Quase uma semana após encabeçar o apoio do PP à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, a líder do partido e senadora Tereza Cristina (MS) afirmou que gostaria de ser a primeira mulher a presidir o Senado. Em entrevista à GloboNews, na tarde desta segunda-feira, a ex-ministra do governo Bolsonaro citou conversas com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) sobre o tema.
— Eu sempre disse que gostaria de ser a primeira mulher presidente do Senado, mesmo porque eu tenho comigo que esse talvez seja o meu único mandato no Senado, eu não sei se eu quero disputar outro, e eu gostaria de deixar um legado, principalmente para as mulheres — declarou Tereza Cristina ao Estúdio I.
A parlamentar, que está na metade do seu mandato, disse que ainda não sabe se tentará uma nova eleição, e gostaria de “deixar um legado”. A líder do PP também afirmou que, além de conversas com Alcolumbre sobre a sucessão, também conversa com Rogério Marinho (PL-RN), colega da casa e coordenador da campanha de Flávio.
— É claro que eu, sendo uma senadora de centro-direita, eu vou estar muito mais alinhada com o Rogério Marinho, que também tem essa pretensão.
Tereza e Alcolumbre compõem partidos da federação PP-União Brasil, que declararam apoio a Flávio na última terça-feira, considerado um revés para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Alcolumbre não participou da reunião nesta terça, numa sinalização de que ele não deverá apoiar Flávio explicitamente. As duas siglas têm representantes na Esplanada petista e se mantiveram neutras na eleição geral no primeiro turno, quando Lula ainda era considerado favorito nas eleições.
Ao ser questionada se disputaria o cargo contra Alcolumbre, Tereza Cristina afirmou que essa possibilidade não foi descartada.
— Isso nunca foi colocado, eu sempre disse a ele que eu gostaria de ser a sua sucessora, a sua sucessora pode ser agora ou pode ser depois, então a gente tem que ver como é que as coisas vão se encaminhar.
A senadora frisou que as articulações para a eleição do próximo presidente do Senado depende do resultado das eleições. Questionada sobre a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na Casa a partir de 2027, a parlamentar declarou ver espaço para o tema.
— Eu vejo ambiente sim, vejo que foi uma pauta — disse, ponderando que a discussão não deve ser “a única prioridade da próxima legislatura” — Infelizmente, esse foi um tema que foi central nessas eleições e nós seremos cobrados, sim, por abrir para investigar o que está acontecendo, os fatos que estão aí postos sobre o Supremo Tribunal Federal.
Tema em discussão no Senado, com votação prevista para a próxima quarta-feira, a proposta que prevê o fim da escala 6×1 também foi comentada pela senadora. Segundo ela, a oposição pretende apresentar emendas para alterar o texto. De acordo com a líder do PP, o problema é incluir na Constituição regras sobre a escala de trabalho, diante das diferenças entre os setores da economia.
Tereza Cristina cita desejo de ser presidente do Senado e vê ambiente favorável a impeachment de ministros do STF
