O chinês Zhaohu Qiu, de 35 anos, conhecido como Xau, está sendo transferido do município de Carapicuíba, na Grande São Paulo para o Rio de Janeiro, e deve chegar na capital fluminense por volta das 23 horas desta terça-feira. O vendedor de Yaksoba deverá prestar depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) na manhã de quarta-feira. Ele é o suspeito de assassinar a jovem Marcelle Julia Araújo da Silva, de 18 anos, que estava desaparecida havia três dias.
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Segundo o delegado Rômulo Assis, responsável pelo caso, mesmo chegando no Rio nesta noite, Zhaohu só deverá ser interrogado na manhã de quarta-feira. Após prestar depoimento, será transferido para o presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da cidade. Até o momento, o vendedor de Yaksoba não confessou o crime para polícia, mas a equipe de investigação afirma ter encontrado indícios de uma confissão no celular do chinês.
Suspeito de matar jovem na Pavuna é transferido para o Rio
Segue descartada a hipótese de Zhaohu ter contado com ajuda de outra pessoa para cometer o crime. De acordo a investigação policial, o vendedor teria agido sozinho na morte da vítima e na tentativa de ocultação do corpo.
A Justiça do Rio já havia autorizado sua prisão por 30 dias após a constatação de que ele havia fugido da cidade e poderia tentar deixar o país. Agora, o prazo pode ser prorrogado por pelo menos mais 30 dias. Mas a polícia ainda apura se o suspeito efetivamente tentou sair do Brasil após chegar em São Paulo.
O motivo que levou Xau a cometer o feminicídio ainda não foi encontrado, mas a equipe da DHC acredita que o depoimento programado para quarta-feira deverá ajudar a solucionar este mistério. Entre as hipóteses, está o ciumes.
O chinês era proprietário de dois imóveis no Rio, um na Pavuna e outro em Jardim América. Conforme a investigação, Xau teria usado ambos os locais para cometer o crime: um para matar a vítima e o outro para ocultar o cadáver.
Na casa onde o corpo de Marcelle foi localizado, agentes relataram que a jovem estava enrolada em uma lona azul, ao lado de dois cães da raça pitbull. Havia sinais de mordidas. A cena reforça a suspeita de tentativa de ocultação de cadáver. Imagens de câmeras de segurança obtidas na investigação flagraram Xau empurrando um carrinho, coberto por uma lona da mesma cor, indo em direção à casa na Pavuna horas após as imagens também registrarem Marcelle chegando ao imóvel dele em Jardim América.
Marcelle e Xau tinham contato havia pelo menos seis anos. Ele era dono de um trailer de yakisoba no bairro e mantinha relação próxima com a família da vítima. Frequentava festas e churrascos, e era visto como uma pessoa prestativa e amiga. Mas, segundo testemunhas, tinha uma obsessão por Marcelle, que não correspondia às investidas.
Exames seguem em andamento para determinar a causa da morte, mas, segundo a polícia, o corpo não apresentava marcas de tiros ou esfaqueamento. A principal suspeita é que ela tenha tido um traumatismo craniano antes de ser mutilada por cães.
Família foi informada da prisão durante o sepultamento
A notícia da prisão de Xau chegou à família durante o enterro de Marcelle, nesta segunda-feira. Quem recebeu a informação foi Daiana Azoor, tia da jovem. Emocionada, ela anunciou a novidade aos parentes e amigos presentes, que reagiram com alívio.
— Infelizmente, a nossa menina nunca mais vai voltar para casa, mas saber que este criminoso foi encontrado e capturado pela polícia dá a sensação de justiça sendo feita — disse Daiana.
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Moradora do Jardim América, Zona Norte da cidade, Marcelle era uma jovem de 18 anos. Segundo os parentes, a menina estava concluindo um curso de design de sobrancelhas e pretendia fazer uma página nas redes sociais destinada à autoestima feminina.
— Ela era linda, carismática, muito alegre e gostava de ajudar os outros a se sentirem bem. Tinha uma vida inteira de sonhos e tava buscando realizar — conta Cláudia Luciana, tia avó.
Ramon Souza, primo, reforça o quanto ela gostava de estar cercada por pessoas:
— Adorava dançar, dançava de tudo, mas funk era o ritmo favorito. Gostava de praia também e do Flamengo — compartilha Ramon Souza, primo da vítima.
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O chinês de 35 anos, era vendedor de yakisoba no Jardim América. Chegou no bairro há 10 anos e era bem quisto pela comunidade, além de ser amigo da família da vítima. Frequentava a casa de Marcelle e, segundo parentes, sempre foi prestativo e atencioso. Um bom amigo, mas que deixava sinais de uma obsessão pela jovem.
Em nota, a Polícia Civil do Rio destacou que a prisão foi feita em parceria com agentes de São Paulo: “Desde a localização do corpo, o autor vinha sendo procurado. As equipes da Delegacia de Homicídios da Capital realizaram diversas diligências e conseguiram apurar que ele tinha se deslocado para o estado de São Paulo. Imediatamente, a Polícia Civil paulista foi contactada para auxiliar na captura”.
