O presidente dos EUA, Donald Trump, enviou um pedido formal nesta quarta-feira ao presidente de Israel, Isaac Herzog, para que seja concedido perdão presidencial ao premier israelense, Benjamin Netanyahu, que é réu em um processo que investiga práticas de corrupção — e também é alvo de investigações que estão em curso. O pedido foi formalizado em uma carta enviada ao presidente israelense, no mais recente apelo de Trump para beneficiar seu aliado no Oriente Médio, após ter sugerido a medida em outras oportunidades.
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“Embora eu respeite absolutamente a independência do sistema judiciário israelense e suas exigências, acredito que este ‘caso’ contra Bibi, que lutou ao meu lado por muito tempo, inclusive contra o Irã, um adversário muito difícil de Israel, é uma perseguição política e injustificada”, escreveu Trump na carta endereçada a Herzog. “Solicito, por meio desta, que conceda indulto total a Benjamin Netanyahu, que foi um primeiro-ministro formidável e decisivo em tempos de guerra”.
O presidente americano fez uma série de elogios a Netanyahu, afirmando que o líder israelense está levando Israel em direção a “um período de paz”. Em paralelo, o republicano também destacou seus próprios feitos na região, classificando seu trabalho como “contínuo” para incluir países aos Acordos de Abraão.
“Netanyahu se manteve firme em defesa de Israel diante de adversários fortes e grandes dificuldades, e sua atenção não pode ser desviada desnecessariamente”, continuou Trump. “Agora que alcançamos esses sucessos sem precedentes e estamos mantendo o Hamas sob controle, é hora de deixar Bibi unir Israel, concedendo-lhe o perdão e encerrando essa guerra jurídica de uma vez por todas”.
Netanyahu foi indiciado em 2019 por acusações de suborno, fraude e abuso de confiança. Ele nega todas as acusações. O primeiro-ministro israelense emula um discurso similar ao utilizado por Trump, quando se tornou alvo das autoridades ao deixar a Casa Branca, após perder as eleições de 2020 para Joe Biden, chamando a investigação de caça às bruxas. O presidente americano endossa a narrativa.
O Gabinete do presidente israelense emitiu um comunicado, manifestando-se sobre a carta enviada por Trump. Herzog fez um aceno ao presidente americano, a quem disse ter “grande respeito” e expressou “apreço pelo apoio inabalável” a Israel e sua “contribuição para o retorno dos reféns, a reestruturação do Oriente Médio e de Gaza e a salvaguarda da segurança”. A nota, porém, aponta que qualquer perdão deve cumprir o rito solene.
“Sem desmerecer o exposto acima, como o presidente já deixou claro em diversas ocasiões, qualquer pessoa que busque um indulto deve apresentar um pedido formal de acordo com os procedimentos estabelecidos”, diz a nota da Presidência israelense.
A pressão de Trump a favor de Netanyahu provocou reações de todas as partes do espectro político de Israel. O líder da oposição, Yair Lapid, fez uma declaração pública, apontando que a lei do país estipula como primeira condição para o indulto presidencial “a admissão de culpa e a expressão de remorso”. O líder de extrema direita e ministro da Segurança Interna de Israel, Itamar Ben-Gvir, saudou a carta de Trump, e pressionou para que o pedido fosse atentido, chamando as acusações contra o premier de “vergonhosas”.
— Presidente Herzog, ouça o presidente Trump! — disse Ben Gvir.
