O prefeito Eduardo Cavaliere anunciou, nesta terça-feira, uma nova estratégia de ordenamento das atividades de comércio ambulante na orla do Rio. Ela destacou que não se trata se uma operação, mas de uma política continuada de Tolerância Zero. A fiscalização permanente deve começar no dia 16, na semana que vem, cobrindo um trecho que vai de Leme ao Leblon, incluindo Copacabana, Ipanema e Arpoador. Haverá fiscalização diária, 24 horas por dia, com patrulhamento ostensivo, pontos com controle de acesso e atuação preventiva, apreensão de mercadorias irregulares e combate aos depósitos clandestinos. A medida é adotada em meio a queixas de desordem, inclusive com caixas de som durante a noite, como mostraram reportagens de O GLOBO.
— Será um programa de política continuada de tolerância zero. Não será uma operação.
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Em decreto publicado nesta quinta, dois imóveis foram desapropriados pela prefeitura para a criação de depósitos para ambulantes regulares. Eles ficam na Rua Teixeira de Melo 95, Ipanema; e na Rua Miguel Lemos 76, Copacabana. Segundo o prefeito, os dois imóveis estão vazios.
O programa estabelece diretrizes para o trabalho integrado dos órgãos municipais responsáveis pela fiscalização e reúne ações permanentes para coibir ocupações irregulares e garantir o cumprimento das regras de uso do espaço público.
A operação prevê o uso de 138 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública, que vão atuar 24 horas por dia, em duplas e em turnos de 12 horas. A ideia é impedir a instalação de carrinhos e o fornecimento de mercadorias a ambulantes clandestinos.
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Para execução do plano, a prefeitura mapeou 69 pontos de acesso à orla. Cada dupla de fiscais ficará responsável pelo monitoramento do entorno. Só no Leme e em Copacabana, serão 30 pontos de controle, que se estendem, por exemplo, pela Avenida Princesa Isabel, Rua Miguel Lemos e Praça do Lido. Ipanema terá 21 equipes e o Leblon, outras 15; enquanto o Arpoador terá mais três.
O modelo toma como base a premissa de que uma ocupação mais efetiva desestimula o comércio irregular. Ainda assim, cada região segue uma estratégia conforme a realidade local.
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No início do ano, quando o forte calor do verão atraiu multidões para o Arpoador, inclusive de madrugada, a decisão tomada foi fechar a Pedra do Arpoador ao público entre 21h e 4h. Entre 21h e 23h, os agentes atuam para a retirada de banhistas que permanecerem no local.
Em maio, o município também passou a usar drones para monitorar o entorno do Saara e da Rua Uruguaiana. E, na semana passada, anunciou ações para ordenar o entorno da Escadaria Selarón, na Lapa.
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Orla à deriva
Série de reportagens do GLOBO mostrou a desordem na orla de Copacabana, com circulação de ciclomotores na ciclovia e no passeio, venda ilegal de bebidas, caixas de som de alta potência. O mesmo vem acontecendo com Ipanema, que começa a dar sinais de “copacabanização”.
Cada vez mais camelôs se espalhando pela orla da praia, especialmente no trecho da Avenida Vieira Souto entre o Arpoador e a Rua Garcia D’Ávila, muito frequentado por turistas. No calçadão recém-tombado, a maior concentração de vendedores irregulares é junto à estátua do maestro Tom Jobim, próximo à cancela de entrada do Arpoador, que, aliás, ganhou um respiro no início do ano com a proibição de acesso à Pedra a partir das 21h.
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Carrocinhas de bebidas, que têm como carro-chefe a caipirinha — vendida de R$ 20 a R$ 50, dependendo do tamanho do copo —, proliferam no calçadão de Ipanema. A elas se somam camelôs que oferecem churrasquinho, açaí, milho-verde, coco, cangas, biquínis, camisetas, lembranças do Rio e artesanato. Nas redes sociais, até um barbeiro é visto cortando o cabelo de um banhista entre os postos 7 e 8. Não faltam ainda vendedores de chapéus, a preços entre R$ 70 a R$ 150.
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