Apesar de propor tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, o governo dos Estados Unidos apresentou uma extensa lista de exceções que preserva parte relevante das exportações do Brasil. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial contra o país e incluiu 73 páginas de produtos que permaneceriam fora da cobrança.
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Entre os itens isentos estão café e carnes, que foram inicialmente taxados no ano passado. Veja os principais abaixo e a lista completa neste link.
Produtos bovinos: Carnes frescas, resfriadas ou congeladas (incluindo cortes de alta qualidade e desossados), além de miudezas como línguas e fígados
Café e especiarias: Café (torrado ou não, descafeinado ou não), chás, mate e diversas especiarias como pimenta, canela, cravo e noz-moscada.
Aeronaves civis e peças: A lista de exceções inclui, segundo as notas explicativas do anexo, as próprias aeronaves, seus motores, partes, componentes e subconjuntos. Entre os itens especificamente listados estão aviões de diversos modelos e pesos, helicópteros de pequeno e grande porte, drones, balões e outros.
Suco de laranja: Laranjas frescas ou secas polpa de laranja e suco de laranja — há uma cobertura ampla que inclui suco congelado, não congelado, concentrado ou não, e sucos fortificados com vitaminas ou minerais.
Terras-raras: A lista de exceções inclui diversas categorias desses minerais estratégicos, incluindo metais brutos, compostos químicos e até produtos finais específicos como ímãs. Metais de terras-raras, como escândio e ítrio, mesmo misturados ou ligados entre si, compostos químicos de cério; misturas de óxidos de terras-raras ou de cloretos de terras-raras, materiais e compostos contendo ítrio, outros compostos, inorgânicos ou orgânicos, de metais de terras-raras, de ítrio ou de escândio.
Frutas e nozes: Itens como castanhas-do-Brasil, castanhas de caju, bananas, abacaxis, abacates, mangas e polpa ou preparações de açaí.
Minérios e combustíveis: Minérios de ferro, cobre, alumínio, manganês e zinco, além de carvão, óleos de petróleo brutos e derivados (como gasolinas, querosene e óleos lubrificantes)
Produtos químicos e farmacêuticos: Uma lista extensa que inclui compostos orgânicos, vitaminas (A, B1, B2, B12, C, E, etc.), antibióticos (penicilinas, estreptomicinas), hormônios e vacinas para medicina humana e veterinária.
Tecnologia e eletrônicos: Máquinas automáticas de processamento de dados (computadores portáteis e unidades de processamento), dispositivos de armazenamento magnético e circuitos integrados eletrônicos (processadores, memórias e amplificadores)
A proposta do novo tarifaço foi apresentada após a conclusão da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais e autorizar medidas corretivas.
Segundo o USTR, determinados atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano. Com o encerramento da investigação, o órgão formalizou a proposta tarifária e abriu nova etapa de consulta pública antes de eventual adoção das sanções.
Investigação determinada por Trump
A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O prazo legal para definição e possível implementação das medidas termina em 15 de julho de 2026.
A conclusão do processo ocorreu enquanto Brasil e Estados Unidos ainda negociavam alternativas para evitar novas barreiras comerciais.
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O grupo de trabalho bilateral criado para discutir o tema previa encerrar as conversas até 5 de junho, mas, segundo integrantes das negociações citados pelo blog do jornalista Valdo Cruz, não houve avanços suficientes para concluir o processo.
O grupo foi criado após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, na Casa Branca. Antes da divulgação do parecer final, o USTR havia destacado nas redes sociais o “engajamento construtivo” do governo brasileiro e manifestado expectativa de continuidade das negociações.
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O embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que o diálogo avançou, mas sem eliminar divergências.
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“Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, disse.
O relatório final distribui críticas em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.

