A rede MCR, dona de vários hotéis boutique em Nova York , e seu presidente e CEO, Tyler Morse, concordaram em fechar o capital da Soho House em um acordo de US$ 2,7 bilhões, encerrando o período difícil da operadora de clubes privados desde que a empresa lançou ações em Bolsa numa oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês).
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Morse integrará o conselho, mas o bilionário Ron Burkle, presidente executivo da Soho House, e a Yucaipa Cos. manterão o controle majoritário, informou a empresa nesta segunda-feira. Um consórcio liderado pelo ator Ashton Kutcher, que se tornou investidor em tecnologia, injetará novo capital e também ingressará no conselho após a conclusão do acordo.
Fundada pelo empresário Nick Jones, a Soho House começou em 1995 como um clube exclusivo para membros em Londres, mas desde então se expandiu significativamente. Com várias unidades espalhadas pelo mundo, incluindo Nova York, Bangcoc e Roma, e com um público seleto, foi na sede do clube de Londres que o príncipe Harry e Meghan Markle se conheceram.
A rede de clubes é frequentada por outras celebridades como Lady Gaga, Kendall Jenner, Amy Adams, Justin Bieber, Miley Cyrus, entre outros.
Em vez de atender a profissionais do setor financeiro ou da política, os clubes têm como alvo profissionais da indústria criativa — aqueles que atuam em mídia, publicidade e música. Paletós, gravatas e “traje corporativo” são desencorajados.
Em junho do ano passado, a rede inaugurou em São Paulo sua primeira casa na América do Sul e segunda na América Latina. O clube privado fica localizado no bairro da Bela Vista, no antigo Hospital Matarazzo.
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No lançamento, o valor para se tornar membro apenas da Soho House São Paulo era de R$ 8.150 por ano, que podem ser parceladas em 12 vezes de R$ 679,16. Também é necessário pagar a taxa de inscrição de R$ 3,8 mil.
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O espaço conta com 32 quartos, academia, spa, piscina com bar, restaurantes e espaços exclusivos para membros. O terraço também conta com uma pool bar. No endereço, há noites de jazz, workshops de coquetelaria e eventos privados. Entre as figuras que já passaram pela Soho brasileira estão o piloto Lewis Hamilton e o ator Billy Porter. Os sócios podem ainda se hospedar nas luxuosas instalações do clube.
Burkle liderou a iniciativa de fechar o capital após o desempenho decepcionante das ações da Soho House, que abriu capital em 2021 a US$ 14 por ação. Desde o IPO, a empresa tem enfrentado questionamentos sobre a qualidade do serviço e se perdeu a exclusividade ao se expandir rápido demais.
Os acionistas receberão US$ 9 em dinheiro por ação, um prêmio de 83% em relação ao preço de fechamento de 18 de dezembro, último dia de negociação antes de a Soho House anunciar que havia recebido uma oferta de compra.
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A Soho House contava com 46 clubes em junho, reunindo mais de 200 mil membros, e outros 111 mil candidatos em lista de espera. A empresa aumentou as taxas em todos os seus clubes em janeiro deste ano para a pessoa interessada em se tornar membro para ter acesso a todas as casas ao redor do mundo (incluindo São Paulo).
Por exemplo, um membro típico em Londres paga agora £ 3.450 (US$ 4.667 ou R$ 25.200) por ano para ter amplo acesso a todas as unidades, enquanto em Nova York a taxa é de US$ 5.850 (R$ 31.590). No ano passado, era necessário desembolsas o equivalente a R$ 2o.650 por ano.
Novos candidatos devem ser indicados por membros existentes e precisam aguardar antes de serem aceitos — caso passem pelo processo de seleção.
A proposta de fechamento de capital foi criticada pela Third Point Investors, o fundo de hedge liderado por Dan Loeb, que chamou o processo de “opaco” e pressionou a Soho House a buscar ofertas mais altas.
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Durante seu período na Bolsa, a empresa também teve que lidar com um ataque de vendedores a descoberto. A GlassHouse Research sugeriu no ano passado que a Soho House teria o mesmo destino do grupo de coworking WeWork Inc., que entrou em colapso. Na época, a empresa afirmou que o relatório continha “imprecisões factuais, erros de análise e declarações falsas e enganosas”.
A MCR é proprietária e opera 150 hotéis, incluindo os hotéis High Line e Gramercy Park, em Nova York. No ano passado, o grupo iniciou uma expansão fora dos Estados Unidos ao concordar em comprar a BT Tower, em Londres, com planos de transformar o famoso marco da cidade em um hotel.
Fundos administrados por afiliadas da Apollo Global Management estão apoiando a transação da Soho House. Eles contribuirão com mais de US$ 700 milhões em financiamento, segundo o Wall Street Journal, que foi o primeiro a noticiar o acordo.
As ações da Soho House subiram até 16%, chegando a US$ 8,88 no início do pregão em Nova York nesta segunda-feira. O papel acumula alta de mais de 50% nos últimos 12 meses, com investidores apostando em uma aquisição. O preço de US$ 2,7 bilhões considera o valor da empresa, incluindo a assunção da dívida.