Tailândia e Camboja entraram em confronto pelo terceiro dia neste sábado (26), enquanto o número de mortos em seus combates mais sangrentos em anos subiu para 33. Uma longa disputa de fronteira explodiu em um conflito intenso envolvendo jatos, artilharia, tanques e tropas terrestres na quinta-feira (24), levando o Conselho de Segurança da ONU a realizar uma reunião de emergência sobre a crise na sexta (25), em Nova York. Na ocasião, o embaixador do Camboja na ONU, Chhea Keo, pediu um “cessar-fogo imediato”.
- ‘Bomba-relógio’ e ‘Chernobyl’: usina nuclear erguida em zona sísmica fornece 40% da eletricidade da Armênia e é perigo iminente
- A7A5: lançada por oligarca, 1ª stablecoin ‘made in Russia’ ajuda Putin a ‘driblar’ EUA e sanções; veja como funciona
O Ministério da Defesa do Camboja informou que 13 pessoas foram confirmadas mortas nos conflitos, incluindo oito civis e cinco soldados, e 71 pessoas ficaram feridas. Na Tailândia, o exército informou que cinco soldados foram mortos na sexta-feira, elevando o número de mortos para 20 — 14 civis e seis militares. O número de mortos nos dois países agora é maior do que os 28 mortos na última grande rodada de conflitos, entre 2008 e 2011.
Ambos os lados relataram um confronto por volta das 5h (22h de sexta-feira, no horário de Brasília), com o Camboja acusando as forças tailandesas de disparar “cinco projéteis de artilharia pesada” em locais na província de Pursat, que faz fronteira com a província de Trat, na Tailândia. Os combates forçaram mais de 138 mil pessoas a serem evacuadas das regiões fronteiriças da Tailândia, com mais de 35 mil expulsas de suas casas no Camboja.
Após a reunião fechada do Conselho de Segurança em Nova York, o embaixador do Camboja na ONU, Chhea Keo, disse que seu país queria um cessar-fogo.
— O Camboja pediu um cessar-fogo imediato — incondicionalmente — e também pedimos uma solução pacífica para a disputa — disse ele aos repórteres.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Tailândia, Nikorndej Balankura, disse na sexta-feira, antes da reunião da ONU, que Bangkok estava aberta a negociações, possivelmente com o auxílio da Malásia.
— Estamos prontos. Se o Camboja quiser resolver esta questão por via diplomática, bilateralmente ou mesmo através da Malásia, estamos prontos para fazê-lo. Mas até agora não recebemos nenhuma resposta — disse Nikorndej à AFP.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/C/U/1Yf24GS1SRPW8X8JGVDg/111831796-a-cambodian-bm-21-multiple-rocket-launcher-returns-from-the-cambodia-thai-border-as-cambod.jpg)
- Reino Unido: novo estudo sugere que pedras de Stonehenge foram movidas por humanos, não por geleiras (ou alienígenas)
- Coca‑Cola de Trump? Entenda quem toma decisões dentro da empresa global
Atualmente, a Malásia ocupa a presidência do bloco regional da Associação das Nações do Sudeste Asiático, do qual Tailândia e Camboja são membros. O primeiro-ministro interino tailandês, Phumtham Wechayachai, alertou que, se a situação piorar, “ela poderá evoluir para uma guerra”.
Ambos os lados se culparam por atirar primeiro, enquanto a Tailândia acusou o Camboja de atingir a infraestrutura civil, incluindo um hospital atingido por projéteis e um posto de gasolina atingido por pelo menos um foguete. O Camboja acusou as forças tailandesas de usarem munições de fragmentação.
Na ONU, o enviado do Camboja questionou a afirmação da Tailândia de que seu país, que é menor e menos desenvolvido militarmente que seu vizinho, havia iniciado o conflito.
— (O Conselho de Segurança) apelou a ambas as partes para que (mostrem) a máxima contenção e recorram a uma solução diplomática. É isso que também pedimos — disse Chhea Keo.
Os combates marcam uma escalada dramática em uma longa disputa entre os vizinhos — ambos destinos populares para milhões de turistas estrangeiros — sobre a fronteira compartilhada de 800 quilômetros. Dezenas de quilômetros em diversas áreas foram disputados e conflitos ocorreram entre 2008 e 2011, deixando pelo menos 28 mortos e dezenas de milhares desabrigados.
Uma decisão do tribunal da ONU em 2013 resolveu a questão por mais de uma década, mas a crise atual eclodiu em maio deste ano, quando um soldado cambojano foi morto em um novo confronto.