundamental para identificar mudanças na população e orientar medidas de proteção antes que as ameaças comprometam a recuperação alcançada.
