Momentos de pânico e desespero marcaram o acidente que envolveu o Elevador da Glória, em Lisboa, nesta quarta-feira, que deixou 17 mortos e 21 feridos. Um passageiro que seguia no outro bonde, no sentido descendente, descreveu à imprensa local o terror vivido pelos ocupantes da composição que despencou.
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— Só entrei em pânico quando vi o outro elétrico a descer — confessou o homem ao Jornal de Notícias. — Disse à minha mulher: ‘vamos todos morrer’. Pensei que o outro elétrico vinha para cima deste. O que valeu foi a curva.
O sobrevivente relatou ainda que o veículo que despencou subiu apenas quatro ou cinco metros antes do acidente, momento em que se ouviu um estrondo e saiu fumaça preta.
— As pessoas que iam em pé caíram todas em cima das que vinham sentadas. Eu disse, calma, calma — contou.
Um menino alemão de três anos que foi resgatado dos escombros do ascensor da Glória está fora de perigo, apesar de ter machucados. A mãe está nos cuidados intensivos do Hospital de Santa Maria, já foi operada às duas pernas, tem fraturas do braço e fraturas da coluna dorsal e está estável, segundo a CNN Portugal.
O Ministério Publico de Portugal abriu um inquérito para investigar o acidente, enquanto o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, prestou solidariedade às famílias afetadas e decretou um dia de luto. Segundo o Itamaraty, até o momento, não há registro de vítimas brasileiras.
Especialistas explicam que o sistema do tradicional ascensor, que liga o Largo dos Restauradores ao Bairro Alto, combina tração elétrica e um cabo responsável pelo contrapeso entre as duas cabines. Em entrevista à SIC, Fernando Nunes da Silva, especialista em engenharia e ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa, disse que uma possível causa para o acidente teria sido o rompimento de um dos cabos de tração, o que fez com que o elevador perdesse o controle.
O presidente da Carris, responsável pela gestão do elevador, garantiu que a transportadora tem “protocolos excelentes” de segurança e anunciou a abertura de “um inquérito” interno para apurar as causas do incidente.

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— É um dia de consternação. No que diz respeito à manutenção, o protocolo foi cumprido. Há 14 anos a manutenção é feita pela mesma empresa — disse.
A manutenção do veículo é realizada pela empresa privada Maintenance Engineering, contratada pela Carris em agosto de 2022, após licitação. O contrato, de quase € 1 milhão (o equivalente a R$ 6,3 milhões), previa assistência permanente e substituição periódica do cabo a cada 1.500 dias de uso ou durante reparações intermediárias. Trabalhadores da Carris já haviam denunciado deficiências no serviço terceirizado.
O acidente será investigado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários, órgão português responsável por relatórios técnicos sobre desastres. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal Público, no entanto, a coleta de evidências no local só começará na quinta-feira, devido à escassez de pessoal. A Festa do Livro no Palácio de Belém, que iria acontecer entre quinta e o próximo domingo foi cancelada.
Inaugurado em 1885, o Elevador da Glória, que comporta até 43 passageiros — transportando anualmente mais de três milhões de passageiros — é também uma atração turística que recebe diariamente centenas de passageiros. É um dos três funiculares emblemáticos de Lisboa, ligando a Praça do Rossio às localidades do Bairro Alto e Príncipe Real.