Amy Abrams, de 52 anos, é proprietária e administradora do Manhattan Vintage Show, em Nova York, e faz sessões regulares de acupuntura estética facial há cinco anos.
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— Vou a cada quatro ou seis semanas — diz ela, explicando que a rotina faz parte de um “compromisso de autocuidado” para se sentir e parecer bem. O seu local preferido é o Lanshin, um spa de beleza no Brooklyn que se inspira em práticas da medicina tradicional chinesa. Mas, recentemente, Abrams começou a ter dificuldade em conseguir horários com sua acupunturista.
— Ela não tinha nenhuma data disponível por seis semanas — conta. — Quero dizer, ótimo para ela, mas nossa!
Quando o objetivo é alcançar uma pele jovem e revigorada, será que todos os caminhos levam às agulhas? Parece que sim, considerando a variedade de técnicas que envolvem picadas no rosto — das injeções de botox e preenchedores faciais aos procedimentos de microagulhamento, PRP (plasma rico em plaquetas) e até injeções de DNA de esperma de salmão — todos buscados pela promessa de uma aparência mais viçosa e flexível. Pena dos que têm fobia de agulha!
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A acupuntura estética (também chamada de acupuntura facial), por sua vez, não envolve injeções. Ela utiliza agulhas com aproximadamente um quinto do diâmetro das hipodérmicas comuns e, segundo defensores, ajuda a aumentar a circulação, estimular a produção de colágeno e melhorar o tom da pele. Há anos é a favorita de nomes como Jessica Alba, Kim Kardashian e Gwyneth Paltrow, e tem conquistado cada vez mais espaço com a tendência de buscar cuidados de pele mais holísticos. Em entrevista concedida em maio, a atriz Sarita Choudhury, de “And Just Like That…”, contou que fazia sessões semanais com sua acupunturista.
A acupuntura é uma das práticas mais conhecidas da medicina tradicional chinesa no Ocidente, com popularidade nos Estados Unidos desde os anos 1970, quando um jornalista norte-americano que acompanhava a comitiva do presidente Richard Nixon em Pequim relatou ter recebido o tratamento por lá.
Nas décadas seguintes, a prática passou do campo “alternativo” para o “mainstream” da medicina, sendo aplicada para diversos males e condições — enxaquecas, problemas digestivos, infertilidade, insônia e dores em geral. Estrelas como a ginasta olímpica Simone Biles e o jogador da NBA LeBron James incluíram a acupuntura em seus protocolos de recuperação de lesões. O site de bem-estar e estilo de vida Goop já mencionou o tratamento em mais de 60 artigos. Não surpreende, portanto, que com o aumento do interesse público, muitos tenham começado a recorrer à acupuntura também para o rejuvenescimento facial.
A busca pela acupuntura estética também dialoga com o nascente movimento #notox, que rejeita o botox em favor de alternativas naturais que prometem resultados semelhantes — especialmente entre consumidores da Geração Z.
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Na internet, as buscas no Google por “acupuntura estética” cresceram 248% nos últimos dois anos. Em janeiro, o número médio de visualizações de conteúdos relacionados ao notox no TikTok havia subido 223% em um ano, segundo a agência de tendências Trendalytics.
Parte do diferencial da acupuntura estética está em seu caráter holístico. Os tratamentos costumam mirar pontos do corpo além do rosto, para lidar com questões como má qualidade do sono, problemas digestivos, estresse e TPM — fatores que também influenciam a aparência da pele.
— O maior benefício é que não se trata somente da superfície da pele — afirma Stefanie DiLibero, da clínica Gotham Wellness, em Manhattan. Lá, os clientes passam por uma avaliação completa de saúde antes das sessões, que podem incluir acupuntura no corpo inteiro, estimulação por microcorrente e drenagem linfática manual. Segundo DiLibero, 90% dos pacientes procuram pela acupuntura estética, mas acabam aproveitando os outros benefícios agregados.
