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“Eu vou suspender permanentemente a imigração de todos os países do Terceiro Mundo para permitir que o sistema dos EUA se recupere totalmente, cancelarei todos os milhões de admissões ilegais de Biden, incluindo aquelas assinadas pela caneta automática do ‘Sleepy’ Joe Biden”, escreveu Trump, retomando o apelido jocoso que utilizou contra o ex-presidente democrata. “Removerei qualquer pessoa que não seja um ativo líquido para os Estados Unidos ou que seja incapaz de amar nosso país, acabarei com todos os benefícios e subsídios federais para não cidadãos do nosso país, revogarei a cidadania de imigrantes que prejudicam a tranquilidade interna e deportarei qualquer estrangeiro que seja um encargo público, um risco à segurança ou incompatível com a civilização ocidental”.
A mensagem publicada no perfil do presidente na rede social Truth Social foi a última após uma série de declarações e medidas de Trump contra a imigração, após a confirmação de que o responsável por disparar contra os agentes era um estrangeiro. O republicano classificou rapidamente o caso como um “ato de terror”, e atacou o tema — uma de suas bandeiras na campanha presidencial.
O texto postado na madrugada começa com uma saudação aos seguidores em referência ao Dia de Ação de Graças, mas rapidamente passa a emular uma mensagem anti-imigração. Trump afirma que os EUA e outros países — que chama de “tolos” — teriam permitido divisão, fragmentação e morte para manter-se “politicamente corretos”, e criticou a política migratória, desde os altos-custos de programas sociais de bem-estar, até uma relação entre os imigrantes e atividades criminosas.
Horas antes, o presidente havia anunciado medidas práticas para limitar a migração, ordenando a revisão imediata de green cards concedidos a cidadãos de 19 nacionalidades. No anúncio oficial, o governo citou razões de segurança e criticou a administração de Joe Biden.
Autoridades migratórias explicaram que os países afetados pela revisão dos green cards são os mesmos que haviam sido alvo de uma medida anterior de Trump em junho: Afeganistão, Mianmar Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Iêmen, Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela.
Dois soldados da Guarda Nacional foram baleados a duas quadras da Casa Branca na quarta-feira, e foram internados em estado grave. Ontem, Trump confirmou que a agente Sarah Beckstrom, de 20 anos, morreu no hospital. O outro agente está internado em estado crítico.
O suspeito de realizar os disparos é um homem afegão, de 29 anos, que atuou em uma força paramilitar apoiada pela inteligência americana, conhecidas como “unidades zero”. Ele chegou aos EUA, em agosto de 2021, por meio de um programa adotado pelo ex-presidente Joe Biden destinado a afegãos que trabalharam com as forças americanas ao longo dos 20 anos de guerra. Ele recebeu o visto de permanência definitivo no começo do ano, já no governo de Donald Trump.
Além de classificar o ataque como um ato de terrorismo e dizer que o atirador — chamado por ele de “animal” — pagará “um preço elevado”, Trump tenta usar o caso para atacar a pauta de forma mais abrangente. Ele determinou que todos os afegãos que entraram nos Estados Unidos pelo programa de acolhimento pós-2021 passem por uma reavaliação.
— Obviamente, se você está em situação irregular, será deportado automaticamente— disse, em entrevista à Fox News, o assessor presidencial e arquiteto da política migratória trumpista Stephen Miller. — Mas todos os outros que foram trazidos para cá, refugiados, solicitantes de asilo, seja qual for o status… se você não ama este país, se você não traz nenhum benefício para este país, então nós vamos mandá-lo embora deste país.
Depois, anunciou a suspensão da análise de todos os pedidos de asilo feitos por cidadãos do Afeganistão, deixando mais de 200 mil pessoas em um limbo migratório. Ouvido pela AFP, Arafat Jamal, chefe do escritório do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) em Cabul, condenou o ataque em Washington, e espera que isso “não afete outros afegãos, requerentes de asilo e refugiados” nos Estados Unidos.
— Fico um pouco preocupado quando vejo as notícias que enfatizam constantemente sua origem afegã — afirmou Jamal, pouco antes de reunião em Bruxelas.
No começo da tarde, foi a vez do Departamento de Segurança Interna confirmar que iniciou uma revisão de todos os asilos concedidos durante o governo de Joe Biden, potencialemente afetando mais de 200 mil pessoas admitidas no país entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2025, quando novos casos pararam de ser analisados. Uma porta-voz do departamento afirmou que a decisão era devido a falhas no processo de admissão durante o governo passado, uma crítica ecoada pelo próprio Trump em diversas ocasiões antes dos disparos perto da Casa Branca.

