Um time-lapse registrou o impacto das chamas que atingiu e destruiu o conjunto residencial Wang Fuk Court, em Hong Kong, nesta quarta-feira. Neste sexta, chegou a 128 o número de mortos no incêndio de grandes proporções. Segundo o secretário de Segurança da cidade chinesa, Chris Tang, dezenas de pessoas seguem desaparecidas e 79 estão feridos.
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Em coletiva de imprensa, as autoridades enviaram condolências às famílias das vítimas. Dos 128 mortos, 89 ainda não foram identificados. De acordo com os serviços de resgate e segurança, o incêndio é o mais grave registrado em décadas na região administrativa especial chinesa.
A polícia de Hong Kong prendeu dois diretores e um consultor da empreiteira responsável por obras nos prédios do complexo. O Corpo de Bombeiros controlou os últimos focos de incêndio em três das sete torres atingidas apenas nesta quinta-feira. Uma investigação foi aberta sobre o caso, mas autoridades acreditam que andaimes de bambu, de uso tradicional na construção civil no território, podem ter contribuído para espalhar as chamas.
O conjunto residencial de arranha-céus, com oito torres de 31 andares e cerca de 2 mil apartamentos, foi engolido pelo fogo na quarta-feira. Autoridades de segurança afirmaram que as chamas teriam se alastrado pelos andaimes de bambu, protegidos por redes de proteção de plástico, que envolviam os prédios em reforma. Fontes policiais afirmaram que trabalham com a hipótese de negligência dos responsáveis pela obra, acusando os três presos de homicídio culposo.
— Temos motivos para acreditar que os responsáveis da empresa foram extremamente negligentes, o que levou a este acidente e fez com que o incêndio se alastrasse descontroladamente, resultando em inúmeras vítimas — disse a superintendente de polícia Eileen Chung.
Cerca de 4,6 mil pessoas viviam no condomínio residencial, com dados demográficos apontando que 40% teriam 65 anos ou mais. Em um pronunciamento à imprensa nesta quinta, o chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, afirmou que 500 pessoas haviam sido alocadas em abrigos temporários montados em quadras, escolas e outros espaços improvisados, enquanto a administração local reservou mais de mil quartos em hotéis e albergues para receber os afetados.
Ainda de acordo com Lee, o plano de recuperação previsto pelo governo prevê a criação de um fundo de assistência de 300 milhões de dólares de Hong Kong (cerca de R$ 205,6 milhões), com cada morador recebendo o equivalente a 10 mil dólares de Hong Kong (R$ 6,85 mil).
— Estamos passando por uma dor coletiva — disse Lee na entrevista coletiva realizada na noite desta quinta (manhã em Brasília). — Neste momento de dificuldade, precisamos encarar isso com força e superar juntos esse momento difícil.
O incêndio no condomínio é o mais letais da história recente da cidade, superando o desastre em um cortiço em 1957 que deixou 59 mortos. Após mais de 24 horas de trabalho de combate ao fogo, bombeiros continuavam trabalhando no local, enquanto moradores apreensivos esperavam por notícias de vizinhos e familiares, e avaliavam os prejuízos sofridos.
— Compramos este apartamento há mais de 20 anos. Todos os nossos pertences estavam aqui, e agora que tudo queimou assim, o que sobrou? — disse uma moradora de 51 anos, em entrevista a Reuters. — Não sobrou nada. O que vamos fazer?
Outros moradores criticaram a resposta das autoridades após o início do incêndio, relatando que não ouviram alarmes sobre o avanço do fogo. Alguns relataram ter corrido de porta em porta para alertar os vizinhos sobre o perigo.
— Tocar a campainha, bater nas portas, alertar os vizinhos, dizer que deveriam sair… foi assim que aconteceu — disse um homem que se identificou como Suen.
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O governo anunciou medidas nesta quinta-feira em resposta à crise. Na entrevista coletiva, Lee afirmou que se iniciou uma operação para inspecionar todos os conjuntos residenciais em reforma. Também disse que seria realizado um amplo debate sobre a substituição dos andaimes de bambu por outros materiais menos inflamáveis, uma vez que o material está sendo amplamente apontado como vilão pela velocidade com que o incêndio se espalhou.
O governo também suspendeu ao mínimo atos públicos, incluindo as campanhas eleitorais antes da votação do Conselho Legislativo, marcada para 7 de dezembro. O adiamento do pleito em si ainda vai ser avaliado.

