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outubro 13, 2026
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Trump transforma operação anti-imigração contra deputada democrata em tema eleitoral a três semanas das midterms

Por · outubro 13, 2026


A operação do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) dos Estados Unidos contra a residência da deputada democrata Ilhan Omar, na segunda-feira, converteu-se em um tema eleitoral na reta final para as midterms, marcadas para novembro. Enquanto o Partido Democrata acusa o presidente Donald Trump de “abuso arbitrário de poder” para prejudicar a parlamentar em busca reeleição, o republicano tentou se desvincular da ação — ao mesmo tempo em que se apoiou nela para reciclar uma retórica política pautada na discriminação contra cidadãos americanos de origem árabe.
Contexto: Agentes federais fazem operação de busca na casa de deputada crítica de Trump nos EUA
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— Eu não sei o que eles [agentes do DHS] estão fazendo com isso, mas posso dizer uma coisa: ela é um desastre — afirmou Trump em um comício realizado em Youngstown, em Michigan, horas após o início da operação na casa de Omar, provocando gritos de “deportação” por parte dos presentes. — Ela vem de um país sem leis, sem polícia, sem Forças Armadas, onde tudo o que fazem é atirar uns nos outros. Ela chega ao nosso país e diz: Tenho um direito constitucional. Ela vem nos falar sobre Constituição, sendo que vem de um dos piores países de todo o planeta.
Mulher, negra e muçulmana, Omar nasceu na Somália na década de 1980, auge da guerra civil no país, e se mudou ainda criança com a família para os EUA, acolhidos como refugiados. Ela obteve cidadania americana em 2000, quando tinha 17 anos, e tornou-se a primeira somali-americana a ser eleita para o Congresso em 2018. A trajetória política, no entanto, foi construída sob ataques republicanos, incluindo de Trump, que a acusam de ter forjado informações migratórias — alegação que, para além da retórica política, não tinha materialidade até a operação do DHS.
Agentes federais vasculham a residência da deputada democrata Ilhan Omar em Washington
ANDREW LEYDEN/AFP
O “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, disse em entrevista à Foz News na segunda-feira que um mandado de busca expedido pela justiça foi cumprido como parte de uma investigação em curso envolvendo a democrata. A emissora atribuiu a fontes anônimas a informação de que a o caso estaria relacionado à uma investigação criminal por fraude, envolvendo documentos apresentados em nome da deputada por seu falecido pai, quando ela ainda era criança. Omar negou as acusações e tratou o caso como perseguição política a três semanas das eleições parlamentares.
“Não se enganem: isso é uma tentativa de atingir inimigos políticos e transformar a aplicação da lei federal em uma arma”, escreveu a parlamentar em uma rede social. “Há dez anos, Trump me ataca com mentiras infundadas e campanhas de difamação. Isso não passa da mais recente escalada em sua campanha de intimidação política”.
A deputada Ilhan Omar, que teve sua casa como alvo de buscas do ICE, nos EUA
Reprodução / Instagram / @ilhamn
Integrantes do Partido Democrata também apontaram para a operação como um caso de “abuso de poder” e uma “escalada sem precedentes na instrumentalização das forças de segurança federais” contra adversários políticos, considerando a proximidade das eleições, que renovará 1/3 do Senado e todas as cadeiras da Câmara.
Modo de campanha
Com o objetivo de preservar a maioria republicana no Legislativo, um fator vital para avançar com a sua agenda de governo, Trump entrou na campanha tentando colar sua imagem magnética em candidatos menos conhecidos do que ele. A queda acentuada dos índices de aprovação do governo, em questões ligadas às disputas tarifárias, à guerra no Irã e a temas internos ligados ao custo de vida, fizeram parte dos candidatos tentarem se desatrelar de qualquer alinhamento incondicional ao presidente — um comportamento reticente que não mudou o plano eleitoral de Trump.
O presidente embarcou nesta terça-feira em um voo de 5,5 mil Km até o Alasca, a fim de influenciar a disputa que pode garantir apenas uma cadeira no Senado. A retórica inflamada contra os democratas e a pauta anti-imigração podem oferecer ao presidente um artifício para mobilizar a base linha-dura do partido.
Em Ohio, na segunda-feira, Omar não foi a única atacada pelo presidente. As críticas também miraram o candidato democrata ao Senado por Michigan, Abdul El-Sayed, médico americano de origem árabe — que se envolveu em um debate público com o vice-presidente JD Vance em meados de setembro, em que o republicano chegou a acusá-lo falsamente de querer implantar a lei islâmica no estado.
Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado por Michigan, dirige-se a apoiadores em seu evento da noite da eleição no Majestic Theatre, em Detroit, Michigan, em 4 de agosto de 2026
JEFF KOWALSKY / AFP
— Esse pessoal é louco. Olhem para o sujeito que está concorrendo em Michigan. Ele é um jihadista — disse Trump, antes de passar a elogiar o adversário republicano de El-Sayed, o ex-deputado Mike Rogers, e declarar que “bandidos da Somália, gângsteres do Terceiro Mundo e simpatizantes de jihadistas” não têm lugar em Ohio ou nos EUA, voltando a provocar gritos de “deportação” entre a plateia reunida.
A pauta anti-imigração não se concentrou apenas nas duas figuras de orientação religiosa islâmica. Em Ohio na segunda -feira, Trump também resgatou uma narrativa falsa usada por ele na campanha presidencial de 2024, em que acusou imigrantes haitianos de se alimentarem de animais domésticos em Springfield.
— De repente, despejaram 35 mil pessoas vindas do Haiti, e a coisa não deu muito certo — disse Trump. — Lembram-se de quando eu disse, durante o debate, algumas das coisas que eles estavam fazendo? Eu estava certo. (Com AFP, Bloomberg e NYT)

Trump transforma operação anti-imigração contra deputada democrata em tema eleitoral a três semanas das midterms