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Logo depois da prisão de Epstein, em julho de 2019,Trump tentou se distanciar do financista, apesar de uma amizade de longa data, mas após sua morte, em agosto daquele ano, apostou em teorias como a de que o ex-presidente Bill Clinton, democrata, estava envolvido no esquema de abusos e era um “cliente”. Clinton, como boa parte da elite política e econômica dos EUA, se relacionou com Epstein (inclusive Trump), e chegou a frequentar algumas de suas propriedades em eventos públicos — ele jamais foi citado nas investigações.
— Bill Clinton foi à ilha? Essa é a pergunta. Se você descobrir, saberá muita coisa — questionou Trump na época, se referindo a uma das ilhas de Epstein no Caribe onde ocorreram alguns dos abusos, e que Clinton diz jamais ter visitado.
As investigações mostraram que Epstein cometeu suicídio — algo que o FBI reiterou em julho —, mas isso não impediu que o presidente questionasse a versão oficial.
— O namorado dela (Ghislaine Maxwell, sócia de Epstein) morreu na prisão. E as pessoas ainda estão tentando descobrir como isso aconteceu — disse Trump ao portal Axios, em 2020. — Foi suicídio? Ele foi assassinado? E eu desejo tudo de bom para ela. Não quero nada de ruim para ela.
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Na campanha de 2024, o tema retornou à pauta, agora na forma de pedidos para que os documentos da investigação fossem divulgados: para os trumpistas, era a chance de comprovar o envolvimento de figuras como Clinton e outro ex-presidente democrata, Barack Obama, no esquema de Epstein. À época, Trump abraçou a ideia em entrevistas e comícios.
— É muito estranho para muita gente que a lista de clientes que foram à ilha não tenha sido divulgada — disse, em setembro daquele ano, em entrevista ao podcast de Lex Fridman, novamente se referindo à propriedade de Epstein no Caribe que ficou conhecida como “Ilha da Pedofilia”.— É muito interessante, não é? Aliás, provavelmente será [divulgada], provavelmente.
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Inicialmente, o governo Trump 2.0 mandou sinais de que havia de fato uma lista, e que ela seria divulgada a qualquer instante. Em fevereiro, em entrevista à Fox News, a secretária de Justiça, Pam Bondi, afirmou que o documento estava em sua mesa para análise. Meses depois, o Departamento de Justiça disse que uma ”revisão sistemática não revelou nenhuma ‘lista de clientes’ incriminatória”. A essa altura, o presidente já evitava publicamente o tema.
— Você ainda está falando de Jeffrey Epstein? —respondeu Trump a um repórter, em julho. — As pessoas ainda estão falando desse cara, desse crápula? Isso é inacreditável.
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Em seguida, se voltou contra a própria base, que criticou a conclusão da análise dos documentos e queria que o sigilo do processo fosse derrubado. Parlamentares na Câmara também pressionavam pela liberação de detalhes.
“O novo GOLPE deles é o que chamaremos para sempre de Farsa de Jeffrey Epstein, e meus antigos apoiadores engoliram essa besteira inteira”, escreveu no Truth Social, em 16 de julho.
No mesmo dia, dobrou a aposta ao dizer que “alguns republicanos estúpidos e tolos caíram na armadilha” da oposição.
— Então eles tentam fazer o trabalho dos democratas. Os democratas não servem para nada além dessas farsas — completou o presidente.
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Com novas revelações nos últimos meses, a estratégia do governo tem sido negar os laços com Epstein e acusar os democratas de tentarem atrapalhar seu governo. Mas como demonstra o apoio de parlamentares republicanos e da maioria dos eleitores (77% dos americanos, segundo pesquisa da rede pública PBS, em outubro) à liberação dos documentos em poder do Departamento de Justiça, o caso Epstein não abandonará o presidente tão cedo.
— Ainda há tempo para ele (Trump) se tornar o herói. Ele poderia divulgar todos os arquivos por conta própria — disse, na quarta-feira, o deputado republicano Thomas Massie, co-autor de uma petição bem-sucedida para votar um projeto pela divulgação dos arquivos de Epstein na Câmara. — Mas parece que todos estavam se mobilizando para impedir isso.

