Lázaro Ramos é o convidado ‘Conversa vai, conversa vem’, videocast do Jornal OGLOBO, no ar no Youtube e no Spotify. Em entrevista à jornalista Maria Fortuna, o ator falou sobre o primeiro vilão de sua carreira, o Rei Jendal na novela “A nobreza do amor”, que estreia no próximo dia 16, e também do personagem denso que interpreta na terceira temporada da série “Os outros”, em abril, no Globoplay.
O artista também falou sobre a alegria de receber dois prêmio no Festival de Berlim, com o filme “Feito Pipa”, de Allan Deberton. Analisou ainda o momento atual do cinema brasileiro.
– O que acho mais interessante em filmes como “Ainda estou aqui” e “O agente secreto” é que estamos botando o pé na nossa identidade, na nossa linguagem. Estamos falando do nosso Brasil, de coisas específicas, pequenas e que estão ganhando o mundo. É uma transição importantíssima – afirmou, torcendo, em seguida, para o amigo Wagner Moura no Oscar. – Não sei se vai trazer a estatueta, mas já ganhou. Só 11 atores com interpretações em outro idioma que não o inglês foram indicados. Um deles é Wagner. Já é histórico. Vou aplaudir, torcer.
No elenco do filme inédito “Velhos bandidos”, de Claudio Torres, ele contou ainda como foi filmar ao lado de Fernanda Montenegro. Com a veterana, aliás, estabeleceu uma grande amizade e uma relação do confiança. Ela revelou que conselho mais importante recebeu da amiga:
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– Talvez tenha sido: “Você é uma liderança, conto com você para estimular pessoas. Nunca abra mão desse lugar.” Estava desestimulado, me achando repetitivo, que tudo mudava devagar. Foi na semana que o sistema de segurança da minha casa foi invadido e fui ameaçado com mensagem, que chegou nas câmeras: “Estão falando demais. Sei onde moram, o horário que seus filhos saem de casa.” Foi período de terror, ameaça de morte, e eu estava recuando. Do nada, com sua sensibilidade, Dona Fernanda manda essa mensagem. Foi tão importante…
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O ator, diretor e escritor lembrou o burnout que o ensinou na marra a diminuir o ritmo e a fazer escolhas mais afinadas com seus propósitos, e detalhou sua relação com dinheiro:
– Não era uma questão simples para mim. Eu tinha culpa de ter dinheiro, de gastar. Muitas vezes, meu dinheiro era todo para os outros, nada para mim. E mesmo conquistando dinheiro, tinha receio de gastar pelo medo da escassez. Esse medo me perseguiu até pouco tempo. Hoje, acho que é político ter meu dinheiro e falar que o que tenho foi construído com honestidade e ética na minha profissão. Dinheiro é importantíssimo. Inclusive, para pessoas pretas, mulheres. Porque está desigual essa divisão financeira aí. A gente não tem que ter vergonha de ter e de falar sobre dinheiro. Não era questão simples para mim.

