É claro que ele ia voltar. Era apenas questão de (bom) tempo. Mas o fato é que já tinha muita gente boa incomodada e incrédula com a ausência prolongada do sol por essas bandas. Logo nas primeiras horas de ontem, no entanto, ficou claro que a sexta-feira teria tons bem mais vivos que os cinzas que marcaram o setembro mais carrancudo dos últimos anos. Como previsto, o tempo esteve firme na cidade durante boa parte do dia. Fez até calor. Nas calçadas, menos casacos, botas, guarda-chuvas; mais sorrisos e corpos livres, bem do jeito que a cidade gosta.
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A julgar pelas previsões, o sol não vai embora logo. Fica pelo menos até a semana que vem, embora o domingo possa ter períodos mais nublados com possibilidade de chuvisco aqui e ali e temperaturas amenas. A partir de segunda-feira, o calor ganha força, com máximas que podem chegar a 36°C na quarta-feira, segundo o Climatempo. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta uma mudança de padrão no Sudeste, com a possível primeira onda de calor da primavera avançando a partir deste sábado. O Alerta Rio acompanha a tendência de melhora das condições meteorológicas nos próximos dias.
— O que a gente teve (em setembro) foi uma excessiva passagem de frentes frias pela região costeira durante todo o mês. Só nos primeiros 15 dias, tivemos a passagem de cerca de seis ou sete e vamos finalizar setembro com aproximadamente oito. É muita frente fria para pouco tempo — diz o meteorologista César Soares, da Climatempo.
‘Porteira aberta’
De acordo com o profissional, o motivo para o tempo fechado se prolongar tanto vem de longe.
— Isso também tem uma explicação na atmosfera. Estávamos no que chamamos de fase negativa da Oscilação Antártica. É como se fosse uma onda atmosférica que promove um maior avanço de frentes frias e massas de ar de origem polar ou não. Era como se a porteira do oceano estivesse aberta para que elas fossem passando. E aí tivemos essa condição para um setembro muito chuvoso — explica César Soares.
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Com o caminho livre, as nuvens dominaram mesmo a paisagem. O Sistema Alerta Rio cravou: este foi o setembro mais chuvoso no Rio em 30 anos. Dados disponibilizados na tarde desta sexta-feira pelo serviço mostram acumulados de 366,2 milímetros de chuva no Alto da Boa Vista; 315,2 mm na Rocinha e mais de 285 mm na Grota Funda e no Jardim Botânico. Onde choveu menos, ainda assim choveu bem: em Madureira, os medidores registraram 63,2 mm durante o mês até aqui. Uma secura se comparado com os demais pontos de medição.
Caiu tanta água em setembro que um balanço divulgado pelo Alerta Rio na quarta-feira mostra que o volume médio registrado nas 33 estações espalhadas pela cidade chegou aos 163,2 mm. A marca bateu os 157,7 mm observados no mesmo mês em 2005.
Antes que alguém comece a reclamar do calor, um aviso: na quarta-feira a promessa é de nova virada no tempo.
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— Ao longo dos próximos dias, a gente não vai ter passagem de frentes frias pela região costeira do Rio. Por isso que a temperatura subiu bastante e vai fazer calor ao longo dos próximos dias. Pode chover um pouco no domingo, na segunda-feira, mas tudo em forma de garoa, muito pontual. Essa condição permanece pelo menos até quarta-feira, quando, à tarde a gente vai ter a passagem de uma nova frente fria, com uma condição mais favorável à queda de temperatura, chuva mais presente. O mês de outubro promete ter um início novamente com chuva e frio no Rio — diz César Soares.
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