Mais de 800 presos colombianos foram deportados pelo Equador neste sábado, através de uma passagem fronteiriça terrestre, em meio a protestos do governo em Bogotá, que alega que a medida foi tomada sem acordo prévio. Na véspera, a Chancelaria colombiana apresentou uma nota de protesto a Quito por considerar que a deportação ocorreu de “maneira internacional”, “descumprindo” as leis internacionais.
— Foram deportadas mais de 800 PPL (pessoas privadas de liberdade) — disse a governadora da província equatoriana de Carchi, Diana Pozo, em entrevista coletiva na ponte fronteiriça de Rumichaca.
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Vigiados por dezenas de policiais e militares equatorianos, os detentos, vestindo uniforme laranja, precisaram fazer uma fila para regressar ao seu país. Durante a madrugada, alguns deles chegaram a fazer exercícios físicos para enfrentar o frio andino, enquanto gritavam “queremos passar”.
Uma fonte no governo de Carchi, que não quis se identificar, disse à AFP que na sexta-feira teve início a deportação de 870 presos colombianos, representando cerca de 60% de todos os detentos dessa nacionalidade em cárceres equatorianos.
— Realizamos um trabalho interinstitucional com as imigrações da Colômbia e do Equador para que esse processo seja ágil e que não haja problemas na ponte — afirmou Diana Pozo.
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Mesmo assim, as autoridades colombianas garantem que não foram notificadas.
— O problema é que, ao não sermos informados, não montamos um plano de contingência — disse o secretário de governo da cidade colombiana de Ipiales, Juan Morales, a primeira depois da fronteira. — Tivemos que criar algo de última hora para prestar apoio e atenção humanitária.
Segundo o prefeito da cidade, Amilcar Pantoja, serão recebidos ao menos 1.061 colombianos.
O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia indicou, em comunicado, que Quito deu início às deportações “não atendendo às respeitosas e reiteradas” solicitações feitas para que fosse criado um protocolo preliminar. O texto ainda chama a medida de “gesto não amistoso”. A chanceler interina, Rosa Villavicencio, foi mobilizada para a região.
Em resposta, a Chancelaria equatoriana disse, neste sábado, que as deportações foram anunciadas a Bogotá no dia 8 de julho, e que são realizadas “com respeito aos direitos humanos” e após revisão individual de cada caso, motivo pelo qual “rechaça a afirmação de uma suposta deportação coletiva”.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, expressou, ainda em 2024, seu desejo de deportar detentos colombianos para desafogar seu sistema prisional. Em abril, pequenos grupos já começaram a ser transportados pela fronteira. Contudo, o líder da Colômbia, Gustavo Petro, se disse contrário à medida, e indicou que deveria ser estabelecido um plano conjunto para que os direitos dos presos sejam respeitados.