Segundo uma análise do Escritório de Contabilidade do Governo dos EUA (GAO, na sigla em inglês) divulgada na quinta-feira, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desperdiçou milhões de dólares em seu esforço rápido para expandir drasticamente a detenção de imigrantes, incluindo quase US$ 3 milhões (cerca de R$ 15,5 milhões) em tendas para abrigar migrantes na Baía de Guantánamo, que nunca foram utilizadas.
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O acampamento em Cuba, planejado próximo à prisão que abrigou suspeitos de terrorismo após os ataques do 11 de Setembro, foi construído para receber 5 mil pessoas. Em junho, a população média diária de detidos no local era de 16 pessoas, informou o GAO.
O governo também gastou US$ 20,5 milhões (cerca de R$ 106,34 milhões) em custos administrativos e serviços públicos relacionados a sete armazéns que comprou às pressas e depois decidiu vender. Além disso, desperdiçou US$ 7,1 milhões (cerca de R$ 36,92 milhões) em alimentos de que não precisava em um de seus novos centros de detenção no Texas, segundo a análise.
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Nem o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) nem o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS, na sigla em inglês) responderam a um pedido de comentário.
O relatório é a mais recente denúncia dos gastos desenfreados de autoridades federais para cumprir a promessa do presidente Trump de deter e deportar um número recorde de imigrantes. As autoridades investiram bilhões de dólares na contratação de agentes de imigração, na compra de armazéns ociosos para convertê-los em centros de detenção e na expansão de outras operações de fiscalização.
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Como resultado, as prisões de imigrantes atingiram níveis recordes e as travessias ilegais da fronteira foram interrompidas. O aumento nos gastos também atraiu críticas de órgãos de fiscalização e de monitoramento.
O ICE lançou seis grandes iniciativas de expansão sem um plano estratégico definido e, desde então, reduziu quatro delas, informou o GAO. Até julho deste ano, o ICE havia gastado mais de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13,03 bilhões) em armazéns e outras instalações para abrigar detidos, mas não avaliou os custos de longo prazo, segundo o órgão de fiscalização do Congresso.
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Em seu relatório, o GAO recomendou que o ICE desenvolva um plano estratégico amplo para orientar seus esforços de expansão da detenção, com metas e orçamentos definidos. O ICE concordou com a recomendação.
O relatório incluiu várias iniciativas caras e de grande repercussão do governo Trump para ampliar a detenção que acabaram abandonadas e que o GAO considerou desperdícios.
Em uma de suas primeiras iniciativas, o governo Trump planejou abrigar 30 mil detidos por questões migratórias na Base Naval de Guantánamo. O Departamento de Defesa gastou US$ 2,85 milhões (cerca de R$ 14,7 milhões) para construir tendas destinadas a abrigar 5 mil migrantes, mas as estruturas não atendiam aos padrões federais de detenção e, por isso, nunca foram utilizadas. O plano acabou abandonado. Em junho, a população média diária de detidos no local era de 16 pessoas.
O ICE também firmou parceria com o Departamento de Defesa para utilizar bases militares para abrigar detidos, incluindo uma do Exército em El Paso, no Texas, chamada Camp East Montana. O governo desperdiçou US$ 11,5 milhões (cerca de R$ 59,5 milhões) em serviços para detidos durante um período de duas semanas em que a instalação estava vazia. O acampamento foi construído para receber 5 mil detidos, mas abrigava cerca de 1,6 mil em fevereiro deste ano. Entre outubro e março, o ICE gastou US$ 7,1 milhões (cerca de R$ 36,92 milhões) em refeições de que não precisou.
Depois de comprar 11 armazéns por US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,19 bilhões) para abrigar detidos, o ICE decidiu vender sete deles. Para não ter prejuízo, o governo precisaria vender os sete armazéns por US$ 707 milhões (cerca de R$ 3,67 bilhões). No processo de compra dos sete armazéns dos quais não precisa mais, o ICE gastou US$ 7,7 milhões ( R$ 39,8 milhões) em custos não recuperáveis, incluindo avaliações de zoneamento e seguros de título de propriedade, além de US$ 12,8 milhões (cerca de R$ 66,4 milhões) em serviços públicos e segurança para os prédios, embora eles não estejam em uso.
Para ampliar ainda mais o espaço de detenção, o ICE abrigou migrantes em uma instalação da Flórida que hoje está fechada, chamada Alligator Alcatraz. O ICE normalmente firma acordos formais com órgãos estaduais e locais para abrigar detidos. Mas esse não foi o caso do centro de detenção da Flórida, e o DHS reembolsou o estado por meio de uma verba que inclui pagamentos de US$ 249 (R$ 1.286,26) por cada vaga para detidos, quase três vezes mais do que o ICE tem pago, em média, neste ano.
— Lembram quando Donald Trump prometeu acabar com o ‘desperdício, a fraude e os abusos’ em Washington? Bem, o GAO agora expôs um padrão chocante de desperdício dentro da campanha de deportação em massa inescrupulosa do governo — afirmou o senador Dick Durbin, democrata de Illinois, em comunicado divulgado nesta quinta-feira.
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Durbin, principal democrata no Comitê Judiciário, e outros dois senadores democratas pediram ao GAO que investigasse os custos dos esforços de expansão da detenção.
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