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Time Stranger é um dos melhores da saga

BRCOM by BRCOM
outubro 30, 2025
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Digimon Story: Time Stranger — Foto: Divulgação Bandai

O universo dos monstros digitais retornou com uma dose bem equilibrada de nostalgia. Desde seu tempo na tv aberta, Digimon fez sucesso pela simples fórmula de jovens perdidos, batalhas entre criaturas digitais e a dose certa de drama. O sucesso dos jogos não foi uma surpresa, já que parte desse espírito foi herdado por Digimon Story: Time Stranger, a nova aventura de uma das sagas principais dos jogos de Digimon, lançado no dia 2 de outubro. O novo título é sequência de Digimon Story: Cyber Sleuth, que quase passou discreto, mas que foi um grande passo para franquia recuperar o fôlego do passado.

Antes de decorrer sobre o novo jogo, vale lembrar que, diferente de Pokémon, Digimon não possui um lançamento tãp recorrente de jogos e que, mesmo os que lançam, não furam tanto a bolha quanto os jogos de Pokémon. No passado, a franquia Digimon World fez muito sucesso, principalmente nos jogos para DS. Os gráficos eram em pixel art e toda simplicidade era carregada com emoção e a animação de evoluir cada vez mais seu parceiro digital.

Para nível de diferenciação, a saga World põe a evolução no centro da jogabilidade, onde as criaturas digitais são quase como aqueles ‘tamagochis’: elas podem morrer de fome, sede, cansaço, idade. Devem ser cuidadas, interagidas com, treinadas e por aí vai. Qualquer tratamento errado poderia causar uma linha de evolução errada ou até mesmo a morte do parceiro digital. Na saga Story, por outro lado, se assemelha mais com Pokémon ao focar no fator coleção e evolução das criaturas. Essa diferença, por mais que pareça simples, traça a linha que divide o gosto dos fãs.

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  • Uma aventura através do tempo
  • É bom, mas faltou acabamento
      • Time Stranger é um dos melhores da saga

Uma aventura através do tempo

Digimon Story: Time Stranger segue a linha de RPG japoneses (ou JRPGs), com gráficos no estilo anime e o descompromisso com o realismo. Essa abordagem gráfica destoa da linha dos triples AAA modernos, em que a qualidade de história e jogabilidade tende a ser sacrificado por um movimento fluído da água e dos reflexos.

A história de Time Stranger corre com um tom leve e quase cômico, onde as situações mais absurdas são combatidas com bom humor e o famoso poder da amizade. Na trama, um cataclisma surge na cidade de Shinjuku e põe todo mundo em estado de calamidade. No meio de toda a confusão, o protagonista volta 8 anos no tempo, em uma série de eventos que interliga passado, presente e futuro. Por mais que seja uma trama aparentemente suave, preocupações como fim dos tempos, mortes e existências apagadas perseguem o protagonista durante toda sua jornada. Como esperado, a aparição dos Digimon também está diretamente ligada aos eventos do jogo.

No geral, as histórias de Digimon sempre me soaram mais secundárias do que qualquer coisa. Elas são legais, mas sempre falta um peso ou alguma sensação de urgência que abrace a história. Em Time Stranger, o investimento em cinemáticas fluídas realmente foi um acerto a mais e vem como um diferencial dos títulos recentes, que possuem poucas ou nenhuma cena elaborada.

Digimon Story: Time Stranger — Foto: Divulgação Bandai

Digimon Story: Time Stranger é, além de um grande álbum de monstros digitais, um jogo de batalhas em turnos, onde podemos usar itens para melhorar ou ajudar os digimon em combate. Cada equipe é composta por 3 digimons principais e 3 reservas, que entram no combate conforme os principais são abatidos. Toda essa mecânica é bem simples e fluída, com opção de assistir as cenas de golpes ou as pular. Mas, vamos por partes.

Durante a exploração todos os membros da equipe (3 digimons principais, os auxiliares e os companheiros humanos) são visíveis no mapa, assim como os inimigos à espreita. Esses podem atacar (o que os dá vantagem de iniciativa no combate) ou podem ser atacados por nós, o que nos dá vantagem de iniciativa. O legal é que, de primeira, tive a impressão de que isso travaria a progressão, mas trouxe uma estranha e boa necessidade de estar sempre alerta. Também é bem legal também poder usar os digimons como montaria. Além de pontos por estilo, os golpes para garantir iniciativa se tornam automáticos.

O sentimento que fica é de um jogo com um combate elaborado na medida certa: o suficiente para entreter e cativar, mas não o bastante para ser algo muito complexo – o que chega a ser uma pena. Basicamente, os digimons possuem 3 atributos (dados, vacina e vírus), que possuem vantagens e desvantagens naturais entre si. Além disso, cada criatura possui aptidões e fraquezas elementais naturais. Durante o combate, faz de fato muita diferença saber trabalhar cada aspecto diferente.

