O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, Sidônio Palmeira, vai tirar férias a partir da próxima segunda-feira para se dedicar exclusivamente à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorre em meio a cobranças internas por mudanças na estratégia petista após o resultado do primeiro turno. Embora já participasse do planejamento eleitoral e mantivesse interlocução direta com Lula, Sidônio passará a concentrar sua atuação na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).
O afastamento ocorre após Flávio terminar o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente. O desempenho ampliou as críticas de dirigentes do PT à comunicação da campanha e levou a equipe a rever a estratégia para as duas semanas que antecedem o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Sidônio, que comandou a campanha vitoriosa de Lula em 2022, esteve entre os principais alvos das cobranças.
A informação foi publicada inicialmente pelo Estadão e confirmada pelo GLOBO com fontes que acompanham a campanha. Procurada, a Secom não respondeu até a publicação desta reportagem.
Uma das apostas petistas nesta reta final é reforçar o discurso sobre os riscos de uma eventual vitória de Flávio, associando o adversário à possibilidade de cortes em programas sociais e perda de direitos trabalhistas. A estratégia de explorar o medo do eleitorado passou a ocupar espaço tanto no horário eleitoral quanto nos discursos públicos de Lula. Em agendas de campanha, o presidente tem questionado a promessa do senador de cortar R$ 200 bilhões em despesas públicas e sugerido que a redução de gastos atingiria principalmente a população mais pobre.
Na televisão, a campanha também intensificou os ataques a Flávio, explorando o caso Banco Master e as posições do senador sobre a Previdência e o fim da escala 6×1. O candidato do PL, por sua vez, tenta rebater as críticas com promessas de manter e reajustar o Bolsa Família, além de preservar o Minha Casa Minha Vida e o Farmácia Popular.
Além da ofensiva contra o adversário, a equipe de Lula busca ampliar a presença do presidente nas redes sociais. Entre as mudanças está a participação do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que sugeriu uma comunicação mais direta com os eleitores, por meio de vídeos gravados pelo próprio Lula, no formato de selfies. A orientação já começou a ser adotada pelo presidente, que passou a publicar conteúdos mais informais durante as agendas de campanha.
O publicitário Otávio Antunes, responsável pela campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, também passou a integrar o núcleo de comunicação ao lado de Raul Rabelo, responsável pelo marketing eleitoral. Também foram incorporados Rafael Marroquim, que trabalhou na campanha de João Campos, e Bruno Monteiro, que atuou na reeleição do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
A reorganização da campanha também atingiu a coordenação política. O senador Camilo Santana (PT-CE) passou a dividir a coordenação-geral com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, até então responsável sozinho pela função. Camilo assumiu a articulação política, enquanto o ex-ministro Rui Costa ficou encarregado da agenda de viagens de Lula. As mudanças ocorreram após o próprio presidente manifestar insatisfação com a organização da campanha no primeiro turno.
— Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989 — afirmou o presidente, em reunião na última quarta-feira.
Sidônio tira férias do governo para se dedicar exclusivamente à campanha de Lula no segundo turno
