A aguardada segunda temporada de “Terra da máfia” chegou à Paramount+. Não espere iconoclastia. A série é uma trama tradicional misturando crime com drama familiar. Porém, existem muitas compensações que fazem valer a viagem. A história é envolvente e eletrizante, além de levada por um elenco excelente encabeçado por Pierce Brosnan (Conrad Harrigan), Helen Mirren (Maeve, a mulher dele) e Tom Hardy (Harry, o capanga que resolve todas as situações espinhosas). Há três episódios disponíveis na plataforma — serão dez — e os inéditos saem às sextas-feiras.
Recomendo com entusiasmo.
Helen Mirren/Mobland
Sophie Mutevelian/Paramount+
Na temporada anterior (tem crítica aqui), acompanhamos a disputa entre duas famílias pelos territórios do tráfico de drogas em Londres. Depois de uma carnificina, os Harrigan derrotaram os Stevenson. Agora, os inimigos são turcos. Uma nova chefe da máfia, Kat McAllister (Janet McTeer), e Colin Tattersall (Toby Jones), um ex-policial, reforçam o time de adversários. O esquema narrativo é o mesmo com outros personagens.
Quando reencontramos Maeve e o marido, eles estão assistindo a uma corrida de cachorros galgos. Ela se diverte roubando nas apostas. Mas o que começa como uma tarde de, digamos, “lazer”, evolui para uma grande matança. Conrad entra em rota de colisão com uma gangue rival e já nos primeiros minutos uma chuva de tiros invade a tela e o sangue espirra.
É o ponto de partida da guerra que vai incendiar a história.
Screenshot
Sophie Mutevelian/Paramount+
Os Harrigan não seguem a omertà que costumamos ver nas organizações criminosas tradicionais. Nada de laços férreos de lealdade. Praticamente todas as ligações íntimas são podres. Traições, preferências afetivas por um filho em detrimento de outro, rejeições cruéis, e outros comportamentos desviantes regem a família. Um exemplo: Conrad teve um filho com a própria nora. Ele e Maeve se tratam com cordialidade, mas se odeiam profundamente.
Na esfera privada, as disputas são shakespeareanas. Conrad é um velho Lear que precisa escolher seu sucessor dentro da família, mas não quer largar o osso. Ele resiste até à realidade dos exames neurológicos, que revelam um déficit de cognição. Diante do diagnóstico, ameaça matar o médico.
A incongruência das condutas contrasta com os cenários da área afastada do centro de Londres onde os protagonistas vivem. A paisagem parece imperturbável. A casa fica em meio a uma pradaria, diante de um rio tranquilo. Essa disparidade entre a paz e a b e os atos de maldade faz subir ainda mais a tensão. “Terra da máfia”, entretanto, não vive só de grandes guinadas. A construção dos personagens é resultado de uma finíssima carpintaria. Na nova temporada, tudo se aprofunda e fica ainda mais interessante.
PS: A quem quiser seguir no tema, sugiro ver/rever “O Poderoso Chefão” I e II. Os filmes também estão na Paramount+.
'Terra da máfia' volta cheia de ação e elenco continua espetacular