Entre um turno e outro, vale bastante analisar seus inimigos pra ir acompanhando a descoberta de fraquezas para elaborar um plano de ataque. Talvez não faça tanta diferença no início do jogo, mas essa estratégia se mostra necessária conforme progressão. Os digimons ainda possuem uma lista de ataques customizáveis, que podem ser de puro dano ou de golpes que alterem o status dos inimigos. Essa veia de RPG é muito presente na franquia digimon, mas Time Stranger parece ter polido e integrado de uma maneira bem mais orgânica que outros títulos recentes.

Após os combates, todos os digimons, mesmo os que não estão nos grupos ativos, ganham experiência. Para evoluí-los, nada tão rigoroso quanto a franquia World. Na franquia Story, a que rege Time Stranger, é necessário alinhar a índole do digimon com sua inclinação (bravura, amizade, perspicaz etc.) e outros atributos, como ataque e velocidade. Outro ponto que achei bem pensado como um ‘poupa tempo’ é que o jogo te permite ‘guiar’ a personalidade dos digimons através de diálogos rápidos, em que é possível consultar para onde cada monstro está pendendo.

Simples o suficiente para se divertir escolhendo maneiras de evoluir e para onde ir, mas não complicado o suficiente para dar raiva se a escolha não for a desejada, né?

O combate de Digimon Story: Time Stranger também integra o ‘domador’, que é como se chama o humano que acompanha os digimons, ao combate com golpes únicos, que podem conceder dano, melhorias ou penalidades para os inimigos. De tempos em tempos, uma barra de progressão indica quando o golpe está pronto para ser usado.

No fim, em uma visão mais superior, todo o combate desse jogo parece se integrar com fluidez à medida que a progressão avança.

Digimon Story: Time Stranger — Foto: Divulgação Bandai
Digimon Story: Time Stranger — Foto: Divulgação Bandai

Que jogo de digimon que se preze é um sem digifazenda e plantações de carne? Em Time Stranger, temos um conceito mais simplificado da digifazenda, talvez até um pouco demais: um mundo entre mundos, onde os digimons podem treinar e serem alimentados. Não senti que essa maneira de progressão foi tão efetiva quanto manter o digimon na party ou apenas guardado, mas é bom para que ninguém fique muito pra trás. Admito que a digifazenda me pareceu (e foi como usei) mais para alimentar e endireitar os digimons para que se tornassem um sacrifício melhor para tornar outro monstro digital mais poderoso. Muito macabro?

Nesse mundo entre mundos, há um limite até que grande de digimons, que podem apenas ficar à toa ou podem passar basicamente todo o tempo treinando e sem penalidade nenhuma (toma, Digimon World). Assim como os diálogos para guiar a personalidade dos digimons durante a progressão, alguns digimons da fazenda também entram em contato buscando liderança.

O único lado ruim dessa história toda é que não dá para acessar a digifazenda o tempo todo. É preciso achar um portal para o Teatro Lumiar, outro mundo entre mundos. Tudo bem que eles são vários, mas sempre tem aquele momento, naquela hora, que você quer, mas não dá para acessar. E sim, é frustrante.

Digimon Story: Time Stranger — Foto: Divulgação Bandai
Digimon Story: Time Stranger — Foto: Divulgação Bandai

É bom, mas faltou acabamento

Digimon Story: Time Strange é um apanhado de coisas boas que, postas juntas, podem ou não funcionar. Aqui, a nostalgia age sim como uma cola, mas as marcas de retalhos são aparentes e o jogo parece o que é: uma grande liga de elementos bons, mas que às vezes parecem só colocados por colocar.

Os painéis de arte e tutoriais são ruins e malfeitos. Os textos fogem das caixas e tudo de acabamento textual é só ruim de amador. Por outro lado, as cinemáticas chamam a atenção, mas também deixam um gosto de que poderíamos ter mais.

Talvez esse título comece uma nova era de jogos de digimon, mas talvez possa ter sido só um acerto aleatório também. Eu sinto que está mais para o segundo.

A aventura em outras dimensões continua viva e parece finalmente ter traçado uma rota para o próximo passo, mas não sem tropeçar no meio do caminho. Digimon Story: Time Stranger enaltece os principais elementos da saga e acerta, mas ainda deixa um gosto de ser mediano. No final do dia, o título é uma ótima diversão para os fãs antigos, assim como um perfeito ponto de partida para quem nunca jogou nenhuma aventura da franquia.

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