Mesmo com sete álbuns e a marca de quase 300 mil ouvintes mensais no Spotify, Irma cogitou, no ano passado, abrir mão da carreira. “Viver de música nunca foi fácil, mas ser artista independente é exaustivo”, desabafa a cantora e compositora, de 37 anos, nascida na República dos Camarões e radicada na França. No meio do caminho, porém, estavam canções de gente como Gilberto Gil, Maria Bethânia e Seu Jorge. “Mergulhar na música brasileira me fez a abrir uma nova estrada, querer começar tudo de novo. O ritmo e as melodias são inspiradores. O que lançar a partir de agora será cada vez mais influenciado por essas obras.”
Mas, antes de um novo disco, há uma turnê de um mês na terra do samba e da bossa nova, com apresentações em voz e violão em nove capitais, incluindo passagem pelo Rio, no Blue Note, no dia 14 de novembro. Uma oportunidade para os fãs apreciarem o timbre aveludado e levemente rouco que fisgou ouvidos de gente do mundo inteiro, desde que ela postou os primeiros covers no YouTube, aos 15 anos.
Irma começou a estudar piano aos 5 e, aos 7, aprendeu a tocar violão sozinha e compôs as primeiras canções. Nas letras, investiga sabores e dissabores do amor e “tudo aquilo que nos torna mais humanos”. Foi assim que ergueu um repertório capaz de encantar apreciadores como Jota.Pê, nome quente da música brasileira contemporânea. “É bacana ver essa troca com uma sonoridade que não vem dos EUA, ainda mais sendo uma artista africana que vive na França”, ele diz. “Ela é uma violonista maravilhosa, uma cantora incrível, tem um balanço próprio, que conversa com a nossa música.”
O diálogo é íntimo. Irma já brindou os fãs com versões de clássicos como “Eu vim da Bahia”, de Gil, e começou a fazer as postagens no Instagram em inglês e português, idioma que vem praticando, estimulada pelo acolhimento dos fãs. “Quando visitei o Brasil pela primeira vez, encontrei exatamente a energia que imaginava. Fiz shows para plateias com 200 pessoas que pareciam ser 2 mil. O público é muito intenso.”
“É um pouquinho de Brasil iá iá”, já cantarolaram por aí.

