Depois de mudar o horário de lançamento duas vezes, a Space X adiou o lançamento do 12º voo de teste do Starship, que aconteceria nesta quinta-feira (21), no Texas. A nova tentativa de lançamento será feita na sexta-feira (22). Ele promete revolucionar o mercado tecnológico e espacial, além de fazer a empresa bater recordes no mercado financeiro, tornando o magnata Elon Musk o primeiro trilionário da história. O lançamento da chamada Versão 3 pode aumentar a capacidade de satélites da Starlink, além de ser essencial para futuras missões à Lua e Marte.
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O veículo foi quase inteiramente redesenhado, com novos motores, nova plataforma de lançamento e capacidade de carga quase três vezes superior à do modelo anterior, com os planos de enviar até 1 milhão de satélites de computação à órbita, em uma grande infraestrutura de data centers espaciais. Esta é a versão mais próxima da configuração final do foguete. A expectativa se torna ainda maior, já que outras versões apresentaram falhas nos seus lançamentos.
Agora, a empresa quer demonstrar avanços em sistemas de controle, motores, resistência estrutural e estabilidade da nave durante a missão. A Starship também levará 20 simuladores de satélites Starlink V3 e dois satélites modificados que vão testar tecnologias futuras do serviço de internet da empresa.
O propulsor Super Heavy, que é acoplado à Starship, tentará realizar lançamento, separação de estágios, manobra de retorno e pouso no mar, mas não fará captura de retorno à base nesta missão por se tratar de um veículo significativamente modificado.
A SpaceX domina o setor de transporte espacial e é uma das principais fornecedoras de lançamentos de foguetes tanto para a NASA quanto para o Pentágono. Até agora, a maior parte de sua receita vem do negócio de internet via satélite Starlink. A empresa gastou bilhões em cada segmento.
De acordo com o documentos da empresa, no trimestre encerrado em 31 de março, o segmento espacial gerou receita de US$ 619 milhões e um prejuízo operacional de US$ 662 milhões. Há um ano, o segmento espacial da empresa gerou receita de US$ 4 bilhões e prejuízo operacional de US$ 657 milhões. Com este lançamento, a empresa pretende convencer o mercado de que os investimentos podem gerar retornos gigantescos no futuro.
Possível recorde no mercado
A SpaceX planeja levantar dezenas de bilhões de dólares em oferta pública inicial em junho. O teste do Starship é visto como peça-chave para ambições da empresa em inteligência artificial, exploração espacial e redução de custos orbitais. Elon Musk divulgou documentos relacionados à sua oferta pública inicial de ações, conhecida pela sigla IPO.
Starship e Super Heavy acoplados na plataforma de lançamento no Texas, Estados Unidos
Divulgação/SpaceX
A depender do sucesso da operação, a avaliação da empresa pode chegar a US$ 2 trilhões ou mais — o equivalente a, pelo menos, R$ 10 trilhões — o que pode fazer do magnata sul-africano o primeiro trilionário do mundo.
Empresa já é ‘trilionária’
Há anos queridinha de investidores do mercado privado, a avaliação da SpaceX cresceu rapidamente, atingindo US$ 1,25 trilhão (R$ 7 trilhões) após a aquisição, neste ano, da startup de IA xAI, também de Musk.
A operação incluiu a rede social X, adquirida pelo empresário em 2022 em um acordo de US$ 44 bilhões (R$ 246,4 bilhões), incluindo US$ 33,5 bilhões (R$ 187,6 bilhões) em participação acionária.
Com valor de mercado de US$ 2 trilhões atingido após o IPO, a SpaceX passaria a valer mais do que quase todas as empresas do índice S&P 500 e superaria até a montadora de carros elétricos Tesla, outra companhia comandada por Musk.
Goldman Sachs e Morgan Stanley lideram a operação da oferta, segundo o documento. Bank of America, Citigroup e JPMorgan Chase também participam da operação.
O que é IPO?
IPO é a sigla em inglês para Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial, nome dado ao processo pelo qual uma empresa vende ações ao público pela primeira vez. Na prática, é o momento em que uma companhia abre capital e passa a permitir que investidores comprem pequenas fatias do negócio na Bolsa de Valores.
Para isso, a empresa não pode simplesmente ofertar seus papéis ao mercado. O processo começa com o registro de companhia aberta no órgão regulador do mercado de valores — no Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além disso, a companhia precisa de autorização para vender ações e para ser listada em Bolsa. Após essa etapa, recebe um código pelo qual seus papéis passam a ser negociados. As ações da Ambev, por exemplo, são identificadas pelo código ABEV3.
Starship versão 3 na plataforma de lançamento no Texas, Estados Unidos
Divulgação/Spacex
A empresa também deve elaborar um prospecto da oferta, documento voltado ao público investidor. Nele, são apresentados os planos da companhia, a situação do mercado, os riscos do negócio, dados financeiros e informações sobre a administração.
A oferta pode ser primária ou secundária. Na primária, a companhia emite novas ações para vendê-las ao público, ampliando sua base de acionistas. Nesse caso, o dinheiro arrecadado vai para o caixa da própria empresa. Na secundária, são colocadas à venda ações já existentes, geralmente pertencentes a sócios que decidiram reduzir sua participação. Nesse formato, os recursos vão para os acionistas vendedores, e não para a companhia.
Ao fazer um IPO, a empresa amplia seu quadro de sócios, já que quem compra ações passa a deter uma pequena parte do negócio. Entre os principais motivos para abrir capital está a possibilidade de captar recursos sem recorrer a empréstimos ou contrair novas dívidas.
