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Ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, Trump havia anunciado que o sorteio dos grupos da Copa acontecerá em dezembro, em Washington, quando abriu uma das gavetas de sua mesa e puxou uma foto inesperada: a de Vladimir Putin.
— Acabei de receber uma foto de alguém que quer muito estar aqui. Ele tem sido muito respeitoso comigo e com o nosso país, mas não tão respeitoso com os outros. Vou autografar isso para ele. Mas me enviaram uma, e pensei que todos vocês gostariam de ver. É um homem chamado Vladimir Putin — disse Trump, exibindo a imagem aos presentes.
Putin é um entusiasta do futebol — embora seus esportes favoritos sejam o judô e o hóquei no gelo —, e em 2018 recebeu a Copa do Mundo na Rússia, mesmo diante de sanções internacionais relacionadas à anexação da Crimeia, quatro anos antes. Na ocasião, os Estados Unidos, governados por Trump, não enviaram representantes de alto escalão para a abertura, e sua seleção não conseguiu se classificar em campo.
Contudo, desde o início da guerra, esportistas e equipes russas, já em xeque por conta de escândalos de fraude em exames de doping, foram sistematicamente afastados de competições internacionais. A seleção russa de futebol, por exemplo, não participou das duas últimas eliminatórias para a Copa do Mundo, e os clubes do país estão ausentes de torneios como a Liga dos Campeões e a Liga Europa. Em maio, ao lado de Infantino, Trump se disse surpreso ao ser informado sobre a suspensão dos russos.
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No caso de Putin, além de não ter um time para torcer, sua presença nos estádios certamente causaria incômodo aos demais líderes: desde 2023, ele tem contra si uma ordem internacional de prisão, emitida pelo Tribunal Penal Internacional — os EUA não fazem parte da Corte, e não são obrigados a prendê-lo, mas os demais anfitriões, Canadá e México, teriam essa responsabilidade.
— Quem eu acredito que virá, dependendo do que acontecer. Ele pode vir ou não, dependendo do que acontecer. Temos muitas coisas acontecendo nas próximas semanas. Mas achei que era uma bela foto dele. Ok, minha, mas gentil da parte dele. Então foi muito legal que ela tenha sido enviada para mim — afirmou Trump.
O Kremlin não se pronunciou sobre o aparente convite.
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Admirador notório de Vladimir Putin, o presidente americano tem cortejado o líder russo de maneira mais incisiva nas últimas semanas, como forma de tentar acelerar um acordo de paz para a Ucrânia. Os dois se encontraram no Alasca, na semana passada, quando Trump abandonou a demanda por um cessar-fogo imediato e pareceu mais disposto a aceitar a demanda russa para controlar territórios ucranianos.
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Na segunda-feira, o republicano recebeu lideranças europeias e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca, quando houve conversas sobre garantias de segurança a Kiev e também sobre um eventual encontro entre o ucraniano e o russo. A pressa, contudo, não é compartilhada por Moscou, que exige discussões mais profundas antes de uma cúpula, e rejeitou os planos iniciais para evitar futuras invasões da Ucrânia, como a presença de uma força de paz.
Nas declarações a jornalistas, Trump expressou seu descontentamento com um recente ataque russo que destruiu uma fábrica de uma empresa americana na Ucrânia, mas sem a mesma hostilidade destinada a outras lideranças não tão bem quistas por ele.
— Eu disse a ele [Putin] que não estou feliz com isso. E não estou feliz com nada que tenha a ver com essa guerra — afirmou, sugerindo que conversou com o líder russo depois do telefonema de segunda-feira. — Não estou nada feliz. Vamos ver o que acontece. Acho que nas próximas duas semanas, vamos descobrir para onde isso vai dar, e é melhor eu ficar muito feliz.