Após semanas de idas e vindas da candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais, as campanhas de adversários da direita passam por uma fase de reorganização das estratégias desde que o parlamentar recebeu o aval da direção do seu partido para entrar na disputa. A “recalibragem” passa pela decisão de subir o tom ou não contra o senador, pela aposta nas aparições na propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, além da corrida pelo apoio dos prefeitos do interior.
Depois de ter a candidatura vetada em mais de uma ocasião pelo comando do Republicanos, Cleitinho foi autorizado pelo presidente nacional do partido, o deputado federal Marcos Pereira, a concorrer na última sexta-feira. A decisão adiciona na eleição estadual mais um postulante que não só disputa os votos da direita, mas também lidera as pesquisas com folga em relação aos adversários.
Em resposta ao lançamento de Cleitinho, interlocutores do atual governador, Mateus Simões (PSD), preveem um reajuste da estratégia de campanha ao longo desta semana. A mudança, no entanto, a princípio, não incluirá ataques ao senador, apesar da constatação de que o parlamentar disputa pelos mesmos votos dos eleitores independentes e da direita não bolsonarista que Simões.
— Eu e Cleitinho sempre tivemos uma boa relação. Acho que não vamos assistir ataques diretos. Eu tenho a tranquilidade de ter ao longo desses anos discutido uma série de assuntos com ele, conseguindo convergir em alguns, enquanto não conseguimos em outros. Faz parte. Do meu lado, será foco integral nas entregas e proposta de avanços. — disse o governador ao GLOBO.
O foco principal da campanha de reeleição do mandatário estará na busca por torná-lo conhecido a partir da propaganda eleitoral gratuita na TV e na rádio. Interlocutores estimam que ele terá um tempo estimado de 3 minutos e 20 segundos a 3 minutos e 40 segundos, uma vez que conseguiu atrair para a coligação apoio da federação União-Progressista. O bloco partidário inicialmente considerou articular a candidatura ao governo de Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil da gestão Zema. O ex-auxiliar chegou a romper publicamente com Simões para investir no projeto próprio e em uma aliança com outros partidos da direita no estado, mas teve os planos frustrados pelo lançamentos da candidatura de Roscoe pelo PL.
Depois do desgaste, Aro foi anunciado como “candidato avulso” para o Senado pela federação, mas, desde a semana passada, tem buscado uma aproximação com Cleitinho, tendo participado da coletiva de anúncio da candidatura do senador na sexta-feira. Na ocasião, o senador disse que pretende “rodar o estado” junto do novo aliado, visto como um ativo de campanha em função de sua capacidade de articulação com prefeitos do interior do estado, construída durante o período em que atuava na gestão Zema. Em sua chapa majoritária, Cleitinho também conta com Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-presidente da Associação Mineira de Municípios, que reúne representantes de 838 das 853 cidades do estado.
A capilaridade de Cleitinho no interior, no entanto, é minimizada por aliados de Simões, que argumentam que os prefeitos podem demorar para se engajar na campanha e afirmam que o governador terá tempo para reunir apoios a partir do início da veiculação da propaganda eleitoral. O entorno do governador prevê que o senador poderá perder pontos nas pesquisas de intenção de voto nas próximas semanas em função da instabilidade provocada pelo “vai e vem” de sua candidatura e em meio à reaproximação com Aro, que já foi criticado e chamado de “canalha” pelo parlamentar.
Já o PL manterá a candidatura de Roscoe, mesmo com Cleitinho na disputa. A decisão foi comunicada ao senador pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que priorizou a construção de um palanque próprio no estado. Além disso, o QG bolsonarista passou a considerar o risco de questionamentos jurídicos sobre a forma como o Republicanos formalizou sua candidatura. A avaliação é que não seria seguro desmontar a chapa encabeçada pelo PL e concentrar toda a estratégia estadual numa postulação que ainda pode ser contestada, uma vez que Cleitinho foi oficializado após o prazo limite das convenções.
Ao aceitar ser candidato, Roscoe apareceu em um vídeo ao lado de Flávio na semana passada e disse que foi escolhido para manter “a direita coesa” no estado após cerca de 120 dias de espera pela decisão de Cleitinho. Ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o empresário aposta numa chapa “puro sangue”, com a indicação do ex-deputado federal Charlles Evangelista (PL-MG) para a vice e do deputado federal Domingos Sávio (PL-MG).

