Na noite deste domingo (20), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) gravou um vídeo para comentar a decisão do STF que impôs medidas cautelares contra Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Ao criticar o pedido de condenação da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ex-presidente, Nikolas disse que a pena máxima prevista, de 43 anos de prisão, não seria razoável “só porque tem aí vários indícios, possibilidades, de golpe”.
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Nos últimos dias, Nikolas Ferreira vinha sendo bastante pressionado pela base bolsonarista para se manifestar sobre a recente operação da PF contra Bolsonaro. No X, o jornalista Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura militar João Batista Figueiredo e que está foragido nos EUA, cobrou uma posição do deputado federal. Na própria sexta (18), Nikolas publicou uma crítica no X, dizendo que Lula nunca havia sido obrigado a usar tornozeleira durante seu julgamento.
Nikolas critica pedido de condenação de Bolsonaro: ‘Só porque tem vários indícios?’
Mas um vídeo mais contundente só foi gravado dois dias depois. Em uma fala de 14 minutos, o parlamentar concentrou críticas em Alexandre de Moraes e no governo Lula. Nikolas Ferreira afirmou que o ministro do Supremo tem “super poderes” e que o Brasil não vive uma democracia. Segundo ele, o PT já teria feito o mesmo que a família Bolsonaro faz agora, ao supostamente pedir retaliações externas com o objetivo de interferir no resultado de um julgamento do STF.
Em diversos momentos, o deputado diz que a pessoa “não precisa gostar do Bolsonaro” enquanto cita seus argumentos. Ele fez essa ponderação ao criticar o pedido de condenação da PGR, que acusa Jair Bolsonaro de cinco crimes no caso da tentativa de golpe de estado. As penas máximas desses crimes somam 43 anos.
— Então pera aí, você não precisa gostar do Bolsonaro não, mas po, falar comigo, pelo o que estão dizendo aí de possibilidade de condenação dele, que 43 anos de cadeia é algo razoável? Fazer isso daqui com uma pessoa só porque tem aí vários indícios, possibilidade de golpe — criticou Nikolas Ferreira, que antes reclamou da soltura de políticos condenados a corrupção, como Sergio Cabral. —Tivemos agora, na história recente do Brasil, corruptos com malas e malas de dinheiro na casa e o que aconteceu com esses caras? Nada.
O deputado também criticou as notícias sobre a apreensão de 14 mil dólares na casa de Bolsonaro, “como se fosse uma coisa absurda”, afirmou. Na sequência, o deputado do PL reproduziu o discurso típico bolsonarista de que os ataques de 8 de janeiro deveriam ser julgados como casos de vandalismo e que apenas uma arma foi apreendida.
— Claro que é errado quebrar, depredar, mas meter 17 anos em um cara que pegou bola do Neymar autografada? A Débora, que com um batom escreveu “perdeu mané” — apontou Nikolas. — Essas mesmas pessoas que usam a palavra democracia para aplicar penas desproporcionais vão até a casa do Bolsonaro e querem pintar nele um crime de golpe de estado. Golpe é lavar dinheiro, quebrar estatal, é desviar bilhões de reais. Golpe é um juiz que não teve uma caramba de um voto, que não é representante de ninguém, que não tem legitimidade para tomar decisões, tomar todas as decisões do Brasil. Ou você não sente isso? De que tudo o Alexandre de Moraes decide.
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Nikolas Ferreira também afirmou que a posição do governo Lula e do próprio STF, de que o tarifaço de Trump é um atentado à soberania nacional, seria “uma narrativa da esquerda”. O deputado ressaltou que “não há o que comemorar” com a medida do governo dos EUA, por causa dos impactos à economia nacional. Mas, na sua opinião, Trump está apenas decidindo sobre a política de importação do seu país.
— Está tomando uma decisão de como seu próprio país irá tratar a questão das importações. Então a narrativa de que isso estaria ferindo a soberania nacional é mais uma narrativa do PT e da esquerda — afirmou, no vídeo.
No trecho final, Nikolas voltou a criticar Alexandre de Moraes, reclamou de sua decisão sobre o decreto do IOF e disse que o Brasil não vive em uma democracia.
— Temos um juiz que tem superpoderes. Uma pessoa, Alexandre de Moraes, está desbalanceando nossa democracia — acusou Nikolas.