Se a rotina de um paciente internado numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) já demanda cuidados específicos de acordo com a complexidade das doenças, a situação é ainda mais delicada quando falamos sobre UTIs Neonatais. Nesses espaços, os profissionais de saúde precisam ir além do conhecimento técnico e do acesso a tecnologias necessárias para o tratamento: é fundamental o acolhimento humanizado.
— Costumamos dizer que a UIT Neonatal abrange toda a complexidade da medicina com uma ansiedade a mais. Ninguém espera que, quando um bebê nasça, precise de uma ajuda mais intensiva. Então, ali unimos o máximo de cuidado com a quebra de expectativa dos familiares — afirma Dr. Juan Félix, ginecologista obstetra e responsável técnico do Hospital e Maternidade Santa Helena, da Rede Total Care.
De modo geral, são encaminhados à UTI Neonatal os bebês que nascem com alguma condição que demande mais atenção ou quando são prematuros. Os recém-nascidos que passam por alguma situação delicada podem ficar internados até completarem 28 dias de vida para ganhar peso, tratar infecções e aprender a mamar. Quando nascem antes das 37 semanas, esse período pode se estender.
Para garantir o melhor atendimento aos bebês e às famílias, a UTI Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Helena conta com uma equipe multidisciplinar. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e assistentes sociais trabalham juntos para colocá-los no centro do cuidado.
— Funcionamos como uma engrenagem. Desenvolvemos um conjunto de ações para devolver o bebê às famílias da melhor maneira possível, pensando na reabilitação dele, em como será o pós-alta. Traçamos metas de cuidado diárias, fazemos revisão delas a cada troca de plantão e botamos a família em conjunto. Porque trabalhamos o acolhimento familiar e o esclarecimento da situação para eles — explica Fabíola Felipe de Melo, gerente de Enfermagem do Hospital e Maternidade Santa Helena.
Suporte técnico e emocional
O atendimento humanizado da unidade envolve não só a expertise técnica e o acolhimento por parte da equipe, mas ações que permitem a criação de vínculo entre pais e filhos e o conforto emocional permanecer 24 horas por dia ao lado dos bebês internados.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão o aleitamento materno e o método canguru, que permite o contato do bebê com a mãe ou com o pai via pele. Muitas vezes, a equipe também tem o desafio de ensinar os cuidados aos pais, especialmente quando a criança tem alguma necessidade especial que vai demandar acompanhamento pós-alta.
— A criação desse vínculo é fundamental. A criança vai para casa demandando algumas precauções, e os pais precisam ter segurança para o dia a dia. Para isso, durante a internação, eles acompanham todo o processo de cuidados diários — detalha Fabíola.
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O que mexeu muito comigo foi a agilidade da médica da UTI, que tinha um olhar muito técnico e uma sensibilidade diferente para os bebês prematuros. Cuidava de todos de acordo com a necessidade de cada um. Para o meu filho, cada detalhe do tratamento fez toda a diferença”
— Gabrielle Oliveira, tecnóloga em radiologia e mãe do Theo Henrique, que nasceu prematuro
Dr. Juan observa que, muitas vezes, a troca de aprendizado é uma via de mão dupla:
— Às vezes, a família também traz muita fé para a equipe. Essa percepção estimula todos a se engajarem ainda mais. É uma relação importante.
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Hospital como rede de apoio
O trabalho da equipe da UTI Neonatal do Hospital e Maternidade Santa Helena foi um suporte fundamental para a tecnóloga em radiologia Gabrielle Oliveira, de 27 anos. Em setembro de 2023, ela deu à luz Theo Henrique, após um rompimento de placenta repentino.
O bebê nasceu com apenas 25 semanas de gestação e ficou internado na Unidade de Tratamento Intensivo da unidade por 125 dias. Theo foi considerado prematuro extremo. Não tinha todos os órgãos formados. Durante o período em que esteve na UTI, passou por muitas intercorrências, como hemorragia craniana.
— O hospital foi a minha rede de apoio emocional. Quando falamos de UTI, pensamos em um ambiente triste. Mas lá as pessoas são felizes. A equipe nos dá força, cuida da criança e da mãe. Foi lá que eu recebi o abraço de conforto. A equipe de enfermagem tem uma grande sensibilidade para cuidar da família — lembra Gabrielle, acrescentando que seu marido era autorizado a ficar com ela no hospital em horário extraordinário nos dias mais difíceis:
— Ter a companhia dele fazia a diferença para mim, então eles liberavam para me ajudar.
Hoje com um ano e seis meses, Theo é uma criança com desenvolvimento esperado para a idade.
— O que mexeu muito comigo foi a agilidade da médica da UTI, que tinha um olhar muito técnico e uma sensibilidade diferente para os bebês prematuros. Cuidava de todos de acordo com a necessidade de cada um. Para o meu filho, cada detalhe do tratamento fez toda a diferença — avalia Gabrielle.
