A presença de cães em hospitais vem se consolidando como uma prática complementar dentro das estratégias de humanização do atendimento e apoio emocional a pacientes. Cada vez mais adotada em instituições de saúde no Brasil e no exterior, a iniciativa busca tornar o ambiente hospitalar menos impessoal, contribuindo para a redução do estresse e da ansiedade durante internações e tratamentos.
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De acordo com a médica-veterinária Thays Rocha Siqueira, os efeitos da interação entre pacientes e cães vão além do acolhimento emocional e já apresentam impacto observado em diferentes indicadores de bem-estar.
“A interação com os cães promove redução do estresse e da ansiedade, melhora o humor por estimular a liberação de hormônios como a ocitocina, diminui a sensação de solidão e ainda pode reduzir a pressão arterial, a frequência cardíaca e até a percepção da dor, funcionando como uma distração positiva para o paciente”, explica.
A especialista destaca que a Terapia Assistida por Animais já conta com respaldo científico e vem sendo estudada em diferentes contextos de saúde. Segundo ela, os resultados apontam benefícios consistentes tanto no aspecto emocional quanto fisiológico.
“Há comprovação científica de que a terapia assistida por cães é uma intervenção eficaz. Os estudos mostram redução consistente do estresse e da ansiedade, melhora do humor, diminuição da percepção da dor e redução de parâmetros fisiológicos relacionados ao estresse”, afirma.
Apesar dos ganhos terapêuticos, nem todos os cães estão aptos a participar desse tipo de atividade. O processo de seleção e treinamento é rigoroso e leva em conta tanto o comportamento quanto as condições de saúde dos animais.
“Os animais precisam atender a critérios rigorosos. Devem ter temperamento equilibrado, ser dóceis, calmos, sociáveis e passar por treinamento específico para lidar com o ambiente hospitalar. Além disso, precisam estar com vacinas, vermifugação e controle de ectoparasitas em dia, passar por avaliações veterinárias periódicas e manter padrões de higiene adequados”, detalha.
Thays reforça ainda que o bem-estar dos próprios cães é parte essencial do processo. As sessões precisam respeitar limites físicos e emocionais dos animais para evitar sobrecarga.
“O animal não pode apresentar sinais de estresse, medo ou cansaço. As sessões devem ter duração limitada, com pausas, oferta de água e respeito aos limites de cada cão”, explica.
Embora os hospitais sejam o ambiente mais associado à prática, a terapia assistida por cães também tem se mostrado eficaz em outros espaços de cuidado e desenvolvimento humano, ampliando seu alcance para diferentes públicos.
“Escolas, clínicas de reabilitação, instituições de longa permanência para idosos, centros de desenvolvimento infantil e centros de reabilitação para pessoas com deficiência também observam benefícios importantes, como melhora da interação social, da comunicação, da coordenação motora e da qualidade de vida”, conclui a especialista.

