O presidente Donald Trump afirmou que concederá alívio tarifário para algumas importações de carne moída, numa tentativa de reduzir os preços para os consumidores americanos, uma preocupação central antes das eleições de meio de mandato de novembro.
“Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, disse Trump em uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira.
O presidente americano afirmou que “nos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a importação de até 300 mil toneladas métricas de carne moída sem tarifa adicional’.
“Temos o compromisso de que essa carne será vendida a um preço 25% inferior aos preços de mercado atuais”, acrescentou.
Trump não forneceu mais detalhes sobre o acordo, incluindo a origem dessas importações. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A medida sobre as importações — que equivale a cerca de 2% do consumo doméstico anual dos EUA, de aproximadamente 13 milhões de toneladas — é a mais recente tentativa do presidente de conter os preços da carne bovina, que dispararam em meio a uma forte escassez de gado no país, à medida que custos de produção mais altos e pastagens secas dificultaram a criação de animais pelos pecuaristas.
Trump já havia buscado aumentar as importações de carne bovina, inclusive ampliando a quantidade que a Argentina poderia exportar com tarifas mais baixas. O Departamento de Agricultura americano projetou no início deste mês que as importações responderão por uma fatia recorde da oferta de carne bovina dos EUA neste ano.
As próximas eleições, que determinarão o controle do Congresso, provavelmente dependerão em grande medida da percepção dos eleitores sobre a economia, com o aumento dos custos de alimentos, saúde, serviços públicos e moradia no centro das atenções. Os preços de itens básicos como carne bovina, ovos e gasolina têm um peso particularmente grande na forma como os consumidores percebem a inflação.
Pesquisas mostram que o Partido Republicano de Trump enfrenta dificuldades para manter o controle do Congresso, com eleitores insatisfeitos com a condução da economia pelo presidente e com a guerra no Irã, que provocou uma disparada dos preços dos combustíveis.
Queda no volume de vendas
Há sinais de que os americanos estão chegando ao limite diante da alta dos preços da carne bovina. O volume de vendas de carne bovina nas 13 semanas encerradas em meados de julho, um período crucial que inclui tanto o Memorial Day quanto o feriado de 4 de Julho, caiu 0,3% em relação ao ano anterior, segundo a empresa de pesquisa Circana. Isso se compara a um crescimento de cerca de 5% nos dois anos anteriores.
As principais origens das importações de carne bovina dos EUA no primeiro semestre foram Austrália e Brasil, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. Os EUA permitem que alguns países enviem anualmente determinada quantidade de carne bovina sem tarifas, enquanto os volumes que ultrapassam essas cotas ficam sujeitos a alíquotas mais elevadas.
Os embarques da Argentina, impulsionados por Trump no ano passado, mais do que dobraram no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. A oferta estrangeira costuma ser composta por aparas de carne bovina mais magras, que são misturadas a produtos americanos com maior teor de gordura para atingir a proporção adequada entre gordura e carne magra na produção de carne moída.
Além de importar mais carne, os EUA também estão prestes a retomar as importações de gado vivo do México, que ficaram em grande parte suspensas por mais de um ano devido à disseminação de um parasita que afeta o gado.
Os frigoríficos vêm apontando esse comércio como uma importante forma imediata de enfrentar os preços no curto prazo, potencialmente permitindo a entrada de mais de um milhão de cabeças de gado por ano nos EUA. Ainda assim, inicialmente esses embarques deverão entrar por apenas um porto no Arizona, representando uma pequena parcela da oferta.
As medidas da Casa Branca ocorrem num momento em que os primeiros sinais de recomposição do rebanho bovino dos EUA ainda são fracos demais para proporcionar qualquer alívio imediato. Frigoríficos, pressionados pelo aumento do custo do gado, tiveram de fechar unidades para reduzir a competição por animais escassos, incluindo uma medida anunciada na semana passada pela Tyson Foods.

