O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender, nesta terça-feira, que a Síria assuma o combate ao Hezbollah no Líbano, apesar de o líder sírio, Ahmed al-Sharaa, ter negado recentemente qualquer intenção de intervir no país vizinho. Em declarações feitas em Evian, onde a França recebe uma reunião de cúpula do G7, Trump afirmou ter sugerido a Israel que deixe Damasco “lidar” com o grupo libanês e voltou a criticar a condução da guerra pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Segundo o líder americano, Israel “luta contra o Hezbollah há tempo demais” e “muita gente morreu”.
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— Sugeri a Israel deixar que a Síria lide com o Hezbollah e, sendo sincero, acho que os sírios farão isso melhor — ressaltou.
Trump reforçou que Benjamin Netanyahu “precisa ser mais responsável em relação ao Líbano” e disse que não está nem um pouco “satisfeito” com a forma como Israel tem lidado com o Hezbollah.
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Israel e Hezbollah, um partido-milícia libanês apoiado por Teerã, travam desde 2 de março uma nova guerra, no contexto do conflito desencadeado no fim de fevereiro pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.
O conflito começou quando o Hezbollah atacou Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto durante a ofensiva conduzida por Washington e Tel Aviv contra Teerã.
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Os EUA e a República Islâmica chegaram a um acordo para encerrar a guerra e devem assinar formalmente o texto nesta sexta-feira, na Suíça. Mas, em relação ao Líbano, continuam pendentes várias questões, entre elas o desarmamento do Hezbollah, defendido por Washington e Israel.
Há anos, o governo de Netanyahu promete destruir o poderoso movimento xiita, sem sucesso, enquanto o Irã mantém seu apoio ao grupo, que considera parte de seu “eixo da resistência”.
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Nesse contexto, Trump sugeriu durante o G7 que a Síria e seu presidente interino, Ahmed al-Sharaa — um ex-jihadista sunita — assumam a tarefa de lidar com o Hezbollah.
O republicano, que recebeu Al-Sharaa na Casa Branca em novembro, afirmou que ele vem fazendo um “trabalho fantástico” desde que derrubou Bashar al-Assad no fim de 2024. Assad era um aliado firme do Hezbollah.
— Se Israel não consegue fazer o trabalho (contra o Hezbollah) sem matar todo mundo, então ele (Al-Sharaa) fará o trabalho. A Síria fará o trabalho — enfatizou.
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Trump insiste em papel da Síria contra o Hezbollah
Trump já havia declarado em entrevista à NBC, em 7 de junho, que o presidente sírio estava disposto a ajudar a enfraquecer o Hezbollah.
Na ocasião, o presidente americano defendeu ataques “mais cirúrgicos” contra o Hezbollah e afirmou que a Síria poderia ser uma alternativa para lidar com o grupo apoiado pelo Irã.
— Gostaria de ver um ataque mais cirúrgico contra o Hezbollah. Acho que deveria ser mais cirúrgico. E podemos ajudá-los com isso ou podemos recomendar a Síria — disse à NBC.
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O presidente americano também elogiou Al-Sharaa, afirmando que o líder sírio “fez um trabalho realmente bom em pouco tempo” após a queda de Assad.
Segundo fontes diplomáticas, a Síria sofre pressão nesse sentido desde a reabertura da frente de combate entre Israel e Hezbollah em 2 de março.
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Desde que chegou ao poder, Al-Sharaa tem se esforçado para afastar a Síria do eixo iraniano, do qual fazia parte o regime de Assad. O ex-presidente pertencia à comunidade alauita, um ramo do islamismo xiita.
Damasco rejeita rumores de intervenção
Os rumores sobre uma possível intervenção síria no Líbano tornaram-se tão persistentes que o próprio dirigente sentiu necessidade de desmenti-los recentemente durante uma reunião com mais de 70 líderes locais da província de Damasco que o visitaram no palácio presidencial, segundo relataram à AFP, na sexta-feira, dois participantes do encontro.
De acordo com eles, Al-Sharaa afirmou que “o que está sendo divulgado sobre a entrada da Síria no Líbano não passa de rumores”.
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Em declarações posteriores, o porta-voz do Ministério do Interior sírio, Noureddine al-Baba, afirmou que Damasco apoia o presidente libanês, Joseph Aoun, na preservação da segurança e da soberania do país e ressaltou que qualquer papel sírio dependeria de coordenação com Beirute.
A possibilidade de uma nova intervenção síria no Líbano é considerada particularmente sensível devido ao histórico entre os dois países. Tropas sírias permaneceram em território libanês por 30 anos, de 1976 a 2005, após a intervenção ordenada por Hafez al-Assad, pai de Bashar, durante a guerra civil libanesa (1975-1990).
Sob o regime da família Assad, a Síria também manteve uma estreita aliança com o Hezbollah. O grupo, por sua vez, combateu ao lado das forças do governo sírio durante a guerra civil no país. A chegada de Al-Sharaa ao poder após a derrubada de Bashar al-Assad, em 2024, rompeu essa relação, e as novas autoridades de Damasco passaram a adotar uma postura hostil ao movimento xiita.
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Apesar das negativas sobre uma eventual intervenção no Líbano, a relação entre os governos de Trump e Al-Sharaa se estreitou nos últimos meses. Após a queda de Assad, Washington suspendeu sanções contra a Síria e retomou contatos diplomáticos com Damasco.
Em novembro de 2025, Trump recebeu Al-Sharaa na Casa Branca, no primeiro encontro desse tipo entre líderes dos dois países desde a independência da Síria, em 1946. Segundo fontes diplomáticas, o presidente sírio também recebeu recentemente um convite para voltar aos EUA.
(Com AFP)

