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Startup cria ‘computador vivo’ com 800 mil neurônios humanos capaz de jogar videogame; entenda

BRCOM by BRCOM
março 10, 2026
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O CL1 foi apresentado no Mobile World Congress em Barcelona, ​​em março de 2025, como o primeiro computador biológico comercialmente viável do mundo — Foto: Captura de tela/Youtube/Cortical Labs

Uma demonstração tecnológica divulgada neste mês chamou atenção no setor de inovação ao mostrar algo que, à primeira vista, parece ficção científica: neurônios humanos cultivados em laboratório jogando videogame. O experimento foi apresentado pela startup australiana Cortical Labs, que divulgou um vídeo do seu dispositivo biológico CL1 executando o clássico jogo Doom.

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Diferentemente de sistemas baseados apenas em algoritmos, o equipamento utiliza células cerebrais humanas reais conectadas a um chip de silício. Os neurônios recebem estímulos elétricos correspondentes às informações do jogo e respondem com sinais que são interpretados como ações dentro do ambiente digital, como mover-se ou mirar em inimigos.

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  • Um computador feito de neurônios
  • Eficiência energética como vantagem
  • Convergência entre cérebro e máquina
      • Startup cria ‘computador vivo’ com 800 mil neurônios humanos capaz de jogar videogame; entenda

Um computador feito de neurônios

Apresentado durante o Mobile World Congress 2025, em Barcelona, o CL1 é descrito pela empresa como o primeiro computador biológico comercialmente viável. Em seu núcleo estão cerca de 800 mil neurônios humanos derivados de células-tronco reprogramadas a partir de amostras de pele e sangue de doadores adultos, segundo informações divulgadas pela revista IEEE Spectrum.

Essas células crescem sobre uma matriz de eletrodos capaz de enviar impulsos elétricos e registrar as respostas do tecido neural em tempo real. Na demonstração com Doom, aproximadamente 200 mil neurônios receberam dados do jogo convertidos em sinais elétricos, processaram essas informações e produziram comandos que controlaram a jogabilidade.

A exibição pública não foi publicada em estudo revisado por pares. No entanto, a base científica do projeto tem precedentes acadêmicos: em 2022, pesquisadores ligados à empresa relataram na revista Neuron que culturas neuronais semelhantes foram capazes de aprender a jogar Pong em poucos minutos, reorganizando-se espontaneamente.

O CL1 foi apresentado no Mobile World Congress em Barcelona, ​​em março de 2025, como o primeiro computador biológico comercialmente viável do mundo — Foto: Captura de tela/Youtube/Cortical Labs

Eficiência energética como vantagem

O avanço surge em meio ao debate sobre o alto consumo energético da inteligência artificial. Enquanto grandes centros de treinamento de modelos utilizam enormes quantidades de energia, o cérebro humano funciona com cerca de 20 watts, comparável ao consumo de uma lâmpada econômica.

Segundo o cientista-chefe da empresa, Brett Kagan, um rack com 30 unidades do CL1 consome menos de um quilowatt no total. A proposta não é competir diretamente com as GPUs usadas em inteligência artificial, como as produzidas pela Nvidia, mas atuar em áreas onde aprendizado adaptativo e eficiência energética são mais relevantes, como robótica, descoberta de medicamentos e modelagem de doenças neurológicas.

Convergência entre cérebro e máquina

O desenvolvimento ocorre em paralelo a iniciativas que buscam integrar diretamente cérebro humano e tecnologia. Uma das mais conhecidas é a Neuralink, empresa que trabalha em implantes de eletrodos no cérebro para comunicação com computadores.

Enquanto projetos desse tipo conectam dispositivos ao cérebro humano, o sistema da Cortical Labs segue o caminho inverso: leva tecido biológico para dentro da máquina. Especialistas apontam que, no futuro, essas duas abordagens podem convergir na criação de interfaces híbridas entre inteligência biológica e computação digital.

Além de vender o dispositivo, cujo preço anunciado é de cerca de US$ 35 mil por unidade, a empresa aposta em um modelo de acesso remoto chamado “wetware as a service”. Nele, pesquisadores podem utilizar culturas neuronais vivas hospedadas em laboratório por aproximadamente US$ 300 por semana, sem precisar manter infraestrutura própria.

Entre os investidores da startup está a In‑Q‑Tel, fundo de capital de risco associado à comunidade de inteligência dos Estados Unidos, o que indica interesse estratégico no desenvolvimento da tecnologia.

Segundo a empresa, as culturas neuronais utilizadas no sistema não apresentam estruturas associadas à consciência. Ainda assim, pesquisadores reconhecem que a expansão desse tipo de tecnologia levanta questões éticas e regulatórias que ainda não possuem marco jurídico claro. Para muitos especialistas, a discussão sobre o uso de tecido humano em computação comercial está apenas começando.

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