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Surto de ostra nos EUA: microbiologista explica o que fazer para reduzir o risco de infecção na hora de consumir o alimento

Por · outubro 22, 2026
Surto de ostra nos EUA: microbiologista explica o que fazer para reduzir o risco de infecção na hora de consumir o alimento


Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) alertaram que 27 pessoas adoeceram e cinco foram hospitalizadas com salmonela — doença que pode causar diarreia, febre, cólicas estomacais e complicações potencialmente fatais, como desidratação. Segundo as autoridades, o motivo estaria associado ao consumo de ostras cruas vendidas em mais de uma dúzia de estados americanos.
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Os pacientes estavam em estados do Nordeste e do Sul, com a Pensilvânia registrando oito casos, o maior número, seguida por Nova York, que registrou quatro. Nenhuma morte foi relatada.
As doenças foram associadas a ostras colhidas pela Little Wicomico Oyster Company no rio Little Wicomico, que deságua na baía de Chesapeake, na Virgínia. O primeiro alerta sobre a possível contaminação das ostras ocorreu em 9 de outubro, quando suspenderam a colheita dos mariscos na baía — apenas oito dias após o início da temporada de colheita.
No mesmo dia, também foi emitido um alerta de recolhimento das ostras. Elas foram vendidas em 15 estados e colhidas entre 18 de setembro e 8 de outubro. As autoridades de saúde estão aconselhando as pessoas a não as consumir e descartá-las imediatamente. Além disso, lavar itens e quaisquer superfícies que possam ter entrado em contato com as ostras recolhidas, usando água quente com sabão ou uma máquina de lavar louça.
Os estabelecimentos comerciais também foram aconselhados a não vender ou servir os mariscos.
O CDC afirmou que os pacientes que adoeceram tinham em média 41 anos de idade, 60% eram do sexo masculino e 80% eram de origem étnica branca. Dos 13 pacientes entrevistados, 10 relataram comer ostras cruas antes de ficarem doentes.
Foram relatados casos da doença em 12 estados. Além da Pensilvânia e de Nova York, três casos também foram registrados na Virgínia, dois em cada um dos seguintes estados: Colorado, Indiana e Maryland, e um em cada um dos seguintes estados: Connecticut, Flórida, Kentucky, Illinois, Iowa e Nova Jersey.
Ainda não está claro como as ostras foram contaminadas, mas elas podem contrair salmonela se o esgoto transbordar para a água marinha onde são cultivadas.
Salmonela
Segundo informações do Ministério da Saúde, a salmonela é uma bactéria da família das Enterobacteriaceae que causa intoxicação alimentar e é transmitida justamente pela ingestão de itens contaminados. As queixas de salmonela podem surgir entre 6 e 72 horas após o consumo do alimento com a bactéria e costumam desaparecer em até uma semana.
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No entanto, isso não é regra, e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) dizem que há casos em que a pessoa não desenvolve sintomas por várias semanas e outros em que as queixas prevalecem também durante semanas.
De acordo com a pasta, a intensidade das queixas varia de acordo com a quantidade de alimento ingerido e do nível de contaminação. No geral, a infecção por salmonela se manifesta com:
Diarreia;
Vômitos;
Febre moderada;
Dor abdominal;
Mal-estar geral;
Cansaço;
Perda de apetite;
Calafrios.
A confirmação de um caso de salmonela é feita em testes de laboratório geralmente a partir de amostras das fezes ou do vômito do paciente. O tratamento costuma ser feito em casa por meio do repouso e alta ingestão de líquidos para controlar os sintomas enquanto o sistema imunológico combate a infecção.
Em alguns casos, são indicados medicamentos para auxiliar no alívio dos sintomas e reposição de eletrólitos por meio de soros, devido à desidratação. Mas, segundo a pasta da Saúde, os antibióticos não são indicados em quadros leves a moderados, pois eles podem não eliminar completamente os microrganismos e tornar as cepas mais resistentes, deixando os remédios ineficazes.
Por isso, são reservados de forma prioritária para grupos de risco, que englobam bebês, idosos e pacientes imunossuprimidos. Os antibióticos são necessários nesses casos especialmente se a infecção tiver se espalhado para além do intestino.
Se os sintomas persistirem por mais de três dias, é necessário procurar novamente o médico para outra avaliação, pois pode ser que a contaminação esteja evoluindo para formas mais graves.
Para se proteger, o ministério recomenda:
Lave sempre as mãos, antes, durante e depois de manipular ou consumir alimentos;
Lave bem os alimentos antes de consumir, especialmente frutas e verduras;
A carne deve ser bem cozida ou assada;
Os ovos devem ser bem cozidos;
Evite consumir alimentos em lanchonetes e restaurantes que apresentam condições precárias de higiene e conservação.
Intoxicação alimentar
O histórico de intoxicação alimentar com ostras é antigo. Elas estão, inclusive, entre os alimentos que mais causam infecção nas pessoas. Como as ostras são filtradoras, elas podem concentrar germes, como Vibrio e norovírus, em seus tecidos. Também é possível contrair intoxicação alimentar ao comer qualquer marisco cru (amêijoas, mexilhões, búzios, berbigões), por isso a recomendação é só comer esses alimentos cozidos.
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Outros alimentos que consta na lista de possível intoxicação são as saladas envoltas em sacos plásticos. A alface ensacada pode conter germes intoxicantes alimentares, como E. coli, salmonela e Listeria. Elas costumam ser seguras se armazenadas refrigeradas e bem lavadas antes de ir para à mesa. O consumo também deve ser feito o mais rápido possível após a compra.
Em artigo publicado no site The Conversation, a microbiologista, Primrose Freestone, professora de Microbiologia Clínica na Universidade de Leicester revela dois cuidados que ela toma para evitar esse risco:
Comer ao ar livre
Freestone afirma que raramente come ao ar livre, pois o risco de intoxicação alimentar aumenta quando a comida é levada ao ar livre. Para começar, não é possível higienizar corretamente as mãos, já que é difícil encontrar água corrente e sabão em um parque ou na praia. Além disso, os alimentos tendem a atrair animais como moscas, vespas e formigas, que podem transferir germes, incluindo E. coli, salmonela e Listeria, para a comida.
Manter os alimentos perecíveis frios e cobertos é essencial, pois o número de germes pode duplicar se os alimentos aquecerem até 30°C durante mais do que algumas horas.
Buffet
De acordo com a especialista, a intoxicação alimentar é um risco inevitável quando se come num buffet. Nos bufês, os germes se espalham quando os clientes falam, espirram ou tossem perto dos alimentos. Além disso, mesmo em ambientes fechados, deve-se considerar a contaminação por insetos, como moscas ou vespas, que se instalam nos alimentos descobertos.
Alimentos perecíveis se tornarão impróprios para consumo em duas horas se não forem mantidos cobertos e refrigerados e é difícil garantir que tudo foi feito seguindo essa regra.
Em buffets quentes, como os servidos no café da manhã de hotéis, a microbiologista recomenda evitar alimentos mornos, pois as bactérias que causam intoxicação alimentar podem crescer rapidamente quando os alimentos são mantidos a menos de 60°C.

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