Quatro suspeitos pelo crime de estelionato foram presos em flagrante pela Polícia Civil do Distrito Federal na última segunda-feira (25). De acordo com a corporação, que investigou o caso por meio da 8ª DP (Estrutural), eles realizavam o “golpe do paco”, uma prática antiga que usa de boa-fé da vítima para atraí-la para uma armadilha e roubar seus pertences.
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O grupo atua de forma coordenada, identificou a polícia, atuando próximo a agências bancárias e lotéricas, mirando vítimas que estivessem com dinheiro em espécie após saques e movimentações financeiras. Além de quantias, os suspeitos também levavam celular, cartões, documentos, entre outros pertences. Eles atuavam no Distrito Federal e no entorno.
As investigações apontam que três dos quatro presos possuem extenso histórico criminal por crimes patrimoniais. Um deles acumula mais de 25 indiciamentos e ao menos 15 mandados de prisão anteriores relacionados a estelionatos, segundo a polícia.
O que é o ‘golpe do paco’
O delegado Rafael Catunda, da 8 ªDP, à frente do caso, explica como esse golpe funciona:
— É um golpe antigo. Eles simulam a perda de uma carteira justamente para que a vítima a encontre com uma quantidade grande de dinheiro. É dinheiro falso, mas a vítima não sabe. Esse integrante da organização que deixou a carteira cair, agradece muito a honestidade e promete uma recompensa para a vítima.
O crime funciona de forma coordenada porque outros envolvidos participam, cada um desempenhando um papel. Para que a suposta recompensa seja entregue, o golpista pode pedir que a vítima o acompanhe até algum lugar que seria seguro. Nesse momento, comparsas podem aparecer para dar um ar de credibilidade, por exemplo, encenando surpresa pela recuperação da carteira e apoio para o local indicado. A pessoa é convencida a deixar seus pertences, como blusas, com um dos golpistas para então poder acessar algum lugar, momento em que fogem com os pertences.
— E entra a engenharia social, que faz com que a vítima entregue os bens para poder ir resgatar essa recompensa, e nesse momento eles somem, levam bolsa, carteira, telefone pessoal, tudo da vítima — destaca o delegado.
Cada integrante do grupo tem um papel, incluindo monitoramento do ambiente e apoio à fuga. Durante interrogatório, em sede policial, um dos presos admitiu parcialmente a prática do golpe e confirmou a divisão de funções entre eles.
Investigação
Esses suspeitos eram investigados há mais de um mês. Uma das ocorrências foi feita em abril por uma das vítimas do golpe. De acordo com Rafael Catunda, o perfil dos indivíduos ajudava a não despertar desconfiança.
— Dessa organização, três eram pessoas com mais idade, com aparência de pessoas boas, honestas, e é o álibi perfeito para poder enganar as vítimas — aponta o delegado.
A prisão foi realizada durante o monitoramento, quando as equipes acompanhavam a movimentação do grupo na região de Planaltina. O carro em que estavam os quatro integrantes foi abordado pelos agentes. Na abordagem, eles jogaram fora alguns cartões e documentos pessoais de vítimas, que foram recuperados pela equipe. Por meio deles foi identificada a vítima que tinha caído no golpe pouco antes da prisão. O celular dela também foi recuperado.
Agora, a polícia busca identificar se o grupo fez mais vítimas.
— Seguimos com outra investigação desses outros crimes registrados e vamos agora compartilhar informações com outras delegacias que também investigavam esses indivíduos — disse o delegado.
Os investigados foram indiciados por organização criminosa e dois crimes de estelionato consumado. Somadas, as penas máximas podem ultrapassar 18 anos de prisão.

