Sydney Towle, uma influenciadora que compartilhava sua trajetória pessoal nas redes sociais — misturando angústia, otimismo e um desejo inabalável de viajar enquanto desafiava o público do TikTok a repensar a aparência e o estilo de vida de um paciente com câncer —, morreu nesta quarta-feira (5) no Instituto Nacional de Saúde (NIH), em Bethesda, Maryland. Ela tinha 26 anos.
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Sua morte, decorrente de complicações de um câncer metastático nos ductos biliares, e foi anunciada em seus canais nas redes sociais. No início da semana, sua família havia informado que ela havia iniciado cuidados paliativos.
Em 2023, Towle, recém-formada pelo Dartmouth College, vivia em Los Angeles — trabalhava remotamente com marketing, surfava e postava fotos de biquíni e vídeos de tendências de dança — quando um inchaço e uma sensação de queimação no abdômen a levaram a um serviço de pronto-atendimento. Pouco depois, foi diagnosticada com colangiocarcinoma, um câncer raro nos ductos biliares.
Towle transformou sua nova realidade como uma jovem com câncer em conteúdo. Para um público que cresceu até ultrapassar 1 milhão de seguidores, ela criou vídeos onde aparecia fazendo trilhas na Espanha, compartilhando sua solidão e, ao lado da mãe, aplicando bolsas de gelo na cabeça para ajudar a prevenir a queda de cabelo causada pela quimioterapia.
Combinando a realidade de uma doença mortal com a sede de viver, ela levou consigo sua grande audiência enquanto conciliava a doença e experiências enriquecedoras. Ela passou por uma cirurgia para remover a vesícula biliar e parte do fígado e, assim que recebeu autorização médica, partiu para uma aventura solo pela Europa. Durante todo esse processo, ela continuou registrando e postando.
A influenciadora Sydney Towle em março de 2025
Reprodução / Redes sociais
Seu foco como influenciadora passou a ser convencer um grande público a repensar as noções pré-concebidas da sociedade sobre pessoas com doenças graves.
— Syd tinha uma percepção aguçada de como compartilhar sua vida poderia ajudar os outros, e usou isso para promover a compreensão sobre jovens adultos que enfrentam o câncer, a importância do financiamento de pesquisas e a beleza de viver o momento — disse Melinda Bachini, diretora de relações com pacientes da Cholangiocarcinoma Foundation.
Em um vídeo que Towle publicou no ano passado, ela dança em seu apartamento com uma legenda exibida na tela: “Vá buscar um pote de sorvete Ben & Jerry’s, assista ao seu filme favorito, lembre-se de que a vida é boa e coisas ruins acontecem às vezes, mas isso não faz dela uma vida ruim”.
Nela, a internet encontrou um novo rosto para representar uma faceta emergente do câncer: alguém mais jovem do que o esperado; que se mantinha razoavelmente otimista apesar de um diagnóstico grave; e que tinha a capacidade e o desejo de vivenciar experiências normais da vida entre os tratamentos e as internações hospitalares.
Towle conseguiu combinar conteúdo de estilo de vida (vídeos do tipo “arrume-se comigo” e de compras de moda) com relatos da sala de quimioterapia, onde ela posava ao lado do suporte de soro e da sacola de vômito, ao som de uma música de hip-hop que estava em alta.
Mas ela também publicava monólogos comoventes sobre o peso de lutar pela própria vida justamente no momento em que a maioria de seus pares estava construindo a deles. Namorar, explicou ela em uma postagem melancólica, era algo fora de alcance.
— Como você puxa conversa sobre o que tem feito, quando o que você tem feito é ir à quimioterapia? — disse ela em um vídeo.
No outono de 2024, após uma recidiva do câncer no fígado, Towle mudou-se para Nova York para fazer tratamento no Memorial Sloan Kettering Cancer Center. Ela marcou a ocasião com um vídeo no qual aparecia dançando alegremente em uma rua da cidade, ao som de “Welcome to New York”, de Taylor Swift.
Mas, justamente quando Towle estava se mudando, um grupo de trolls da internet reuniu-se no Reddit com o objetivo explícito de analisar com ceticismo suas postagens, suas palavras, seu humor, suas roupas, seu cabelo e os sinais da doença.
“Algo na história do câncer de Syd Towle parece estranho para vocês?”, escreveu um dos usuários mais ativos.
“Temos provas, análises médicas, checagem de fatos e discussões”, acrescentou o usuário anônimo, incentivando as pessoas a “participarem da conversa e contarem como nos encontraram e por que podem ter dúvidas”.
Determinados a expor o que alegavam ser provavelmente uma grande fraude, os usuários do Reddit questionavam os detalhes médicos que Towle compartilhava online, encontrando “evidências” falsas de uma conspiração e ridicularizando cada passo dela. Alguns entraram em contato com as marcas com as quais ela tinha parcerias para pressioná-las a romper o vínculo. Alguém usando uma conta de e-mail anônima chegou até a enviar mensagens para a equipe médica que a atendia.
“Tenho vontade de dar um soco na cara dela”, escreveu um internauta em publicação nas redes sociais dela.
Towle sentia-se atormentada pelas acusações e pelo assédio, mas nunca interagiu publicamente com os teóricos da conspiração. Em vez disso, continuou produzindo os vídeos que haviam se tornado sua tábua de salvação emocional.
Sua história, incluindo um relato sobre a enxurrada de ataques online, foi tema de uma matéria de capa no The New York Times em maio de 2025.
— Sinto muito que eles fiquem tão irritados pelo fato de que viver com câncer pode ser diferente de como eles acham que deveria ser — disse ela.
Sydney Elizabeth Towle nasceu em 15 de novembro de 1999, em Newburyport, Massachusetts, filha de Elizabeth Morrow e Philip Towle, e cresceu em Hobe Sound, Flórida.
Ela cursou Governo e Estudos Ambientais no Dartmouth College, formando-se em 2022.
Seu pai faleceu em 2016. Além da mãe, ela deixa um irmão, Austin.
— Ela se colocou diante das câmeras no momento mais difícil de sua vida e disse às pessoas que não há problema em não estar bem. Como ela dizia tantas vezes: ‘Você só precisa continuar nadando’ — disse o seu irmão.
Mesmo quando a recidiva do câncer motivou sua mudança para a Costa Leste dos Estados Unidos, ela conseguiu encontrar o lado positivo.
— Eu sempre quis morar em Nova York, e a vida é curta, como sou constantemente lembrada — disse ela em um vídeo.
Embora estivesse com o coração apertado por deixar os amigos que fizera em Los Angeles, ela reconheceu o lado bom em meio a essa tristeza.
— Eu estava pensando naquela frase: ‘Que sorte a minha ter algo que torna a despedida tão difícil’ — disse ela.

