O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) se expandiu e se tornou o maior já registrado no país. Além disso, apesar de uma ampla resposta das autoridades de saúde e de parceiros internacionais, as infecções continuam a acelerar, e o vírus a se espalhar por cinco províncias.
Até 30 de julho, 3.605 casos e 1.587 mortes haviam sido registrados, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) neste sábado, com ambos os números tendo crescido 13% em relação à semana anterior. O surto, causado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola, já superou a devastadora epidemia de 2018 a 2020, que anteriormente era a maior notificada na RDC, disse a organização.
“O aumento contínuo dos casos, a expansão geográfica e a mortalidade persistentemente alta ressaltam a natureza de rápida evolução desta emergência de saúde pública”, afirmou a OMS em comunicado.
A taxa de letalidade bruta de cerca de 44%, ou seja, quase metade dos infectados morrem. Os números ressaltam a gravidade do surto, mesmo com a melhoria da vigilância e da busca ativa de casos continuando a identificar novas infecções.
Durante a última semana completa de registros, as autoridades de saúde contabilizaram 567 novos casos confirmados e 296 mortes, os maiores números semanais desde o início do surto, o que evidencia “o ritmo excepcional de transmissão”, afirmou a organização.
A disseminação, inicialmente restrita à zona de saúde de Mongbwalu, na província de Ituri, avançou nos últimos dois meses para 49 zonas de saúde nas províncias de Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo.
“É necessário ampliar substancialmente as atividades de resposta para conseguir controlar o surto”, continuou a OMS.
Os esforços para conter o surto estão sendo dificultados pela instabilidade política, pelo deslocamento da população e pelo intenso fluxo de pessoas através das fronteiras, fatores que prejudicam as operações de resposta e aumentam o risco de uma disseminação regional ainda maior.
Os riscos persistem apesar de a vizinha Uganda ter declarado encerrado seu próprio surto de Ebola causado pela cepa Bundibugyo em 28 de julho, após 42 dias sem registrar um caso de transmissão local.
A OMS afirmou que Uganda continua vulnerável a casos importados devido à transmissão em curso no leste da RDC e pediu aos países de toda a África que mantenham medidas reforçadas de vigilância e preparação.

