Um triângulo equilátero escondido na região da virilha da figura representada na obra “Homem Vitruviano” pode explicar por que Leonardo da Vinci (1452-1519) escolheu proporções tão específicas para seu desenho mais famoso. A descoberta é defendida por Rory Mac Sweeney, pesquisador e dentista londrino que afirma ter desvendado um enigma que intriga estudiosos há mais de 500 anos. O estudo foi publicado neste ano no “Journal of Mathematics and the Arts”.
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A partir das anotações deixadas por Da Vinci, Mac Sweeney identificou que o artista renascentista pode ter baseado a composição do “Homem Vitruviano”, criado em 1490, numa razão matemática que só seria formalizada em 1917: a chamada razão tetraédrica, estimada em 1,633.
Segundo o dentista, as medidas do triângulo formado quando o modelo do desenho abre as pernas e levanta os braços — conforme descrito pelo próprio Leonardo (e como se vê na imagem acima, no destaque em verde) — resultam numa proporção muito próxima, entre 1,64 e 1,65.
A hipótese confronta uma explicação recorrente de que o artista teria usado a razão áurea. Para Mac Sweeney, os números não fecham nessa teoria, mas coincidem de forma surpreendente com a constante geométrica que define, em matemática e física, arranjos espaciais de máxima eficiência para o empacotamento de esferas em estruturas tridimensionais.
O pesquisador crê que Leonardo intuiu esse princípio universal séculos antes de sua formalização. Ele também aponta paralelos com o triângulo de Bonwill, conceito criado em 1864 na odontologia para determinar a posição ideal da mandíbula — e que também se vale da proporção 1,633.
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A presença desse padrão em diferentes sistemas biológicos reforçaria, segundo Mac Sweeney, a tese de que a anatomia humana se organiza seguindo princípios geométricos semelhantes aos observados na natureza. Assim, o “Homem Vitruviano” poderia refletir não apenas os preceitos de Vitrúvio — arquiteto romano cujos escritos inspiraram a obra — mas também relações matemáticas profundas sobre a estrutura do corpo humano e do próprio universo.
Se a comunidade científica vai endossar a ideia ainda é incerto. Mas o fato de Leonardo ter registrado o triângulo equilátero em suas notas reacende o interesse sobre o que realmente está codificado nas proporções de uma das imagens mais emblemáticas da história da arte.
“Essa descoberta posiciona Leonardo Da Vinci como investigador anatômico e filósofo geométrico, alguém que identificou relações proporcionais humanas ótimas quatro séculos antes de a ciência moderna validar suas percepções, revelando um pensamento matemático sofisticado por trás da realização artística renascentista”, diz um dos trechos do estudo.

