A Skala Cosméticos e a Lola From Rio estão dando as mãos. A união das duas fabricantes de cosméticos veganos para cuidado dos cabelos — a primeira atuando na base da pirâmide; a segunda, no topo — ficará sob o chapéu da Advent International, gestora de private equity e controladora da Skala.
O valor da transação não foi revelado. Juntas, as duas empresas — que seguirão operando separadamente — somarão perto de R$ 2 bilhões em faturamento, estando em mais da metade (54%) dos lares do país. Desse montante total, uma fatia de aproximadamente R$ 1,35 bilhão vem da Skala; o restante, da Lola.
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— A gente tinha um plano de investimento muito robusto na Skala, que está indo muito bem, e investiu em infraestrutura, em times e internacionalização. Ela virou a marca número um em volume, em litros vendidos, no mercado brasileiro — diz Rafael Patury, sócio da Advent à frente dos investimentos em consumo na América Latina. — A gente já tinha conversa com a Lola de longa data e acabou tendo essa ideia de juntar forças para capturar esse potencial de crescimento tanto no Brasil quanto fora.
Já está em campo um plano de expansão de produção e produtividade, estrutura de distribuição e logística, além de sinergias que permitam uma marca aprender com a expertise da outra.
Patury explica que a Advent definiu o setor de beleza como prioridade há sete anos. Desde então, soma cinco investimentos na área globalmente. Fundos sob sua gestão investiram na Olaplex, de saude capilar (que passou por um IPO em 2021), criaram a Orveon, que reúne as marcas de cosméticos bareMinerals, Buxom e Laura Mercier, e ingressaram na fabricante francesa de perfumes Parfums de Marly.
No Brasil, foram entre quatro e cinco anos de prospecção até a transação com a Skala. O interesse da Advent — que soma US$ 91 bilhões em ativos sob sua gestão, sendo 25% em consumo — em beleza no país não é à toa.
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O Brasil é o terceiro maior mercado global em cuidados com o cabelo, atrás apenas de Estados Undos e China, segundo dados da consultoria Euromonitor International. No ano passado, movimentou R$ 32,3 bilhões, 14,1% mais que em 2023, com a estimativa de alcançar R$ 44,3 bilhões em 2029.
A Advent adquiriu o controle da Skala em fevereiro do ano passado. Criada em meados dos anos 1980 em Uberaba, a empresa conta hoje com uma fábrica na cidade mineira, onde há também um centro de distribuição (CD). A gestora anunciou este ano a construção de uma nova unidade fabril em Uberaba, acompanhada ainda de um CD no Nordeste, somando R$ 150 milhões em investimento.
Desde a compra pela Advent, a Skala ampliou em 25% sua produção, hoje perto de 20 milhões de unidades por mês. A nova fábrica tem inauguração prevista para 2027.
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— O terreno já foi negociado com a prefeitura e está em processo de documentação. Vai permitir ampliar nossa capacidade produtiva em 60%. E, em função do crescimento no Brasil e pela relevância da região Nordeste, estamos olhando alternativas para ter um CD por lá — conta Luis Delfim, presidente da Skala.
Há um par de meses, a empresa inaugurou um CD no Texas, nos EUA, com um operador logístico local. A internacionalização é vista como um dos motores de crescimento para as duas marcas, frisa Patury:
— Algumas marcas brasileiras foram um pouco mais inovadoras, elas criaram modelos de negócio baseados na consumidora brasileira, usando a beleza brasileira como ativo. Como investidor, a gente acredita que isso é super exportável, porque se está exportando a beleza brasileira para fora do Brasil.
Quando a Skala teve o controle comprado pela Advent, exportava para 40 países. Agora são 82. O peso das vendas para o exterior dobrou no faturamento, superando os 20%. E o CD americano deve colaborar para impulsionar esse fluxo.
— Os EUA são um foco importante nosso. Mais ou menos 60% das americanas ou são negras ou são latinas ou tem cabelo cacheado. Então é um mercado muito parecido com o brasileiro, e ter um produto que é adequado para essa consumidora faz muita diferença — argumenta Patury.
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Como a produção é feita no Brasil, essa estrutura nos EUA não isenta Skala e Lola das tarifas sobre importados determinadas pelo presidente Donald Trump. Mas permite ampliar a gama de produtos oferecida no mercado americano, com maior agilidade em distribuição.
O CD texano vai também ser utilizado para impulsionar as vendas da Lola from Rio lá fora. A marca carioca, fundada em 2011, foi uma das primeiras veganas no país. Fez fama com produtos inicialmente dedicados a pessoas de cabelos crespos e cacheados, sempre em embalagens coloridas e com nomes curiosos como o de um dos carros-chefes, o Morte Súbita — que promete acabar com “cabelos secos e detonados sem ter dó nem piedade”.
A Lola tem sua fábrica em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. De lá saem perto de 4 milhões de unidades por mês, havendo capacidade livre para dobrar esse volume, destaca Pedro Taguchi, diretor de Operações da Lola.
Os executivos sublinham que parte do impulso aos negócios, uma vez unidos, virá do compartilhamento de boas práticas em produção, exportação, logística e desenvolvimento de produtos. A Skala tem crescido a um ritmo de 30% ano ano, segundo Delfim, tendo avançado 35% nos três primeiros meses de 2025, contra janeiro a março do ano passado.
A Lola, que já vende seus produtos para 40 países, também tem evolução acelerada.
— O ano passado foi um ano em que o nosso carro-chefe, o Morte Súbita, foi superado pelo Rapunzel (para reduzir queda e estimular o crescimento dos fios). A gente mais que dobrou o faturamento de exportação e fechou o ano com 80% de crescimento. No primeiro trimestre deste ano, crescemos 25% (ante a igual período de 2024) — diz Taguchi.
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A união da empresa com a Lola depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A partir da chancela do regulador da concorrência no país, o grupo terá um novo nome, mantendo as duas marcas de beleza.
Dione Vasconcellos, Jaqueline Vasconcellos e Milton Taguchi, fundadores da Lola, vão integrar o conselho de administração do novo grupo que terá Delfim, da Skala, como CEO.
O aporte na Lola não foi divulgado, mas vai sair do fundo da Advent para investimentos na América Latina, de US$ 2 bilhões em recursos.