Ainda assim, a ênfase no “estético” é forte, já que muitos salões complementam o atendimento com técnicas comuns no cardápio de esteticistas: massagens de drenagem linfática, máscaras faciais hidratantes e terapia de luz vermelha para estimular a produção de colágeno.
Na ORA, um spa com duas unidades em Manhattan, a fundadora Kim Ross conta que até adolescentes com problemas de pele, como acne, procuram pelo tratamento, que também inclui acupuntura corporal, gua sha e LED. Desde sua abertura em 2021, o procedimento tornou-se um dos mais procurados. Independentemente da idade, quase todos estão em busca daquele cobiçado “glow”, afirma Ross.
Jessi Slavich, esteticista e fundadora do Vena Cava Skin Therapy, em Portland, Oregon, faz sessões mensais de acupuntura estética para aliviar a tensão no maxilar. Ela não se interessa por botox nem por preenchedores, apesar de se preocupar com os sinais do envelhecimento.
— Como esteticista holística, isso nunca passou pela minha cabeça — conta ela. — É claro que penso nas rugas — continua Slavich. — Penso em perder colágeno. Mas não faria um tratamento estético que não favorecesse também a minha saúde geral.
Claudia Baettig, acupunturista da Prosper LA, em Los Angeles, relata que já atende mulheres a partir dos 20 anos para tratamentos faciais.
— Muitas têm amigas que já estão fazendo botox e injetáveis, e querem algo preventivo — diz ela. Outras querem simplesmente evitar o botox.
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— Morro de medo de fazer preenchimento e depois me arrepender — conta Michelle Desouza, moradora do Brooklyn e fundadora da Same Skin, uma comunidade de bem-estar e cultura para mulheres. Ela agendou sua primeira sessão de acupuntura estética no Gotham Wellness quando estava entrando nos 30 anos. Queria se sentir rejuvenescida, mas “sem ficar com a mesma cara de todo mundo”, ela afirma, em referência ao chamado “rosto de Instagram” — aquele visual padronizado (às vezes moldado por filtros e tratamentos estéticos) que chega a parecer ter sido gerado por inteligência artificial.
— Minha geração e as mais novas têm uma visão distorcida do que o envelhecimento realmente parece — afirma Devon Kelley, criadora de conteúdo do Brooklyn que costuma postar sobre beleza e bem-estar. — Os filtros disfarçados e a edição são onipresentes nas redes sociais. As celebridades parecem cada vez mais jovens, e muitas não são honestas sobre os procedimentos que fazem.
Hoje, com 36 anos, Desouza diz que continua sendo exceção entre suas amigas, muitas já adeptas do botox. Embora seja possível combinar botox e acupuntura estética, Baettig destaca que se trata de “duas escolas de pensamentos opostos”. O botox paralisa a contração muscular; já a acupuntura faz o contrário.
— Nós estimulamos — explica. — Queremos aumentar a circulação nos músculos.
Mas será que a acupuntura estética realmente funciona? Os resultados são difíceis de medir, já que o objetivo muitas vezes é subjetivo. Baettig afirma que os clientes tendem a sair da sessão com um brilho imediato, mas alerta que não devem esperar os mesmos efeitos das injeções.
— Mas sim, há uma redução sutil das linhas finas e rugas — afirma ela. — Normalmente, você percebe uma pele mais luminosa depois de seis a dez sessões — conclui.
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Na Prosper LA, onde cada sessão custa de US$ 195 a US$ 225 (aproximadamente, entre R$ 1.030 e R$ 1.200), e na ORA, onde o tratamento chega a US$ 475 (aproximadamente, R$ 2.525), uma série de atendimentos pode facilmente colocar o procedimento na mesma faixa de investimento que os injetáveis. Mas benefícios adicionais — como serenidade e relaxamento — são dificilmente encontrados em séruns, peelings ou sessões de botox.
— É uma forma de me recentrar e acalmar — conta Abrams, que conseguiu um horário na agenda da sua acupunturista sem ter de esperar as seis semanas.